As missões históricas dos povos nem sempre têm o mesmo esplendor. Há nações cujo papel na história é tão evidente que nunca ninguém pensou em duvidar dele. Mas há, também, outras nações, menos felizes, que cumpriram missões bastante ingratas sem que o mundo o soubesse. Podemos falar mesmo dum papel histórico, manifesto, como o dos antigos romanos, e dum papel histórico, imanifesto, como o dos seus descendentes na Dácia — os romenos.
Ignorada ou mal compreendida pelos outros, a vida dessas nações é, todavia, profundamente intensa. A sua história não é só trágica, é como que transfigurada, por assim dizer, por uma permanente presença divina. Estes povos não conhecem o repouso, a serenidade, a alegria de criar no tempo. Constantemente atacados, estão sempre a defender-se. A sua história é mais do que uma série de lutas pela independência ou pela honra; é uma guerra contínua, que dura séculos, pela vida, pela própria existência. Em cada uma das suas batalhas, arriscam tudo: o direito de viver, a sua religião, a sua língua, a sua cultura. A cada instante, Deus está com eles, porque podem, a cada momento, desaparecer de maneira total e definitiva.
Os romenos tiveram esse papel imanifesto na história europeia; conheceram o drama de viver cada instante como se fosse o último instante da sua vida. Povo de fronteira, suportaram as piores invasões bárbaras, durante o período da sua formação, e, uma vez organizado em Estado, teve de defrontar-se, século após século, com outra grande ameaça asiática: os turcos. Os historiadores modernos descobrem, em nossos dias, o drama dos romenos e dos outros povos do Sudoeste europeu, que sangraram continuamente, pelo espaço de cinco séculos, para impedir o colosso islâmico de penetrar no coração da Europa.
Romanian-born historian of religion, fiction writer, philosopher, professor at the University of Chicago, and one of the pre-eminent interpreters of world religion in the last century. Eliade was an intensely prolific author of fiction and non-fiction alike, publishing over 1,300 pieces over 60 years. He earned international fame with LE MYTHE DE L'ÉTERNAL RETOUR (1949, The Myth of the Eternal Return), an interpretation of religious symbols and imagery. Eliade was much interested in the world of the unconscious. The central theme in his novels was erotic love.
Booklet introducing and summarising the history and culture of "the eastern latins". From the Geto-dacians to the 20th century presenting a personal and psychological view which can only be enriching. His suggestions to further our perception of the "spirit" of the romenians are precious: Eminescu, Creanga, Sadoveanu or the stories from Master Monole, Miorita... To be read Written in a style which no longer is used (what is the mission of the Romanians in the world and which was it in Europe?) but exactly because of that very fluid and captivating.
Este livro é uma boa introdução à história e cultura romenas. A fluidez e clareza da escrita de Mircea Eliade contribuem em larga medida para uma ótima experiência de leitura. Lamento só a omissão no que diz respeito à história mais recente da Roménia e que o capítulo dedicado à cultura e vida espiritual romenas não tenha sido mais extenso.
Muito interessante, leitura fácil e rápida. Nota-se o interesse do autor pela questão religiosa e por uma identidade coletiva, de qualquer forma cumpre bem o objetivo. Gostei
Mircea Eliade não é um historiador mas consegue captar, o que aparenta ser, a essência do espírito romeno. Apesar do tamanho do livro conseguimos terminar a leitura perfeitamente convencidos sobre quem os romenos são e o que representam. Eliade, por vezes, evidencia traços de uma perspectiva parcial, dado que parece falar com desdém de bárbaros, turcos, todos os povos que não são parte ou do mundo ocidental ou do cristianismo. Dito isto, e devido à forma corrente, simples, informativa, preocupada com o leitor, com que Eliade nos escreve, não posso esperar por ler mais obras da sua autoria.
O livro encontra-se dividido em duas partes essenciais. a primeira que engloba dois terços do texto fala sobre a história do povo romeno. A segunda sobre a sua entidade cultural, em específico, a religião e arte romenas.
É um livro introdutório mesmo. Embora traga algumas informações interessantes, algumas coisas são incômodas: o tom de Mircea Eliade, ao falar das Cruzadas, parece ter sede de guerra ao abordar um dos eventos mais sangrentos da história (e não, não há nada de civilizatório nas Cruzadas), assim como transborda em sua tinta o senso de superioridade moral da Europa em relação aos povos árabes e asiáticos. Dito isso, perde a força a defesa que Alexandre Sugamosto faz do intelectual no prefácio porque, pelo tom e opiniões de Eliade (Vlad, the Impaler, "príncipe valoroso") dá pra imaginar o que ele tinha em comum com gente da estirpe de Julius Evola.