Este romance foi publicado como folhetim no jornal PÚBLICO, escrito ao longo dum ano, um capítulo por dia, desde o dia 25 de Abril de 2023 até ao dia 25 de Abril de 2024, data da celebração dos 50 anos da Revolução dos Cravos, que derrubou a mais longa ditadura europeia do século XX.
O romance tem um arco temporal de meio século, mas distribuído em espelho: vinte e cinco anos antes do 25 de Abril e vinte e cinco anos depois, mostrando as diferenças sociais e políticas da vida em ditadura e da vida em democracia.
A narrativa começa por acompanhar a infância duma menina de 6 anos, abandonada pelo pai num asilo para crianças desvalidas – como se dizia então –, gerido por religiosas. Nesse espaço, as meninas aprendiam uma série de tarefas que lhes permitiriam depois virem a ser criadas de servir. Mas nem sempre se concretiza aquilo que parece ser destino inelutável.
Nasceu em 1971, na Figueira da Foz e estudou nas Belas Artes de Lisboa, no Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira e na António Arroio. É escritor, músico, cineasta e ilustrador. Escreveu seis livros: A Carne de Deus (Bertrand), Enciclopédia da Estória Universal (Quetzal - Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2010), Os Livros Que Devoraram o Meu Pai (Caminho - Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2009), A Contradição Humana (Caminho - Prémio Autores 2011 SPA/RTP; escolha White Ravens 2011; Menção Especial do Prémio Nacional de Ilustração 2011) e A Boneca de Kokoschka (Quetzal), O Pintor Debaixo do Lava-Loiças (Caminho). Participou ainda nos livros Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas (Saída de Emergência), O Prazer da Leitura (FNAC/Teodolito) e O Caso do Cadáver Esquisito (Associação Cultural Prado). Ilustrou, desde 2007, cerca de trinta livros para crianças, trabalhando com autores como José Jorge Letria, António Torrado, Alice Vieira. O livro Bichos Diversos em Versos foi seleccionado pela Biblioteca Internacional de Juventude /White Ravens 2010 e Galileu à Luz de uma Estrela ganhou o Prémio Ler/Booktailors 2011 - Melhor Ilustração Original. Também tem publicado ilustrações em revistas, capas de livros e publicidade. Em 2007 gravou um disco (Homemade Blues) com a banda de que é membro, The Soaked Lamb, para o qual compôs todos os originais, escreveu letras, tocou guitarra, harmónica, banjo, lap steel, ukulele e cantou. Em 2010, lançou um novo CD, Hats and Chairs, apenas de originais e com vários convidados. Trabalhou como animador em vários filmes e séries tais como A Maravilhosa Expedição às Ilhas Encantadas; pilotos de A Demanda do R, Toni Casquinha, Óscar, As aventuras de João sem Medo; e vários filmes de publicidade. Fez layouts para alguns episódios da série Angelitos e realizou vários filmes de O Jardim da Celeste, Rua Sésamo e Ilha das Cores. Juntamente com mais duas pessoas, realizou uma curta-metragem chamada Dois Diários e um Azulejo, que ganhou duas menções honrosas (Cinanima e Famafest), um prémio do público e participou em diversos festivais internacionais. Também foi o realizador de O Desalmado e da série Histórias de Molero (uma adaptação do livro de Dinis Machado, O Que Diz Molero). Para publicidade destaca-se a campanha Intermarché onde realizou mais de duzentos filmes durante os anos de 2006 e 2007.
O romance foi publicado como folhetim diário no jornal PÚBLICO entre 25 de abril de 2023 e 25 de abril de 2024, assinalando os 50 anos da Revolução dos Cravos, que pôs fim à ditadura em Portugal. A narrativa cobre um arco temporal de 50 anos, dividido em dois períodos: 25 anos antes e 25 anos depois do 25 de Abril de 1974. A história começa com uma menina de 6 anos que é abandonada pelo pai num asilo para crianças pobres, gerido por freiras. Lá é educada para se tornar criada de servir, destino típico das meninas da época. No entanto, a história sugere que o futuro pode ser diferente do esperado, destacando as mudanças possíveis entre vida em ditadura e em democracia.
Fábrica de Criadas confronta-nos com a imagem da criada, com a condição da mulher, com desigualdades e com as próprias diferenças entre o meio rural e o meio urbano. Sendo um enredo de Afonso Cruz, existem inúmeros detalhes que nos surpreendem e que nos fazem questionar a lógica. E acho fascinante como também parte da religião para analisar as formas distintas como podemos lidar com o mundo que habitamos. Além do mais, acredito que também é uma história que luta contra o esquecimento.
Para mim um dos melhores livros de Afonso Cruz, entre aqueles que li. Fazem falta os folhetins na imprensa, foi assim que li na primeira vez, sempre com vontade de ler o seguinte, pela suspensão que estes pequenos capítulos traz. É, em simultâneo, duro e cheio de esperança. Excelente forma de celebrar a liberdade.