Mara vive em Queimados (RJ), entre o banco onde trabalha, as festas com os amigos e o carinho da família, mas carrega um segredo que lhe rouba a paz. Lah, por sua vez, trilha o caminho instável do cinema independente. Crescida na Zona Sul do Rio, ela enfrenta a insegurança do mercado e a própria, mesmo quando tudo ao redor parece estar a seu favor. Já Caio, leva a vida no automático - entre traduções mal pagas, aulas de inglês e a companhia de um gato chamado Zé Alfredo, ele se vê cada vez mais distante de qualquer pretensão de entender a si mesmo.
Em um romance que costura delicadamente as histórias de três personagens, “Aos olhos verdes de um gato preto” mergulha nos encontros improváveis e nos afetos sutis que surgem entre pessoas de mundos muito diferentes. Com uma prosa que valoriza o que existe de singelo e trivial no cotidiano, Arman Neto constrói um retrato sensível e honesto sobre confiança, pertencimento e recomeço. Suas personagens não são heroicas nem infalíveis, são apenas pessoas comuns tentando seguir em frente, tropeçando, olhando nos olhos dos próprios fantasmas e perguntando: será que dá pra recomeçar?
Li esse livro recentemente e adorei! Peguei para ler um capítulo e acabei lendo o livro todo de uma vez. Os diálogos são fluidos, personagens complexos e uma trama cotidiana que envolve o leitor!
“Somos os únicos responsáveis pelas escolhas que tomamos.”
Frase me marcou no meio da leitura que fiz do romance de Arman Neto. Geralmente eu tenho uma intuição bem sabichona que diz: esse livro vai te arrebatar. Não é que arrebatau mesmo?
Falando em relações amorosas, “Aos olhos verdes de um gato preto” é mais que os felinos terem os segredos escondidos nos pelos: é sobre escolhas. É a ganância de ter tudo e não saber o que quer. É brincar com corações e destruir futuros por uma decisão egoísta.
Nessa história, conhecemos Caio. Ele é professor, vive sua vida e encontra uma moça, a Lah, numa cafeteria (guarde essa info!). Nesse mesmo tempo, ele resgata um gatinho da rua e, após ir ao veterinário, conhece Mara. Eles se reencontram no pós-Carnaval e acompanham ela até pegar transporte para casa.
Depois desse encontro com a Mara, as coisas mudam: papo vai, papo vem. Eles se encontram de novo e não rola nada: Mara tinha suas questões. Enquanto sumida, Caio reencontra a Lah e eles seguem um romance casual.
Mara reaparece; eles ficam juntos, ela comenta um momento traumático em sua vida em que a confiança é quebrada e pede paciência para ficarem juntos. Lah chama ele de novo para um encontro e a dúvida bate: qual escolher? O que fazer?
Ele leva para os amigos — que sempre têm um sábio e um com o cérebro feito peito de frango liso e, para decepção, mas não surpresa: segue o conselho do amigo com cérebro de peito de frango: “não é nada sério, faz o que você quiser”.
Um dia, a vida cobra. São escolhas, não é? Lah vê Caio e corre para abraçar; Mara estava junto e toma um susto. Elas se olham e, na hora, percebem o que estava acontecendo.
Demorou a escolher, perdeu as duas pessoas que queria. A vergonha na cara apareceu e fez Caio correr para pedir desculpas para ambas e não foi perdoado. Bem feito!
No fim, vemos um crescimento lindo da Mara ao se reencontrar no show da Luedji, com direito à aparição da Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves. Quando Caio quer tentar mais uma vez, é tarde demais: Mara não tem mais medo do futuro. Agora é ela com ela, sempre.
Eu amei TANTO essa leitura! Marquei mais de 80 vezes e gabaritei todos meus post-its verdes. 😅