Este livro reúne reportagens, crónicas, alguns textos nunca publicados e 148 fotografias a cores, quase todas inéditas. Ao começar a organizá-lo fui em busca da revista com a última ida a Gaza. Tinha pensado talvez pô-la em anexo, já que o livro seria pós-7 de Outubro de 2023 e a reportagem era seis anos anterior. Mas quando a li, do título à última linha, parecia a véspera do 7 de Outubro. Nunca estivera online, não circulara. E dias depois achei na “nuvem” as 282 fotografias dessa última ida. Não podia ser um anexo. Então é assim que o livro abre, dentro de Gaza, onde os jornalistas do mundo estão impedidos de entrar desde 7 de Outubro: primeiro a reportagem, depois uma sequência de 37 imagens. Seguem-se os textos pós-7 de Outubro, sempre por ordem cronológica. A parte II — reportagens na Cisjordânia, em Jerusalém Oriental e em Israel — também fecha com imagens: uma série de 111 (de entre as mais de 4000 que fiz lá entre fins de 2023, início de 2024). Todas as fotografias estão legendadas no fim. Editei os textos para limpar repetições fastidiosas de contexto e coisas toscas de escrever em cima da actualidade, até ao limite em que o jornal tinha de ir para a gráfica. Acrescentei notas de rodapé com actualizações, referências, fontes. A data por cima dos títulos é a da publicação (no caso de um texto ter ficado online antes do papel, conta essa data). As origens dos textos estão indicadas. Há quatro mapas, o primeiro na Introdução, os restantes na parte II. A história que leva ao 7 de Outubro remonta ao século XIX. Escrevi sobre partes dela em três livros anteriores (Oriente Próximo; E a Noite Roda; Líbano, Labirinto). Todos os outros textos sobre Israel/Palestina desde 2002 continuam por compilar. Este é um livro pós-7 de Outubro, com a excepção dessa última ida a Gaza.
ALEXANDRA LUCAS COELHO nasceu em Dezembro de 1967. Estudou teatro no I.F.I.C.T. e licenciou-se em Ciências da Comunicação, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Trabalhou dez anos na rádio continuando ainda hoje a colaborar com a RDP. Desde 1998 é jornalista no Público. A partir de 2001 viajou várias vezes pelo Médio Oriente / Ásia Central e esteve seis meses em Jerusalém como correspondente. Foram-lhe atribuídos prémios de reportagem do Clube Português de Imprensa, Casa da Imprensa e o Grande Prémio Gazeta 2005. Mantém o blogue Atlântico-Sul, onde publica as suas crónicas que escreve para o Público.
Em 2007 publicou «Oriente Próximo» (Relógio D’Água), narrativas jornalísticas entre israelitas e palestinianos. Publicou mais quatro livros de reportagem-crónica-viagem: «Caderno Afegão» (2009), «Viva México» (2010), «Tahrir» (2011) e «Vai, Brasil» (2013). Em 2012 escreveu o seu primeiro romance, «E a Noite Roda», vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela APE 2012. Publicou, recentemente, «O Meu Amante de Domingo» (2014).
Leiam este livro, Alexandra Lucas Coelho escreve sobre aquilo que temos vindo a assistir mas também sobre o silêncio, a falta de ação, a forma como o que está a acontecer é o perpetuar do mesmo ódio que a Europa disse que jamais iria permitir, muitas máscaras caem, não estamos assim tão preocupados com a humanidade, já que ao que parece umas vidas valem mais do que outras, aliás alimentar o ódio beneficia muitos e ajuda a abalar organizações que julgávamos estruturais. Lamento que o mundo esteja entorpecido e perguntou-me o que será preciso para que acorde.
✍️ “Gaza Está em Toda a Parte”, da jornalista e escritora portuguesa Alexandra Lucas Coelho, é um livro essencial para todos aqueles que procuram e querem estar bem informados sobre os meandros do conflito Israelo-Palestiniano (antes e depois de 7 de outubro de 2023), e seu impacto contínuo e mundial nos panoramas geopolítico, social, histórico, cultural e identitário.
Organizado cronologicamente em quatro partes (incluindo a Introdução), “Gaza Está em Toda a Parte” reúne reportagens, crónicas, textos inéditos e mais de uma centena de fotografias a cores, todas elas legendadas, todas elas reais.
Pessoalmente foi um livro que muito me acrescentou na medida em que contribuiu e cumpriu uma urgência que me alimentava: a de conhecer e poder reflectir sobre o que continua a acontecer em Gaza, a par do porquê, do como e do para quê. Inclusivamente, numa era onde a desinformação (seja através da ocultação ou manipulação) compete com a informação propriamente dita, este livro chegou para pôr os pontos nos is, clarificando conceitos e dando voz a um povo dizimado pela tragédia.
Há passagens que, precisamente por terem tido lugar, me desassossegaram, envergonharam e indignaram. Outras que me fizeram questionar: Será que as pessoas mencionadas no livro ainda estão vivas? Onde estarão a esta hora? O que as move, apesar de tudo? Ou será antes por causa de tudo isto?
Sim, aconteceu e está a acontecer um dos capítulos mais negros, mais destituídos de honra, dignidade e humanidade, do século XXI. Sim, o silêncio, a indiferença, a brutalidade, a hipocrisia em torno daqueles que são os territórios palestinianos e o povo palestiniano estão a assinar os compêndios da História contemporânea.
Estando a liberdade e a democracia a regredir em tantos lugares, “Gaza Está em Toda a Parte” é um manifesto firme contra a alienação e desumanização globais. É um livro cuja leitura aconselho, dada a sua relevância e atualidade.
5⭐️ Daqueles livros que provocam reações viscerais. Uma visão informada, detalhada, humanista sobre os acontecimentos mais recentes no vergonhoso conflito Palestina-Israel e uma condenação veemente da ainda mais vergonhosa inação das frentes políticas Europeias face ao mesmo. A Alexandra escreve como quem fotografa, com detalhe e contexto, com agência e com ímpeto de mudança.
In this book the Portuguese journalist Alexandra Lucas Coelho, with a large experience in Middle East and Palestine/Israel topics, collects chronicles, news reports, previously unpublished texts and a large number of photos from her recent stay in Palestine (West Bank, Occupied Jerusalem) and Tel Aviv after the Palestinian attack of October 7, 2023; the book starts with a chronicle and photos of her visit to Gaza in 2017. At a time when the main news outlets seem accustomed to news of several tens of killed Palestinians every day, when governments of the supposedly European nations are incapable of imposing a single sanction to Israel to counter its genocidal war against the Palestinians in Gaza and its ongoing robbery and ethnic cleansing of large parts of the West Bank, this book is a cry of revolt and deeply felt outrage for what is going on for so long in Gaza, it is a testimony of a journalist’s intellectual honesty and deep compassion with a so often dehumanized people that has been dispossessed for more than a century and now is risking its very existence at the hands of a government of Israel populated by proud racists and self-professed jew supremacists (essentially what Yeshayahu Leibowitz described as Judeo-Nazis). Written in a clear style and fast pace, this book brings some clarity to the issues at stake and illustrate the daily struggle of a people under the military dictatorship exercised for more that half century by what the West likes to call "the only democracy in the Middle East". A book that should be compulsory reading to everyone.
Demorei vários dias a ler este livro pois tudo o que a Alexandra descreve é sentido mais forte por quem tem vindo a acompanhar a situação em Gaza e na Palestina desde muito antes do 7 de outubro. Encontrei me a fazer várias e longas pausas durante a leitura pois muitas das descrições são extremamente precisas e horríveis de imaginar. Mas, ao final do dia, é com o desconforto que a luta pela Palestina se faz pois, é impossível abraçarmos esta causa sem vermos a realidade de tantas as pessoas a morrerem à fome num gueto sem saída, sem vermos os animais esfomeados na rua a comerem restos mortais que vão encontrando por aí, sem vermos a esperança e resiliência que o povo palestiniano tem mesmo depois de longos e vários anos a serem alvos de ataques por Israel e pelo mundo, a serem, e como a escritora o afirma, vistos como untermenschen. Uma leitura extremamente educativa e importante não só para quem se interessa pelo tema mas que devia ser lida por todos, todos todos. Free Palestine.
“Desde 7 de Outubro nunca pareceu tão grande o fosso de gerações. O passado é pai e filho de Israel. O futuro é filho de Gaza. (…) esta é a geração mais perto da liberdade e mais longe da culpa.”
Possivelmente o melhor livro de Alexandra Lucas Coelho sobre o Médio Oriente, sem meias palavras para descrever a maior tragédia humanitária do nosso tempo, o massacre sistemático e planeado dos palestinianos por Israel.