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Cidália

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Cidália fará 70 anos dentro de alguns meses. Sozinha em casa, vê-se nua ao espelho e dá-se conta da finitude do corpo e dos efeitos da passagem do tempo. O único filho, Rafael, cumpre uma longa pena de prisão e Cidália está impedida de o visitar devido à pandemia. Confinada ao apartamento lisboeta onde vive desde jovem, resta-lhe percorrer a galeria de memórias da dor e da alegria, das aventuras que viveu, das lutas que travou e dos homens que amou.

246 pages, Paperback

Published May 1, 2025

19 people want to read

About the author

Ricardo Figueira

1 book3 followers
Ricardo Figueira nasceu em Lisboa em 1975 e passou a maior parte da vida adulta na cidade francesa de Lyon, tendo recentemente regressado à sua cidade natal.
A pandemia fê-lo retomar o gosto pela escrita. Tem contos publicados em várias colectâneas, incluindo o conto "A Máquina", na colectânea "Contágios", dos Mapas do Confinamento, publicado pela Visgarolho.
É igualmente fotógrafo e co-realizou, com Isabel Pina, a curta-metragem Motorphobia. Profissionalmente, trabalha como jornalista para a cadeia Euronews.
"Cidália" é o primeiro romance que publica.

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Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for Monica Cabral.
261 reviews56 followers
June 10, 2025
"Todos os dias me vejo nua ao espelho. É um exercício ao qual me entrego, religiosamente, desde que me conheço e uma das primeiras coisas que faço mal acordo. Que seria de mim sem este objecto que me relembra, a cada dia que passa, que a vida é finita, que o corpo se deteriora e vai ficando velho como a mobília?"

2020, Cidália tem 69 anos e  está fechada em casa devido à pandemia do Covid 19. Na solidão do seu confinamento começa a sentir saudades da sua vida "normal ", do convívio com a sua querida amiga Cecília; dos amantes mais novos que engatava no Tinder; das suas saídas nocturnas e sente imensas saudades do seu filho Rafael que está preso em Vale de Judeus por ter cometido um crime horrível.
Sozinha no seu apartamento com vista para o cemitério local, Cidália revisita o seu passado através das fotografias tiradas ao longo da vida: o Entroncamento onde teve uma infância e adolescência infelizes; os seus amores e desamores; o seu casamento com o amor da sua vida que acabou e a destruiu por dentro e como "falhou" ao filho, o que poderia ter feito de diferente para o ajudar.
Através de uma escrita simples e sem floreados Ricardo Figueira traz-nos uma personagem forte e decidida que não abdica das suas convicções e desejos.
Cidália, o seu primeiro romance, é um livro sobre as nossas recordações e como a nostalgia das mesmas são por vezes a nossa única companhia em momentos de solidão extrema.
Profile Image for Anabela Gomes.
76 reviews5 followers
August 23, 2025
Chama se Cidália, é uma história que conta um retrato intimista e profundo dessa mulher prestes a completar 70 anos, confrontada com a passagem do tempo, a solidao e a ausência do filho. A capa transmite como Cidália se vê com o passar dos anos, funciona como uma metáfora e vulnerabilidade, enquanto a memória se torna o espaço onde encontra companhia, revendo dores, amores e conquistas. O confinamento amplia esse mergulho interior, revelando uma vida plena de contrastes, entre perdas e alegrias, lutas e afetos. Entre a nostalgia e a força interior de quem, apesar das ausências, continua a existir plenamente.Quantas "Cidalias" existem, escondidas no silêncio das casas e das recordações? E quantos Rafaéis, ausentes, distantes, à espera de reencontros possíveis?
Até que ponto uma mãe conhece tão bem o filho!? Será que Cidália sabia?
Para descobrir, só lendo e acreditem, nao se vão arrepender.

E o final....que final!
Profile Image for Dulce Dias.
2 reviews1 follower
July 29, 2025
Estreio-me na «crítica» literária não com um, mas com três livros que li recentemente e cuja leitura recomendo. E se refiro os três (dois portugueses e um sueco, lido na tradução francesa) é porque um acaso fez com que os lesse consecutivamente e que – pelo menos, para mim – cada um deles ecoasse no seguinte. Em comum, têm o tema da morte embora nenhum deles seja exatamente sobre a morte: ao contrário, falam todos da vida. Do amor, da incompreensão, da memória.
No primeiro, a morte é apenas um pretexto para entrarmos na pele da mãe de um assassino; no segundo, para nos compadecermos por uma mãe que não sabe qual dos dois filhos gémeos é o assassino; no terceiro, estamos no lugar de uma filha que viu o pai definhar e morrer com Alzheimer.
Nesta ordem cronológica de leituras que me fez escrever esta «crítica», começo pelo romance Cidália, do meu amigo e ex-colega de trabalho Ricardo Figueira – que, para além de jornalista e escritor, é igualmente fotógrafo –, que muito me honrou ao convidar-me para fazer a apresentação do livro aqui no consolado de Lyon, França (no passado mês de junho).
Numa próxima publicação, falar-vos-ei do sueco Välkommen Till Evigheten, da Camilla Grebe (não traduzido para português e cujo título francês é L’énigme de la stuga), e por fim, numa terceira publicação, de comentar-vos-ei O meu pai voava, da Tânia Ganho (curiosamente, um livro oferecido pelo Ricardo, com dedicatória da autora, e que estava a meio da pilha dos livros a ler, mas que a falta de tempo não me tinha ainda permitido fazê-lo).
Falemos então do Cidália.
A Cidália – personagem principal do livro – tocou-me profundamente, pelo seu inconformismo: uma mulher de 70 anos que, em pleno confinamento, todos os dias se olha nua ao espelho, coquette e consciente do seu poder de sedução, apesar da idade. Mas este olhar-se ao espelho é igualmente um pretexto para, aos poucos, passar em revista a vida que já viveu: os amores e desamores; as alegrias e as tristezas; o passado e o presente. Através da Cidália, mergulhei num Portugal profundo que (ainda) conheci (apesar de ter menos 15 anos do que ela); reconheci maneiras de viver e de pensar do Ribatejo de antanho (região onde eu própria cresci); revivi o 25 de Abril e rememorei as lutas políticas da altura; assisti novamente à evolução da sociedade portuguesa ao longo das sete décadas da vida desta personagem. E até invejei a Cidália no seu feminismo – afirmado nos gestos e não nos slogans. A Cidália tem, como eu já disse, 70 anos. Mas, diz-nos ela, que «De vez em quando, ainda engato uns rapazes novitos no Tinder. Novitos é como quem diz. Este último tinha 36 anos, mesmo assim é quase metade da minha idade, como na canção da Dalida». – Convém dizer aqui que este é um romance com banda sonora, pauteado de canções que marcaram a vida da Cidália, os engates, as paixões e os amores desta mulher. Ao longo destas 250 páginas admirei – invejei? – a forma livre como a Cidália sempre decidiu ser dona do seu corpo, num Portugal onde era obrigatório pedir autorização para namorar, num país bafiento onde as mulheres eram pertença do Pai até que este as cedesse ao marido, e onde a Igreja ditava a Moral e os bons costumes. A Cidália esteve-se sempre nas tintas para essas convenções. Foi sempre ela quem decidiu. Desde a sua primeira vez: «[Ele] Disse que queria voltar a ver-me e queria que fôssemos namorados. Que falaria com os meus pais (…) – Prometo que não conto nada a ninguém sobre o que se passou – acrescentou. Mas eu tinha outros planos. Queria ir para a faculdade, para Lisboa, não queria ficar a viver naquele atraso de vida. Limitei-me a sorrir, disse que não queria. Despedi-me dele com dois beijos na cara, virei-lhe as costas e vim embora. Foi, certamente, por raiva e por lhe ter ofendido o orgulho de macho que ele foi contar aos quatro ventos o que tinha acontecido. O grande hipócrita, filho da mãe. Afinal, quem ficou a sentir-se usado como uma puta foi ele.» Este é o discurso da Cidália. Ao longo de todo o livro, assistimos a um discurso testemunhal, sempre na primeira pessoa do singular. E soa tão íntimo, tão justo e tão feminino que até nos esquecemos que o autor não é a Cidália, mas sim um homem.
Um homem que tomou o partido de não usar linguagem rebuscada: não procurem aqui rodriguinhos nem palavras caras. Não as encontrarão. Pelo contrário: a força estilística deste romance é esta escrita natural, por vezes, crua, mas sempre justa. E é também isso que nos faz sentir tão próximos da Cidália. Como se fosse uma amiga de longa data com quem estivéssemos a tomar um café ali para os lados do Parque Mayer e a recordar cenas passadas. O vocabulário é escolhido com exatidão, e reabilita expressões que fazem parte da cultura portuguesa, expressões com as quais cresci, que a minha avó usava, que a minha mãe empregava, mas que duvido que o meu filho venha a utilizar ao longo da vida. Este livro é, também nesse aspeto, um testemunho da História de Portugal. Ou daquilo a que, por vezes – sobretudo aqui em França –, se chama a «pequena História» de um país: esses eventos menores, essas histórias de vidas de pessoa «normais» que, reunidos, permitem traçar um retrato relativamente fiel de uma sociedade num dado momento, e até compreender as suas evoluções ao longo dos tempos.
Mas – perguntam-se vocês, caros leitores, e com razão – o que tem esta história a ver com a morte? Tem tudo. Porque o outro fio condutor desse romance é o amor incondicional de uma mãe por um filho que cometeu o «irreparável». Com a Cidália, entramos na intimidade de uma mãe que consciente do mal que o filho fez, não sabe, não pode deixar de amá-lo. Porque é o seu filho, o seu menino. Porque é o seu amor maior. Mas um amor que provoca dor. Um amor que exige sacrifícios. Um amor que nos obriga – a nós, leitores – a nos colocarmos na pele desta mãe. E se fosse o meu filho? De facto – como o próprio autor explicou na apresentação do romance, aqui em Lyon –, poucas vezes imaginamos as consequências que um crime de sangue pode provocar numa família. Não na da vítima – nessa, imaginamos muitas vezes, e temos compaixão por ela. Mas na do criminoso. Porque afinal, como diz a Cidália, «Ao condenar-se um filho de mãe viva a uma pena de prisão, são duas pessoas que ficam destinadas a sofrer: o filho, que pode ou não ser culpado de um crime, e a mãe que, apesar de inocente, tem também uma pesada pena para cumprir.»
Profile Image for Sandra Ramos.
Author 6 books12 followers
June 13, 2025
Falar de um livro de alguém que conhecemos há 45 anos - se para isso tivéssemos idade, evidentemente - não se faz de ânimo leve.

Tenho sempre receio que a familiaridade distorça a apreciação e a a isenção desapareça. Por isso leio sempre com cuidado extremado, tantas vezes injusto, porque procuro envolver-me menos e analisar mais. Foi um equilíbrio desafiador.

Este livro é uma carta falada, uma reflexão de vida, para o filho de Cidália. Toda a narrativa é feita na primeira pessoa, uma mulher nos seus quase 70 anos, em plena pandemia do Covid, que tem por hábito olhar-se diariamente ao espelho, na sua nudez. Fá-lo para avaliar os efeitos do tempo naquele corpo que tanto amou de forma descomplexada e livre de pudores. É assim que, progressivamente, encara a finitude do mesmo.

Cidália percorre de forma intercalada as suas memórias de vida, da sua educação por um pai comunista, incoerentemente religioso, e uma mãe que se secundariza, num país puritano e cheio de regras. Recorda amores, desamores, traições, aventuras sexuais. Ri muito com o caricato de algumas situações. Quando o disse ao autor, ficou surpreso porque outras pessoas já lho haviam referido, conquanto não tenha sido sua intenção escrever um texto humorístico. Como referi na sua apresentação na Feira do Livro, o humor é uma caraterística do Ricardo, e foge-lhe para o texto, Mas Cidália é muito mais do que isto...

O grande amor da sua vida é o filho, um homem que começou por ser uma criança sobredotada, mas que cumpre pena de prisão de longa duração. Refleti, ao longo do livro, que muitas vezes a caprichosa vida acontece e nos retira sentido às expectativas. Aquilo que sonhamos, tendo por base capacidades, nem sempre se concretiza, e elementos perturbadores podem reconduzir a vida noutra direção.

Outros temas se desenvolvem ao longo do livro, como a amizade forte entre duas mulheres, concretizada na permanência ao longo duma vida. A vida nas cadeias, ainda mais difícil em tempo de pandemia. As adições de substâncias promotoras de alterações comportamentais, As doenças mentais e a solidão, majoradas pelas circunstâncias da ambientais.

Crescemos, eu e o autor, na Penha de França, em Lisboa. As inúmeras referências aos nomes das ruas permitiram um viver geográfico da narrativa, bem como a recordação de alguns acontecimentos ocorridos à época.

Considero um excelente romance de estreia.
Resta-me esperar pelo próximo.
Profile Image for Estela Ladeiro.
223 reviews4 followers
February 24, 2026
Este livro destaca-se, a meu ver, pelo desafio que o autor abraçou...escrever na primeira pessoa através de uma voz feminina. Esta escolha pareceu-me, de início, arriscada, mas depressa me apercebi de que a obra estava em boas mãos.

A narrativa flui com naturalidade, agarrada à forma genuína como esta personagem vê a vida e lida com o quotidiano, com o seu feitio irreverente e o seu “pelo na venta”.
Não é uma figura idealizada, é uma mulher de fibra, autêntica e pragmática, que usa a sua força como escudo.

A história passa-se em Portugal, num tempo marcado pelo isolamento da pandemia, mas não fica confinada a esse contexto. A narrativa leva-nos a viajar por outros tempos que mostram diferentes fases da vida em Portugal, trazendo também acontecimentos que fazem parte da nossa história.

Com uma escrita directa e sem rodeios, senti que o autor usou a sua clareza profissional de jornalista para mostrar como o tempo deixa o seu rasto e a sua aprendizagem.
“... aprendi algo que percebi ser importante para poder ler o mundo. Que as contradições estão presentes em tudo. Onde está algo, está também o seu contrário.”

Ao longo do relato, a presença do filho surge em forma de pensamento que atravessa a protagonista, moldando silêncios, memórias e gestos.
É nessa relação, marcada pela ausência, inquietação e ligação profunda, que o livro ganha a dimensão emocional.

Dar voz a esta mulher tão real permite mostrar, de forma simples, a solidão de quem procura o seu lugar num mundo em constante mudança.

Achei o livro muito interessante porque, apesar da aparente simplicidade, a sua essência obriga-nos a ir desfiando camadas que nos levam, quase sem darmos conta, a refletir sobre questões mais profundas.

Ahh, e quase me esquecia… este livro tem uma banda sonora de excelência. Sim, é um livro com música, e várias vezes parei a leitura para ir ouvir cada uma delas 🎶

Recomendo vivamente. Eu gostei bastante✨

Aproveito ainda para dar os parabéns ao autor, por este excelente trabalho e por nos trazer uma protagonista tão honesta e corajosa.
Profile Image for Maria Saraiva de Menezes.
Author 23 books18 followers
June 16, 2025
E de pensar que corri o risco de não ler este livro... Fui à @feiradolivrodelisboa apresentar o meu livro de micro-contos e sentei-me ao lado do autor @rfigueira da “Cidália” @visgarolhoeditora A autora @lauravasquessousa disse-me a sinopse. Respondi logo: “Quero!”, afinal, quem não quer ler aventuras e desvarios sexuais de uma mulher de 50 anos?! Mas é muito mais do que isso, é profundidade, sensibilidade, boa literatura e vida absolutamente credível, rica, autêntica. Um narrador no feminino e na primeira pessoa, absolutamente genuíno. A mulher que está aqui, está em qualquer uma de nós sem artificialismos nem falseamentos. A linguagem é fluida e viva, a história é tão envolvente que cancelei os planos para sábado, só para ficar a ler, das 09:03 às 01:37.
“ A velha da catequese falava muito em pecado e nas tais ideias que temos de reprimir sob pena de sermos castigados nesta vida ou no Além, pensamentos e actos relacionados com o prazer da carne, mas isso para mim era apenas teoria. Até àquele dia na aula de ginástica, poucas semanas depois da minha primeira menstruação. Um dia, ao fazer exercícios na trave, apertei-a bem entre as pernas e percebi como aquilo era bom.
Era disso, então, que o estupor da velha falava. Comecei a descobrir o meu corpo e todos os prazeres secretos que ele me poderia proporcionar.”
“Como é feito o amor que esperou tanto? Como? Com a ânsia que se acumulou, criou camadas, sedimentou, solidificou, calcificou. Há o nervosismo de olhar o outro que foi tão idealizado e sonhado, que consegue sobrepor-se à felicidade do reencontro, mas faz esquecer a realidade mais cruel, que é a do envelhecimento dos corpos. Quando nos demos um ao outro, não pensámos nas peles caídas nem nas expressões marcadas pelas rugas. Não pensámos na falta da elasticidade e da flexibilidade da juventude. Apenas fizemos o que queríamos fazer um com o outro. Nervosos como quando éramos adolescentes. Desastrados, desajeitados, metemos os pés pelas mãos e as mãos pelos pés.”
“Acho que nunca me toquei tanto como nessas semanas.
Chegada a casa, fechava-me no quarto e tocava-me até não poder mais, até me arder o corpo todo…”
5 reviews
July 1, 2025
Cidália é uma mulher de liberdade, que gosta de sexo e assume, que fugiu das convenções de um meio pequeno e católico. Quase aos 70 anos, passa em revista a sua vida e a sua dedicação ao filho. A vida escolheu não realizar os sonhos que tinha para ele. Ele cometeu o irreparável e ela cumpre pena, mesmo não estando na cadeia. Mas também ela é prisioneira do seu corpo, que já não a segue.
Este livro faz pensar: qual é a nossa liberdade? A física ou a mental? Porque podemos estar confinados, presos em casa, numa cadeia e continuar a ser livres. Cidália é livre pouco importa as convenções, o lugar onde está. Só é prisioneira do amor que tem pelo filho! Mas isso é “ser mãe”!
Profile Image for Rafael Felizardo.
Author 2 books6 followers
January 21, 2026
“Cidália” tinha todos os ingredientes para se tornar um dos meus preferidos: uma personagem principal quase octogenária, cheia de sentido de humor, defensora do prazer feminino sem culpa nem pudor, e uma mãe que tenta fazer as pazes com o facto de o seu único filho, Rafael, estar preso.

Porém, algo me faltou. Senti uma certa apatia emocional ao longo do livro. No fundo, queria sentir aquilo que a Cidália partilhava com o leitor; todavia, houve uma falha de comunicação e a Cidália não me conseguiu mover como eu gostaria.

Em suma, um primeiro livro muito competente, apesar de, para mim, carecer de um trabalho emocional mais aprofundado.
Profile Image for Monica Mil-Homens.
583 reviews30 followers
June 9, 2025
Ler Cidália foi como embarcar numa montanha-russa emocional com a própria Cidália ao volante — e que personagem! 💥

Sem filtros, sem floreados, sem papas na língua. Aos 70 anos, Cidália é pura garra e desejo — continua a fumar o seu cigarrinho proibido e a falar de sexo com a mesma franqueza (e fome!) de quem tem 20. Mas entre risos e sarcasmos, há uma ternura crua: o amor incondicional pelo seu filho Rafael, preso sem previsão de liberdade.

A narrativa atravessa os tempos da pandemia e vai alternando entre o presente e as memórias de uma vida cheia: os amores, os parceiros, os altos e baixos — tudo contado com aquele humor ácido que nos desarma.

💬 Eu adorei esta leitura — é divertida, direta e surpreendentemente emotiva.
📚 E vocês? Ainda não leram Cidália? Estão à espera de quê — que vos caia uma Cidália no colo?
1 review1 follower
June 22, 2025
O ritmo e o desenvolvimento da história de Cidália são perfeitos, fazendo com que queiramos devorar o livro de uma só vez.

Cidália cresceu no Entroncamento e mudou-se para Lisboa ainda muito jovem. À beira dos 70 anos, a história da sua vida é narrada na primeira pessoa, com uma sensibilidade e dignidade comoventes.

Os amores, os encontros sexuais fortuitos, a amizade com a Cecília e, sobretudo, o amor de mãe pelo único filho que cumpre pena de prisão são o cerne desta narrativa que torna Cidália uma mulher profundamente humana e próxima de todos nós.
Profile Image for Dora Santos Marques.
962 reviews494 followers
September 9, 2025
A minha opinião em vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=vXG9I...

A Cidália tem 70 anos e partilha connosco, sem filtros, as suas memórias e a sua forma de ver o mundo. É uma “idosa maluca”, como gosto de chamar a estas personagens desempoeiradas, que fala do corpo, da idade, da sexualidade e da vida com uma frontalidade que ora nos diverte, ora nos choca.

O livro começa cheio de energia e irreverência, com momentos muito fortes e bem conseguidos. No entanto, a certa altura senti que a voz da Cidália se diluiu e houve passagens em que o discurso sobre a sexualidade não me soou totalmente convincente para uma mulher desta idade. Todas as passagens sobre a vida de Cidália acabaram por cortar algum ritmo.

Ainda assim, a escrita é fluida e envolvente, e a Cidália é uma personagem que se destaca pelo à-vontade com que encara temas que muitas vezes continuam a ser tabu. Gostei sobretudo da ousadia de pôr em cena uma mulher de 70 anos que vive e fala sem vergonha da sua vida e do seu corpo.

⭐ 3,5 estrelas. Um livro bem conseguido, com alguns excessos que podiam ser cortados, mas que abre espaço para uma representação feminina que ainda falta muito na literatura portuguesa.
Profile Image for Trocadoporlivros .
49 reviews3 followers
July 19, 2025
«Como é feito o amor que esperou tanto? Como? Com a ânsia que se acumulou, criou camadas, sedimentou, solidificou, calcificou. Há o nervosismo de olhar para o outro que foi tão idealizado e sonhado, que consegue sobrepor-se à felicidade do reencontro, mas faz esquecer a realidade mais cruel, que é a do envelhecimento dos corpos. Quando nos demos um ao outro, não pensámos nas peles caídas nem nas expressões marcadas pelas rugas. Não pensámos na falta da elasticidade e da flexibilidade da juventude. Apenas fizemos o que queríamos fazer um com o outro. Nervosos como quando éramos adolescentes. Desastrados, desajeitados, metemos os pés pelas mãos e as mãos pelos pés. Dissemos coisas que não deviam ser ditas. Mas rimos no fim. E foi tão bom.»

Este foi o meu primeiro Visgarolho, e que belíssima apresentação!😊 Não falará só de amor, esta janela literária, mas escolhi este excerto porque a Cidália o viveu toda a vida sem cautelas nem metades. Teve as suas prisões, outras, como todos nós, acho. Mas o amor viveu-o com coragem e isso, real ou imaginado, é lindo de se ver.

Trocado por livros.
Profile Image for Maria Cruz.
165 reviews5 followers
September 8, 2025
Dou 5 estrelas porque é um livro impecável. História que prende, uma maneira de contar que vai revelando aos poucos, tornando a leitura muito envolvente, sem "enrolanço" , na medida certa.
Comovente de certa maneira, mas sobretudo acho que ficamos amigas da Cidália. É uma bela companhia.
É admirável um homem escrever tão bem sobre uma mulher, me pergunto se ele se baseou em alguém que conhecia, e conhecia muito bem...
Bem, não importa, é um livro muito legal, uma ótima companhia.
Gostei mesmo muito.
Profile Image for A.M. Catarino.
Author 26 books28 followers
December 9, 2025
Li este livro como se montasse um puzzle, capítulo a capítulo, em que as peças tinham a forma, mas só ganhavam a imagem com a magia das palavras.

Foi assim que atravessei décadas, lado a lado, com a Cidália, descobrindo os seus amores, encantos e desencantos, prazeres e amarguras, até colocar a última peça e compreender, por fim, quem era esta mulher, tão habilmente narrada por um homem.

Uma vida não é apenas uma vida - é um universo: parabéns ao Ricardo por (re)criado a vida de tantas mulheres que ousaram ser elas próprias num país em que isso não era fácil.
Profile Image for Laura Vasques.
Author 11 books25 followers
July 17, 2025
A sinopse apresenta-nos uma mulher na casa dos 70 anos, sozinha, com um filho preso. Senti que podia ser a minha mãe (sendo elas da mesma geração). À medida que fui conhecendo as suas recordações, senti que aquela mulher de 40-50 anos podia ser eu e que aquela adolescente podia ter sido eu. A Cidália é tão real, que podíamos todas ser a Cidália.
Esta é uma leitura obrigatória, tanto para as mulheres como para os homens.
Profile Image for Alexandre Mendonça.
7 reviews
April 17, 2026
Os sentimentos de uma mulher ao longo da vida, pela mão de um autor (masculino).
Pena que falte alguma substância e definição nas personagens.
Profile Image for Sónia.
624 reviews56 followers
December 29, 2025
4,5 ⭐

Um livro escrito na primeira pessoa, como se fosse uma conversa com o filho de Cidália, Rafael, e que nos traz as recordações da sua vida, quando está prestes a fazer 70 anos.

Não posso dizer que seja um livro que se leia, porque é um livro que se devora, tal a forma como está bem escrito e como nos permite ver, naquela protagonista, tantas Cidálias que, eventualmente, conheceremos. Numa situação ou noutra até nos levará a uma espécie de identificação interior...

Gostei imenso desta protagonista, uma mulher com personalidade forte e que não tem pudor em assumir o seu lado feminino, tanto física como emocionalmente.
É uma mulher e mãe coragem, que nunca se vergou ao tradicional, pese embora a altura do País em que tenha sido jovem. Mulher atrevida, ousada, que assume o desejo e o prazer sem vergonhas, porém com regras, que não se prende a valores convencionais e/ou bafientos e que, apesar da evolução dos tempos, infelizmente ainda marcam o sexo feminino.

Muito bom!
Displaying 1 - 17 of 17 reviews