Uma história completa contando o drama de um rapaz que descobre que a única forma de conseguir uma vida normal e feliz é matando o Libório. Um jovem politicamente correto e de bom coração. Exagero? Decisão precipitada? Aaaaah... Vocês não conheces o Libório.
Eu matei o Libório, de Orlandeli, é uma história divertidíssima sobre um sujeito -modelo, boa praça, bom filho, bom moço, e da inveja que desperta num seu antônimo.
O contraste não é apenas o que se destaca, mas sobretudo a atualidade do narrador, um tipo amargurado, cuja existência é norteada pelo azedume da comparação que o faz tragar o bom para o lugar nefasta de onde o observa.
O sujeito aproveitador, espertalhão, típico de uma classe média que faz de si uma imagem bem superior, mas que não suporta se ver superado por quem, de fato, revela boas qualidades.
Esse imbróglio de inveja, amargura, pequenez e maldade desemboca numa trama canhestra para executar a morte do bom Libório.
De modo sagaz, divertido, Orlandeli mostra como o lugar de vítima pode ser facilmente ocupado pelo algoz, quem culpa o outro pelo próprio fracasso, a ponto de nos questionarmos se o que realmente incomoda é o brilho de uns ou o fracasso retumbante do outro?