Num tempo em que a nação volta a estar no centro da política das grandes potências, a originalidade do nacionalismo defensivo e identitário da revolução portuguesa de 1383-1385 ganha nova actualidade.
Foi graças à vontade política de Nuno Álvares Pereira, ao seu génio militar e à sua integridade que os portugueses, na grande crise do século XIV, conseguiram derrotar as forças de D. João de Castela, contrariando a ordem internacional dinástica que os tornava súbditos de um rei estrangeiro.
Mas o que sabemos do «cavaleiro-monge» que foi motor e braço do movimento interclassista e protodemocrático que guardou a nação independente, preparando-a para o novo tempo português de navegação e expansão além-mar? Pode um santo ser guerreiro e um guerreiro ser santo?
Jaime Nogueira Pinto reconstitui o carácter e o percurso excepcional de Nun’Álvares, entre as intrigas da corrupta corte fernandina e o poder e a glória da Casa de Avis, nas horas difíceis da revolução de Lisboa e nas batalhas de Atoleiros Aljubarrota e Valverde.
Interpretando e integrando a História portuguesa na História europeia medieval, marcada pela Guerra dos Cem Anos, e a partir de uma releitura das fontes tradicionais, o autor transporta-nos para o tempo e para o lugar do pajem, do cavaleiro, do chefe militar e do homem de fé da Guerra da Independência.
JAIME NOGUEIRA PINTO é licenciado em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa e doutorado em Ciências Sociais pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica, onde lecciona cadeiras nas áreas das Ciências Políticas e das Relações Internacionais. Foi também professor na UCP e na Universidade Lusíada e conferencista no IDN, no IAEM, na Academia da Força Aérea e no Instituto Superior de Ensino Militar de Angola. É Presidente do Conselho de Administração da Fundação Luso-Africana para a Cultura e membro da direcção de várias associações ligadas à cooperação internacional na área euroamericana e do Mahgreb. É também membro de várias Fundações e Associações Políticas internacionais, como a Heritage Foundation (Washington DC) e o IEP. Publicou várias obras sobre História contemporânea portuguesa, (O Fim do Estado Novo e as Origens do 25 de Abril, A Direita e as Direitas, Introdução à Política). Foi administrador da Bertrand, S.A., director d’O Século e colaborador regular de orgãos da imprensa, rádio e televisão. Profissionalmente é administrador e accionista de empresas na área de business intelligence e aconselhamento estratégico, bem como de segurança privada.
Uma boa história de uma figura e de uma época importantes para a afirmação nacional. No entanto não se pode dizer que seja propriamente uma biografia já que o tom elogioso e pouco crítico mostra o deslumbre com uma figura mítica e não com o homem real. Apesar disso gostei bastante de saber mais sobre uma personagem que infelizmente pouco tem sido tratada quer pelos historiadores quer pelos romancistas.
Para um escuteiro, para alguém educado na Escola do Estado Novo, com tudo o que isso acarreta na formação do carácter e na representação mítica da identidade portuguesa, Nuno Álvares Pereira, será sempre o cavaleiro audaz, um príncipe valente da História e da Historiografia nacional. A imagem do Beato, do Santo, ou do nobre trazido para o serviço saudosista da monarquia portuguesa será sempre secundária e vive na memória saudosista de alguns. Um livro que se lê mas necessita de uma visão alargada de outras obras e de uma visão critica ausente de preconceitos. Como o próprio autor indica está foi uma espécie de obra encomendada para um momento concreto