"Quero estragar tudo de uma vez para não ter a chance de perder o que eu amo aos poucos, sem que eu tenha escolha"
Eu conheci a Vitória através de "Wortal e o Viajante", e ali eu me apaixonei pela escrita dela. Então, é claro que eu iria ser fisgada por "Círculos não são infinitos" desde a primeira página.
No livro conhecemos Maeve, uma escritora que pensa e sente demais, e por isso está a beira de se divorciar de William, seu marido emocionalmente indisponível. Mas algo acontece que vai fazer Maeve repensar sua decisão.
Durante 195 páginas acompanhamos a restauração de um casamento através da cura de corações endurecidos. Maeve é intensa e incapaz de criar raízes, e isso vai mudando lentamente enquanto ela percebe que sempre houve uma Constante em sua vida - ainda que ela não percebesse ou sequer acreditasse.
Tudo, tudo nesse livro acabou comigo. Os personagens são críveis (embora seja evidente que o Liam foi escrito por uma mulher, e definitivamente não existiria fora da ficção rs); as dores são palpáveis; o ritmo e a escrita tornam o livro uma delícia de ler. Meu bônus pessoal é que Maeve e Liam casaram num 15 de maio, que nem Mondler e Peraltiago - mas isso é outra história.
O que mais amei foi que, a primeira vista, parece mais um romance qualquer, mas quando você presta atenção vê que os princípios do evangelho pingam discretamente das palavras. O amor, o perdão, o reconhecimento da própria falibilidade, o aprender a confiar... meu coração partiu e foi remendado muitas vezes durante a história.
Se eu fosse criticar algo seria a falta de uma transição mais clara entre uma Maeve que desconhecia Jesus e uma que O reconheceu instantaneamente. Mas mesmo isso pode ser debatido, por causa dos pequenos sinais durante a história, ou ainda que algumas experiências são tão transformadoras que todo o resto fica em secundo lugar.
Círculos virou um dos favoritos do ano. Agora preciso ler outro gênero, ou fico de ressaca literária.