É a velha história de uma obra cujo intuito parece muito interessante com um tema muito chamativo, mas que falha na hora H em ter uma escrita que permita compreender de forma clara o conteúdo. Parágrafos que ocupam páginas inteiras, frases entre travessões que se prolongam por um grande conjunto de linhas, e com pontos finais sempre a rarear... de facto, a atenção em compreender os conceitos é desviada para a compreensão textual. É que aqui não é o caso da escrita ser complexa, é mesmo ser má. O autor esqueceu-se de que uma coisa é pensar as temáticas mentalmente, outra é escrever uma obra que seja lida por um público mais ou menos entendido na matéria. Se a obra é relevante para o estudo da Antropologia em Portugal? Disso não haja dúvida, mas o leitor deve ter a plena noção de que lhe espera uma leitura no mínimo complicada, e para a qual terá que dispender paciência para lá do que devia ser razoável.