Mara vive em Queimados (RJ), entre o banco onde trabalha, as festas com os amigos e o carinho da família, mas carrega um segredo que lhe rouba a paz. Lah, por sua vez, trilha o caminho instável do cinema independente. Crescida na Zona Sul do Rio, ela enfrenta a insegurança do mercado e a própria, mesmo quando tudo ao redor parece estar a seu favor. Já Caio, leva a vida no automático - entre traduções mal pagas, aulas de inglês e a companhia de um gato chamado Zé Alfredo, ele se vê cada vez mais distante de qualquer pretensão de entender a si mesmo.
Em um romance que costura delicadamente as histórias de três personagens, “Aos olhos verdes de um gato preto” mergulha nos encontros improváveis e nos afetos sutis que surgem entre pessoas de mundos muito diferentes. Com uma prosa que valoriza o que existe de singelo e trivial no cotidiano, Arman Neto constrói um retrato sensível e honesto sobre confiança, pertencimento e recomeço. Suas personagens não são heroicas nem infalíveis, são apenas pessoas comuns tentando seguir em frente, tropeçando, olhando nos olhos dos próprios fantasmas e perguntando: será que dá pra recomeçar?
O Livro do Arman foi um excelente companheiro em dias não tão fáceis por aqui. O tom do livro é o de uma novela leve, mas com profundidades sensíveis, bem situada no Rio de Janeiro e nas referências culturais da juventude, passando pelo carnaval, por artistas e novos nomes da negritude e por questões cotidianas de jovens trabalhadores que querem curtir, amar e entender quem são no mundo. De forma leve e pacata, Arman vai construindo um enredo de triângulo amoroso, mas muito nuançado, e me senti bastante envolvido com as questões de Caio e Mara. O livro é uma excelente estreia, e sinto que Arman ainda vai nos surpreender com a qualidade de seus enredos e com o modo como situa as questões sem transformar suas personagens em meras demonstrações.
Iniciei essa leitura esperando muita coisa e acho que ela não me entregou muito. Senti falta de mais cenas sobre a companhia do gato preto, que dá título ao livro. E achei que em muitas vezes o autor forçou bastante incluir referências da vida real na obra, sempre tentando mostrar o quão atual e antenado o enredo é. Adoro esse recurso na literatura mas achei que nesse livro foi demais. O final me decepcionou, o livro assumiu um tom que não tinha demonstrado em nenhum outro momento, achei que virou uma ponta solta. Entretanto, foi um bom passatempo e curti acompanhar o desenrolar de Caio, Mara e Lah.
Li esse livro recentemente e adorei! Peguei para ler um capítulo e acabei lendo o livro todo de uma vez. Os diálogos são fluidos, personagens complexos e uma trama cotidiana que envolve o leitor!