Um País em entusiasmo, mas muito pouco preparado para os desafios que o esperavam.
Verão Quente de 1975: Tudo Era Permitido, de Pedro Prostes da Fonseca, faz luz sobre a forma exaltada como se viveram 1974 e 1975, os dois primeiros anos após a Revolução dos Cravos.
Foi um tempo pejado de episódios alucinantes: da «caça aos fascistas», fossem-no ou não, passando pelos mandados em branco que podiam ditar a prisão sem culpa formada, até ao famoso cerco à Assembleia da República.
Houve delírios: um militar de Abril ia de chaimite tomar café; o herói da revolução, Otelo Saraiva de Carvalho, quase seria linchado por uma população confusa e em histeria; alunos a sanearem professores; soldados guedelhudos a espiolhar carros à procura de armas; livre acesso ao voyeurismo sexual em cinemas que passariam exclusivamente filmes pornográficos...
Mas também foi o tempo de realizações há muito adiadas.
E de bondade e de ingenuidade.
Jovens juntavam esforços e viajavam para o interior do país a fim de ajudar conterrâneos seus a aprender a ler.
A Revolução dos Cravos trazia esperança e uma boa dose de romantismo.
O PREC teve excessos que hoje, é fácil dizer, poderiam ter sido evitados.
Mas foi longa a noite escura que o País viveu durante mais de quatro décadas.
O livro, como o próprio autor descreve, é composto de várias histórias de eventos e situações que ocorreram durante o PREC. É de fácil leitura e, similarmente a outros livros do autor, tem a capacidade de agarrar (mesmo sendo histórias soltas).