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A Matéria das Estrelas

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Na manhã do dia 21 de janeiro de 1971, o guarda-marinha Jacinto da Silva Fernandes não comparece à chamada do navio-patrulha Flamínio, pronto a largar do porto de Ponta Delgada. O jovem oficial será encontrado na casa que arrendava na cidade, deitado por terra, inanimado.
O trágico e misterioso incidente suspende o percurso de um jovem cujas qualidades e aspirações pareciam talhá-lo para a carreira dos mares. Ao mesmo tempo, marca o início de uma investigação, conduzida por Eduardo, médico e familiar dos Silva Fernandes, que traçará a história de Jacinto, desde a sua infância até à sua sobrevivência arrastada como deficiente, passando pelos dias anteriores ao incidente.
Revolvendo os rastos e os indícios deixados pelo jovem (fotografias, cartas, livros, amigos), na ânsia de encontrar respostas, Eduardo confrontar-se-á com segredos abafados e revelações dolorosas, que expõem hipocrisias que são, também, as de Portugal nas décadas de 60 e 70 do século passado. E compreenderá que, mais do que a procura da verdade sobre Jacinto, está no fundo a conduzir uma pesquisa existencial.
«Obra de um notável fôlego narrativo», servida por «uma linguagem apuradíssima», segundo o júri que o premiou, o romance A Matéria das Estrelas traz o registo inconfundível de uma das grandes vozes da literatura portuguesa contemporânea.

192 pages, Paperback

First published January 1, 2025

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About the author

Isabel Rio Novo

22 books96 followers
Isabel Rio Novo nasceu no Porto, onde se doutorou em Literatura Comparada. Leciona Escrita Criativa e outras disciplinas no âmbito da literatura, cinema e outras artes, sendo autora de diversas publicações académicas nessas áreas. Integrou os júris de prémios literários e de fotografia. Os seus textos de ficção estão presentes em várias antologias, com destaque para a primeira coletânea de contos do Centro Mário Cláudio (O País Escondido, 2016). É autora de O Diabo Tranquilo, a partir de poemas de Daniel Maia-Pinto Rodrigues, da novela A Caridade (2005, Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes), do livro de contos Histórias com Santos (2014) e dos romances Rio do Esquecimento (2016, finalista do Prémio LeYa e semifinalista do Prémio Oceanos), Madalena (inédito, Prémio Literário João Gaspar Simões) e A Febre das Almas Sensíveis (2018, finalista do Prémio LeYa).

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Displaying 1 - 13 of 13 reviews
Profile Image for Em Memória de Fátima Linhares.
1,029 reviews366 followers
May 21, 2026
Ele, Jacinto, não naufragara nunca. A sua vida começava apenas. Porque seria que pensá-lo não lhe trazia grande consolo?

No dia em que Jacinto ia partir para mais uma missão no mar, ouve-se um estampido e o marinheiro é encontrado caído, inanimado, no chão da casa de banho. A partir desse ponto, a autora vai-nos narrando, através de um médico, sogro da irmã mais velha de Jacinto, a infância e juventude de Jacinto com os seus pais, as duas irmãs e o avô, também ele um homem dos mares. Sabemos que foram as leituras da adolescência que o deixaram encantado com o mar, nomeadamente a biografia de Bartolomeu Dias e o livro de Emílio Salgari - As maravilhas do ano 2000.

Para além do mistério do que aconteceu ao Jacinto, também temos o que aconteceu posteriormente e algumas narrações dos grandes episódios marítimos portugueses. Bartolomeu Dias, que conseguiu passar o Cabo da Boa Esperança, e fez parte da frota que “descobriu” o Brasil.

Esta alternância entre o passado e o presente de Jacinto, intercalada com os episódios marítimos, pode parecer bizarra, mas, nas mãos da Isabel Rio Novo, torna-se bastante interessante esta espécie de paralelismo entre os marinheiros dos anos de 1960-70 e os marinheiros dos anos 1400-1500.

O mais engraçado foi ter terminado a leitura ontem, data em que se assinala o Dia da Marinha, que relembra o dia em que Vasco da Gama chegou à Índia, 20 de maio de 1498.
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
846 reviews169 followers
August 11, 2025
[COMENTÁRIO]
⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️
"A Matéria das Estrelas"
Isabel Rio Novo

A escrita de Isabel Rio Novo é uma pequena maravilha. As suas histórias são sempre pedaços da história de Portugal que me envolvem numa narrativa cuidada.

Desta vez, numa escrita em crescento, a autora conta a história em torno de Jacinto e do acidente que o deixa inanimado numa casa em Ponta Delgada.

Partindo desta história a autora faz um retrato de um núcleo da pequena burguesia urbano nos tempos do salazarismo final, em que não foge de nos apresentar as formas de violência, opressão e hipocrisia desses tempos.

Um livro que página a página vai em crescendo encantando-me até um final que me deixou "maravilhado".

reels:
https://www.instagram.com/p/DNLsra0oQ-9/


#livro #leitura #literatura #literaturaportuguesa

(li de 20/07/2025 a 29/07/2025)
Profile Image for Rosie.
490 reviews60 followers
May 4, 2026
"Cada pessoa vive em si todas as tragédias do mundo. Talvez sejamos apenas e sempre o sofrimento mais recente, mas todos os anteriores venham com ele, como gotas de chuva que se encontram num declive e se juntam numa enxurrada." Pág. 101

Uma história aparentemente simples, mas perturbadora, personagens discretas, mas suficientemente complexas para nos enredar num mistério denso.

Explora a condição humana e as fragilidades quer físicas quer psicológicas do Homem.

"... parece que é da natureza humana, ao recordar o passado, lembrar-se esparsamente de factos e episódios. E os que ficam na lembrança, por incrível que pareça, ou não, tendem a ser os mais difíceis e dolorosos." Pág. 98

Passado na época do Estado Novo e muito bem entretecido com a época dos descobrimentos e das grandes navegações somos transportados, vivamente, para cada um dos momentos como se os visualizássemos realmente.

A escrita é de um virtuosismo que lhe escorre pelos dedos naturalmente e que a caracteriza.

Um livro de conquistas várias, seja dos mares seja a espacial, dos sonhos, da superação (ou não) das distâncias. E também fala sobre a opressão, a hostilidade, a hipocrisia desses tempos (ou de sempre).
Profile Image for Vera Sopa.
832 reviews84 followers
June 7, 2025
“Cada pessoa vive em si todas as tragédias do mundo.”

A matéria das estrelas é um romance triste brilhantemente escrito. Um enigma trágico quando um jovem guarda-marinha Jacinto caí inanimado e entra em coma sem justificação é o início desta história que, o médico Eduardo vai tentar desvendar e para isso investiga tudo o que se passou e procura conhecer os principais aspectos da vida de Jacinto. Uma história que começa por ser muito empolgante mas depois vai cedendo e tem picos de interesse quando se percebe o drama que o cerca que determina o incidente. Um tempo que, arreigado de preconceitos destruiu tantos sonhos. A violência e a hipocrisia social a nu num retrato dos anos 70.
A prosa marca e a triste revelação também.
Profile Image for Andreia Carmo.
23 reviews6 followers
September 2, 2025
Uma bela história sustentada por uma escrita exemplar. Adorei conhecer o Jacinto, as suas agruras e infortúnios, e a paixão inabalável pelo mar.
Profile Image for Leonor.
220 reviews
July 27, 2025
Descobri a autora através do Blog da escritora e editora Maria do Rosário Pedreira, o 'Horas extraordinárias', que tecia elogios não só ao livro, como à Autora e, de facto, foi uma boa surpresa.
Esta é a história de Jacinto, um marinheiro com formação na escola Naval, no Portugal dos anos 70, de um mistério que mudou a sua vida, de uma sombra que o perseguiu a ele e à família durante anos, dos sonhos do mar e da navegação, relatados a par e passo com a vida de Bartolomeu Dias, o português que dobrou o cabo da Boa Esperança e reconstruidos através de fragmentos: as cartas que escrevia à mãe e a memória do narrador, arrancada ao convívio familiar, tendo como cenário a cidade de Lisboa e a minha querida ilha de São Miguel.
24 reviews1 follower
June 15, 2025
Uma história muito triste, magnificamente escrita.
Profile Image for Graciosa Reis.
574 reviews55 followers
September 1, 2025
Já o referi, mais do que uma vez, e reitero que considero a Isabel Rio Novo uma das melhores escritoras portuguesas na nossa produção literária contemporânea.

Ao iniciar, 𝑨 𝑴𝒂𝒕é𝒓𝒊𝒂 𝑫𝒂𝒔 𝑬𝒔𝒕𝒓𝒆𝒍𝒂𝒔, já sabia que a fasquia estava elevada. O romance já recebera um prémio e as críticas eram muito positivas. Sabia de antemão que ia gostar, quando se gosta muito de um(a) autor(a) nunca se fica desiludido. Mas sabendo tudo isto, ainda fui surpreendida e fiquei muita agradada ao perceber que este romance dava uma enorme “piscadela de olho” a uma obra de Paulo M. Morais (obra magnífica e que recomendo muito). Não vou revelar muito desta interacção, para não retirar o prazer da descoberta, refiro, apenas que o protagonista, Jacinto, é também uma personagem do livro 𝑨 𝑩𝒐𝒏𝒆𝒄𝒂 𝑫𝒆𝒔𝒑𝒊𝒅𝒂.
Esta cumplicidade entre os dois escritores, engrandece-os, na minha opinião. E se no livro, a dedicatória de Isabel Rio Novo “Ao Paulo, com quem caminho pelos terrenos da realidade e da ficção”, já fazia sentido pelo apoio mútuo com que se brindam, agora, faz ainda muito mais sentido.

Em 𝑨 𝑴𝒂𝒕é𝒓𝒊𝒂 𝑫𝒂𝒔 𝑬𝒔𝒕𝒓𝒆𝒍𝒂𝒔, Isabel Rio novo conduz o leitor até meados do século XX (anos 60 e 70) com incursões ao tempo das navegações, sobretudo de Bartolomeu Dias. A narrativa balança harmoniosamente entre a história de Jacinto, de Bartolomeu Dias e a do narrador investigador e omnisciente. A autora revela uma grande mestria ao cruzar os diversos tempos da narração: o histórico, o psicológico, o da memória, e o da ficção.

A narrativa oferece diversas camadas de leitura. São vários os temas abordados, mas podemos referir que se foca, essencialmente, no incidente misterioso que alterou o destino do jovem oficial da marinha, Jacinto da Silva Fernandes. É através da investigação conduzida pelo médico, com quem ainda mantém laços familiares, que tomaremos conhecimento, de forma não cronológica, da história de Jacinto, de alguns aspectos familiares que influíram na vida do jovem e de acontecimentos de um Portugal bafiento, injusto e hipócrita.

Isabel Rio Novo numa escrita simples e cuidada cria personagens fortes e perturbadoras e oferece-nos uma viagem maravilhosa sobre memórias, paixões e segredos da qual nunca saímos indiferentes porque, na história dos outros, encontramos, por vezes, a nossa, como referiu o doutor Eduardo a certa altura da investigação.
Recomendo muito.

Profile Image for Isabel.
245 reviews17 followers
December 15, 2025
A expressão “não julgues o livro pela capa”, neste caso, aplica-se totalmente a mim. Um dos aspetos que inicialmente me afastou desta leitura foi a capa, com aquelas imagens antigas de naus e figuras trajadas à época, que me pareceram presas a um imaginário histórico que associo, talvez injustamente, a algo datado e pouco estimulante. A leitura veio desmentir por completo essa impressão. O livro é muito mais rico, complexo e contemporâneo do que a sua capa ilustra. Esta opção por iconografia histórica simplifica excessivamente um livro que é tudo menos simples, reduzindo-o a um imaginário visual que pouco dialoga com a sua densidade literária e filosófica.
É a primeira obra de Isabel Rio Novo que leio e foi uma muito feliz surpresa. A escrita, elegante e quase clássica, conquistou-me desde as primeiras páginas. A autora consegue a proeza de articular os diferentes tempos em que decorre a narrativa de forma muito hábil e inteligente, fazendo com que passado, presente e memória se misturem e formem um continuum, o que dá ao romance uma enorme profundidade e reforça a ideia de que a experiência humana atravessa os tempos sem nunca se fragmentar por completo.
Há descrições tão evocativas que me ficarão na memória, como por exemplo, a forma como refere a monotonia do navegar em mar alto como uma sucessão hipnótica de dias iguais diante da planície infinita do mar. Acrescenta assim ao cenário que é o oceano, um estado de espírito, ao mesmo tempo que desvenda o estado interior do personagem.
Outro ponto interessante neste livro é que, apesar de ser uma narrativa assumidamente contemplativa, a autora consegue manter-nos o interesse no enredo em suspensão, equilibrando introspeção e expectativa.
Gostei muito, e tenho pena que a capa preste um tão mau serviço à obra… e aos leitores.
9 reviews
July 20, 2026
Não é o género de livro que costumo ler e admito que demorei algum tempo a terminá-lo, porque é uma leitura mais densa e rica em contexto histórico. Ainda assim, gostei muito da história do Jacinto e da forma como a autora retrata Portugal das décadas de 60 e 70. Foi uma leitura que me tirou da zona de conforto e que me permitiu conhecer melhor uma época marcante da nossa história.
Profile Image for Regina Barata.
360 reviews6 followers
September 22, 2025
Jacinto é um jovem cuja ambição é dedicar-se ao mar e à vida de marinheiro. A sua carreira está, aparentemente, bem encaminhada quando é encontrado inconsciente em sua casa. O seu futuro fica truncado e a história da sua vida, antes e depois do trágico momento, será contada pelo seu médico, amigo da família, e irá revelar alguns dos mistérios que o envolvem a si e aos seus.
Uma história que mantém o suspense quase até ao final e que nos faz, em simultâneo, um retrato do Portugal tradicional e fechado sobre si e sobre a sua história, ao longo do meio século, compreendido entre os anos 50 do século XX e o início do século XXI, que viu acontecer muitas mudanças.
Homenagem ainda ao navegador Bartolomeu Dias.
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