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Coisa de Rico: A Vida dos Endinheirados Brasileiros

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Um mergulho preciso e mordaz no mundo dos endinheirados brasileiros.

Há um traço comum a boa parte dos endinheirados eles não se consideram ricos. Não existe um critério absoluto para a riqueza no Brasil. Sempre haverá alguém com mais dinheiro, mais pompa, mais patrimônio, mais próximo do topo da pirâmide. Logo, os ricos são sempre os outros. 

Com base nessa constatação, o antropólogo Michel Alcoforado faz um mergulho no mundo das elites brasileiras e destrincha tipos facilmente reconhecí o casal emergente da Barra da Tijuca que vai a Miami comprar roupas de grife, a herdeira de uma família tradicional que leva uma vida longe dos holofotes na Suíça, o embaixador carioca inconformado que o Itamaraty não é o mesmo desde o aumento de vagas para a carreira diplomática. Capaz de traduzir um vasto repertório antropológico numa descrição analítica e cheia de humor, o autor traz para este livro a experiência acumulada de anos atuando como "antropólogo do luxo". Durante a pesquisa, ficou claro que, a partir de um certo patamar, aos ricos não interessa mais o tamanho da conta bancária, mas os códigos que precisam dominar para fazer parte das altas rodas.

Exibir grifes espalhafatosas faz sentido para os emergentes empenhados em ostentar a nova posição, mas é sinal de arrivismo aos olhos de um rico tradicional, que tende a optar por roupas discretas e só reconhecíveis por quem domina o mesmo repertório. O jogo de distinção está em toda a na escolha dos bairros para morar, na arquitetura e na decoração das casas, nos destinos de viagem, nos estudos e na linguagem. Coisa de rico examina as regras desse jogo. Com verve de comunicador tarimbado, Michel Alcoforado faz um diagnóstico mordaz e preciso das contradições da elite brasileira.

250 pages, Kindle Edition

Published August 8, 2025

583 people are currently reading
2522 people want to read

About the author

Michel Alcoforado

2 books23 followers
Antropólogo

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1 star
23 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 305 reviews
Profile Image for Samir Machado.
Author 34 books362 followers
September 9, 2025
Praticamente a temporada de White Lotus Brasil que nunca teremos. Como se fosse preciso algo mais para alimentar minha antipatia pela elite brasileira, dividida entre os de uma existência vazia e solipsista e os tomados por uma neurose consumista, a surpresa da leitura do livro está em perceber como essa nossa elite é realmente aquela caricatura de vilão rico de novela das oito, ou até pior (em vários momentos me peguei lembrando da biografia do Gilberto Braga, que retratou essa gente nas suas novelas e no final não estava exagerando tanto assim). Só a história da decisão salomônica sobre um par de peitos de silicone já valeu a leitura.
Profile Image for Fábio Fortkamp.
184 reviews6 followers
September 1, 2025
Não entendo o barulho que esse livro fez na podosfera brasileira e nas redes sociais.

A ideia é interessante e merece ser investigada. Muito se fala da desigualdade brasileira, e muito se fala das dificuldades dos ricos - mas pouco se estuda as facilidades dos ricos.

O valor do livro estar em mostrar a vida miserável das elites, numa eterna briga para se mostrar rico de verdade e mais rico que o vizinho. Não se vê pessoas aproveitando a vida, pois sempre há barcos a comprar e fazendas a administrar.

Mas, por trás dessa ideia interessante, está um livro bastante mal escrito. “Coisa de rico” é adaptado dos cadernos de campo do trabalho de doutorado de Michel Alcoforado, e se lê como um caderno. A escrita é confusa, com um vai e vem cronológico. No meio de uma narrativa, Michel para para analisar em profundidade o significado de uma palavra que algum rico falou, quebrando completamente o fluxo de leitura. A divisão de capítulos e partes também não faz sentido algum.

Uma pena. Queria aprender a ser mais chique.
Profile Image for Luisa Fedrizzi.
28 reviews13 followers
August 30, 2025
a pesquisa é muito boa, os grandes conceitos muito bem trazidos e construídos, a escrita é fluida e divertida - uma grande ideia de ter feito com tom de jornalismo literário ou quase livro reportagem, muito mais do que conteúdo acadêmico. mas confesso que o final me decepcionou um pouco. achei abrupto e solto, acabou cortando um pouco a vibe - como se tivesse sido encerrado meio às pressas.

de todo modo, recomendo muito a leitura pra quem quer entender melhor as dinâmicas da sociedade brasileira. porque, no fim das contas, entender os ricos do brasil é entender toda a mentalidade do que é aspiracional no país. e isso diz muito mais do que parece.
Profile Image for Renata Stuhlberger.
82 reviews9 followers
October 14, 2025
Confesso que me frustrei um pouco. O livro promete muito — e entrega algo mediano. Eu esperava encontrar um daqueles livros engraçadíssimos, cheios de tiradas inteligentes, como os antigos da Danusa Leão (que o autor, inclusive, cita). Mas encontrei um texto mais raso e com um tom excessivamente antropológico.

O conteúdo também não traz grandes novidades: fala sobre como o rico brasileiro se comporta, como o brasileiro sempre acha que o outro é mais rico do que ele, as diferenças entre os “novos” e “velhos” ricos e a ideia de que, para ser “rico de verdade”, é preciso dominar os códigos e símbolos desse meio.

Até aí, alguma grande revelação? Nenhuma.

Então por que o livro faz tanto sucesso?

Aí está a sacada mais genial do Michel Alcoforado: como ele mesmo escreve, o brasileiro é fascinado por tudo que envolve o universo dos ricos. E um livro chamado Coisa de Rico desperta exatamente essa curiosidade. Genial.

Meu pai sempre dizia: diferente de outros países latino-americanos, o Brasil nunca vai ser comunista — apesar do vai e vem de governos de esquerda — porque o brasileiro gosta dos ricos. Admira. Quer ser como eles.

Diferente de outros países da América Latina, onde o rico é odiado pelos pobres e a batalha social é mais acirrada, aqui o fascínio é maior do que o ressentimento.

E talvez seja exatamente isso que explique o sucesso de Coisa de Rico: Michel Alcoforado captou esse traço do brasileiro — e soube transformá-lo em fenômeno editorial.
Profile Image for João.
227 reviews51 followers
December 24, 2025
na voz da lady kate do zorra total: o quê que é? tô pagaaaaando
Profile Image for Isabela.
111 reviews4 followers
December 12, 2025
eu não consigo dizer que amei esse livro, não. acho o tema instigante, e a proposta de olhar pros ricos de um ponto de vista etnográfico é muito interessante. mas concordo com parte das críticas de quem, sem se encantar com a sucessão de anedotas, considera o livro superficial demais. os capítulos e conceitos são confusos, desorganizados, fica difícil entender o que motivou as escolhas da linha de raciocínio além do prazer de contar boas fofocas. se a ideia fosse só fazer crônicas e análises superficiais, era outra coisa - e válida, claro, tem livro pra todos os gostos. mas o livro é o resultado de um doutorado em antropologia, uma pesquisa de 15 anos... era pra ser mais redondo. mesmo com essas críticas, ainda acho que é uma leitura muito importante pros amantes de discussões políticas e sociais no Brasil. definir quem são os ricos e o que os define é uma questão muito legal, e importantíssima pra hora que a gente resolver trazer de volta a guilhotina.
Profile Image for Thaís Santos.
43 reviews1 follower
September 12, 2025
É um livro divertido. E, pra mim, conseguir fazer isso a partir de uma tese de doutorado é um primor!

Mas é também um livro ressentido, que se enverniza de científico com algumas citações e referências acadêmicas sobre algo que é uma percepção comum do imaginário brasileiro sobre os ricos. Tem de interessante sim seu argumento central de que a “coisa de rico” é na verdade a eterna batalha pelo pertencimento, que gera entretenimento e risada na leitura; mas diante da falta de conexão com o pensamento social brasileiro ou com leituras mais modernas sobre raça e colonialidade o livro fica raso.

E, frente às ciências sociais, Michel parece mais um charlatão enrustido, que beneficiaria o leitor e a si mesmo em trazer a psicanálise pra pensar porque um negro de classe média é obcecado pelas elites; do que querer nos fazer crer que há alguma separação entre o antropólogo de luxo e ele mesmo. O desejo está na falta”, resolveria o povo do divã.
Profile Image for Felipe Pontes.
40 reviews1 follower
September 8, 2025
O livro é conciso, escrito de forma bem humorada, mistura a parte técnica da área antropológica com a narração de diversas histórias sobre os absurdos vividos pela elite brasileira (formada por emergentes e tradicionais), totalmente dissociada da realidade de mais de 99% da população.

Mas senti falta exatamente na parte técnica. Explico:

Em várias partes cita-se o movimento compartilhado por boa parte de uma nação desesperada por levantar muros, estabelecer fronteiras e marcar posição a partir de objetos de consumo.

Tá, mas por quê? O que faz alguém querer ostentar esse estilo de vida, além da nossa necessidade gregária de pertencimento a um grupo? Por que esse grupo específico? Por que pessoas de classe média se acabam em dívidas para parecer emergente e consumir coisas que, numa primeira análise, são completamente supérfluas?

Vindo de um antropólogo, confesso que esperava explicações mais técnicas sobre a necessidade de se demarcar essa diferença, e mais ainda, porque essa demarcação acontece da forma como acontece no Brasil.

De qualquer forma, acho que vale a leitura, com o risco de se criar uma antipatia ainda maior por esse tipo de gente.
Profile Image for Manuela  sampaio.
75 reviews7 followers
September 27, 2025
A melhor descrição que li deste livro foi "um diário de compilado de fofocas ". Para algo que surgiu de uma tese de doutorado, achei raso como um pires.
O Michel conta anedotas das coisas de rico já de olho na classe média, principalmente progressista, que adora debochar de quem tem muito dinheiro, com uma certa superioridade moral.
Mas ter ou não muito dinheiro não é o que faz uma pessoa boa ou ruim, brega ou chique. Na minha humilde opinião, chique é tratar todos bem, independentemente das origens, saldo da conta bancária ou formação.
E ao debochar das pessoas que o acolheram em suas casas e suas vidas, o Michel demonstra que ele pode até ter adquirido algumas "coisas de rico" - mas que ele também está longe de ser chique.
Profile Image for Gabrielle Cunha.
437 reviews116 followers
November 19, 2025
Gostei, mas não amei. Achei que ficou confusa essa costura entre os conceitos antropológicos e as fofocas.
Profile Image for Bruna.
95 reviews20 followers
September 3, 2025
Acho que chega a ser um 4,75.

Eu amei a mistura de ciência com causo, com ar de The White Lotus barato, como tantos dizem.
Acho a temática interessantíssima e repleta de uma aurea de misterio proposital, que o autor explica muito bem o motivo.
A leitura eh fluida e facil e os conceitos bem explicados e equilibrados com as anetadotas.
Deixa um gosto de quero mais: profundidade, historias e entender mais do nosso pais e cultura, por si só e frente aos outros.
Profile Image for Ana M D Oliveira .
11 reviews7 followers
October 2, 2025
Mezzo tese de doutorado, mezzo fofoca da vida dos ricos. Achei que não cumpriu bem nenhum dos papéis.
Profile Image for J.
19 reviews
September 7, 2025
Confesso que a escrita é um pouco mais casual do que eu esperava, com ares de revista. O livro apresenta vários conceitos interessantes, mas sinto que ainda faltou um toque um pouco mais “científico” do que expositivo. Ainda assim é uma leitura divertida.
Profile Image for Letícia Oliveira.
13 reviews12 followers
January 11, 2026
THE boche. kkkk
senti raiva, senti pena, fiquei incrédula, ri bastante e me diverti em todas as páginas! 👏🏼👏🏼👏🏼
Profile Image for Camille Amorim Leite Ribeiro.
7 reviews
October 5, 2025
O livro começa de forma promissora, mas à medida que se desdobra, sobretudo considerando sua origem em uma tese, senti falta de maior rigor na apresentação metodológica. O autor parte da intenção de compreender os ultrarricos e herdeiros brasileiros, mas acaba incluindo diplomatas em sua análise, um grupo que, embora abastado, pertence à mesma categoria social? Afinal, se trata de funcionários públicos. Essa mudança de foco e a agregação automática entre perfis distintos enfraquecem a diferenciação que o autor parecia disposto a construir no início da obra. Nesse ponto, ele poderia ter explorado de forma mais consistente a relação entre a elite intelectual que pensa o Brasil e a elite econômica que o financia e influencia. Talvez esse desenvolvimento esteja presente na versão acadêmica original, mas, na adaptação para o livro, o leitor não encontra base suficiente para uma reflexão mais estruturada sobre o tema.

Há também exageros narrativos que comprometem a verossimilhança. Quando descreve Milagres, por exemplo, o autor menciona um “elevador de iates”, um detalhe curioso, porém improvável naquela região, marcada por recifes de corais e rios de baixa navegabilidade. Ressalto que posso estar equivocada, já que não transito nesse meio social, mas conheço o lugar e o relato me causou estranhamento. Em outro momento, o autor narra a chegada de um helicóptero com pessoas chegando de São Paulo ao litoral nordestino, algo que, do ponto de vista logístico, também soa fantasioso. É possível que tenha havido uma escala intermediária, mas, ao omitir esse tipo de detalhe, a narrativa gera ruído e perde credibilidade.

É possível que o autor tenha combinado histórias reais e elementos ficcionais para construir um retrato simbólico dessa elite, mas essa estratégia não é explicitada no livro. A ausência dessa mediação deixa o leitor em dúvida sobre onde termina a observação empírica e onde começa a imaginação literária.

Em suma, o deboche que o autor busca empregar como recurso estilístico carece de sustentação analítica. O resultado é um livro modesto: uma coletânea de anedotas sobre pessoas que abriram suas casas e, por extensão, suas vidas, apenas para se tornarem, em certa medida, alvo de ironia.
Profile Image for Ariane Lima.
12 reviews
December 29, 2025
Prolixo, escrita amadora e não dá pra entender muito bem pra onde o livro quer te levar. São realmente anotações de um caderno de estudos, escritos como tal.

Os causos são confusos de entender, mas até que dão um gostinho de white lotus no Brasil.
Profile Image for Luisa Marsiglio.
32 reviews9 followers
December 4, 2025
Não se propõe a ensaio complexo nem a livro teórico, mas a um relato despretensioso com pitadas de ciências sociais. E entrega exatamente isso. Não acho que faz juz ao hype, mas, neste caso, quem está errado é o hype.
Profile Image for natasha.
90 reviews8 followers
December 1, 2025
que livro interessante, né, meninas? a escrita envolvente facilita muito a leitura de um tema que, na minha concepção, não é fácil quando se é brasileiro. pensar a elite fazendo parte de uma das sociedades mais desiguais do mundo chega a doer. mas o michel tem uma comicidade que torna as coisas palatáveis, pois ele aproveita bem o absurdo que é a vida de um rico. para além disso, ele também descortina o quanto vivemos em dinâmicas extremamente coloniais até hoje. o racismo é nossa pior e mais gritante herança desse tempo, e, após a leitura, percebi que outras heranças também estão presentes.
Profile Image for Antonio Andrade.
21 reviews3 followers
August 30, 2025
É como se The White Lotus fosse gravado na Quinta da Baroneza ou na Barra da Tijuca: ao um só tempo profundamente constrangedor e fascinante ao ponto de não conseguir desviar os olhos. Simplesmente um luxo!
4 reviews1 follower
September 22, 2025
A collection of clichés about the nouveaux-riches, with the author's reasoning on the subject lacking any cohesion and at times devolving into stereotypes commonly used by the left to caricature Brazil's wealthy.
Profile Image for Adriana Matos.
58 reviews3 followers
December 31, 2025
Eu já imaginava que não ia gostar. Surpreendeu ao ser divertido - o que é um mérito enorme tendo saído de uma tese de doutorado. Mas, como eu esperava (como cientista social que já tinha visto algumas entrevistas e participações do autor em podcasts), é raso como um pires.

Provavelmente para o público amplo a diversão e as "fofocas" sejam suficientes para considerar o livro bom, mas justamente por ter vindo de uma tese de doutorado me surpreendeu a frouxidão no uso dos termos, a falta de definição de conceitos, as contradições entre um uso e outro de algumas palavras. O livro fica de maneira super rasa na distinção entre os novos ricos e os tradicionais - mas não aprofunda em possibilidades efetivas de marcação entre esses grupos, seja ela mais economicista, historiográfica ou sociológica. Apresenta alguns excessos anedóticos especialmente dos novos ricos como forma de provocar riso, algo típico na bolha universitária-esquerdista em que ele está inserido, mas que prejudica o próprio argumento do trabalho que ele propõe. Diferentemente de outros estudos sobre elites, o livro não consegue realmente destrinchar os marcadores e suas operações, fica mais preso novamente a anedotas (frequentemente autocentradas).

Elogio a capacidade de tornar uma tese algo divertido de ler e a esperteza do marketing em volta do título e do livro em si, capaz de provocar interesse geral das pessoas que foram ao livro esperando encontrar muito sobre as "coisas de rico" e a "vida dos endinheirados" - a curiosidade comum pela vida dos outros fez o trabalho de tornar o livro um fenômeno. Critico a falta de cuidado com termos e conceitos; o mau uso das referências (que acaba na maioria dos casos soando como um parente do fenômeno citado por ele: o tal do "name dropping" que usa nomes jogados na conversa como forma de validação do conteúdo e reforço de um pertencimento - aqui, acadêmico, intelectual); a forma da escrita que partiu de um caderno de campo e acabou, pra mim, soando autocentrada - que não consegue escrever sobre algo sem que seja sobre si mesmo em contato com o algo; e também, de alguma maneira se somando à falta de cuidado com termos, como acaba por citar possíveis marcadores de renda e patrimônio, mas sem fazer nenhum cruzamento com os dados do campo - pareceu só mais uma forma de caçar legitimidade pro texto.
Profile Image for Júlia Manzano.
9 reviews
January 12, 2026
2,5

Achei o livro divertido, e bem escrito (apesar de ter visto tantas críticas que contrariam esse último ponto).
Porém, se vende como o resultado de uma tese de doutorado, quando seria, no máximo, um perfil bem-humorado de alguns ricaços brasileiros em uma publicação de humor. Achei que faltou situar o papel dessa riqueza na desigualdade social brasileira, assim como uma melhor explicação conceitual (ao longo do livro todo) e uma maior sinceridade com o leitor sobre como aquelas fontes foram inseridas dentro do contexto da obra.
Profile Image for Victor.
84 reviews
Read
September 21, 2025
Muito interessante o trabalho do Michel. Ao mesmo tempo pretensioso e despretensioso. Acadêmico e literário. Pop e cult. Fofoca, galhofa e antropologia. Me parece um exercício bastante difícil de estilo. Aqui, quase sempre, bem executado. Um mergulho que escancara a abissal desigualdade brasileira pelo lado que costumamos crer menos problemático.

A tese principal do livro: em que, via de regra, não cultivam os gostos burgueses (como geralmente fazem seus pares europeus) e não podem ostentar a grana em si (como seus pares norte-americanos) os ricos brasileiro operam a diferença “por uso estratégico da capacidade imaginativa das coisas de rico, como se, na impossibilidade de falar das cifras, obrigassem todos a imaginá-las.” Ser rico é, antes de qualquer outra coisa, performar a riqueza. Sugeri-la.

Há aí uma cisão conhecida e fundamental. De um lado, quem tem berço. Isolados desde sempre. “Enfurnados em suas mansões, carros blindados, elevadores privativos, escolas de elite e restaurantes exclusivos”. Reconhecimento pelos pares. Exclusividade. Refinamento. O caimento do terno dos diplomatas. Desviar o traçado do metrô. Trabalho pela perpetuação das desigualdades. Do outro, os novos ricos. A race against the clock. Auto-afirmação. Vulgaridade. Mimese. “O postiço é a alegoria de uma vida no entre, instável, em constante mutação e múltiplas contestações. Ele persiste até todos acreditarem que a prótese, por estar ali há tanto tempo, já faz parte do corpo, do novo eu.”

Há alguns estratagemas. O ócio é vadiagem, não se vê distintivo no Brasil. Ser importante é ser ocupado. Mesmo se ocupado desocupado. O corpo como projeto. O tempo que transforma e legitima. As palavras e as coisas. “No Brasil, as coisas de rico não são só símbolos de status, mas têm um papel fundamental na operação da diferença, uma vez que compõem o padrão de vida. Essa categoria classificatória é fruto da união de dois sistemas essenciais à distinção: o das coisas e o do dinheiro.” Um padrão de vida confortável, nada mais. Sem grandes luxos. Não há supérfluo. Apenas o básico. Necessário. O que não precisa ser justificado. Aliás, rico é o outro.

Há uma ética que aí subjaz e me parece aplicar-se não só à categoria dos endinheirados brasileiros. O imperativo do padrão de vida confortável. Ancorado em boas fontes, Michel remonta ao século XVII: “o desfrute de uma vida com bem-estar, com certa informalidade e conforto era a chave do sucesso cotidiano. O apetite por gastar apenas para gastar e por criar em torno de si uma atmosfera de esplendor para obtenção de status ficou para trás. Dali em diante, interessava às elites ‘tornar a vida diária mais prazerosa e agradável. O conforto se tornara o grande luxo’”. Nesse sentido, nada mais natural. Nada que se possa reprovar. O avarento é transgressor. A boa vida é a vida confortável. “Com a disseminação da ideologia do conforto, só interessava o simples, mesmo que custasse caro. O básico suficiente para gozar dos prazeres cotidianos.”

Termino a leitura quase convencido de que, no fim, o rico de verdade é miserável e atormentado. “Numa sociedade hierárquica como a nossa, ser visto como detentor de um determinado padrão de vida é ter a possibilidade de ser englobado por um universo social e assumir uma posição privilegiada na operação da diferença. Sem isso, não existimos. No entanto, o padrão de vida é instável e perecível. Qualquer deslize coloca tudo em risco.”

Os abastados brasileiros são talvez a expressão máxima da ideia de que, ao ter as coisas, elas também nos tem. Ficar pobre é um medo mortal. A única coisa pior do que ser um novo rico é ser um novo pobre. Ou um trânsfugo de classe às avessas. “O impacto da mudança de um padrão de vida, tanto para cima quanto para baixo, é enorme na vida de qualquer um. Com o dinheiro se vão as coisas, depois os amigos e, junto deles, se vai parte de si. É duro.” Prisão autoimposta. A maior das prisões.

E assim seguem as coisas. A renda mal distribuída. As heranças pouco taxadas. E um ex-presidente da república assumiu nunca ter ido à cozinha buscar seu próprio copo d’água.
Profile Image for Vica.
6 reviews
December 27, 2025
esse michel se leva muito a sério… alguém quer um gole dessa mousse?
Profile Image for Natália Durães.
129 reviews1 follower
September 24, 2025
Eu gostei bastante, a leitura fluiu pra caramba, fiquei super curiosa em todas as histórias que o Michel contou no livro. Não dei 5 estrelas pq achei que o final faltou alguma coisa, não sei o quê.
Profile Image for Arllen Jorge.
33 reviews
October 14, 2025
Esse livro é CHIQUE! Hahaha

Brincadeiras a parte, recomendo bastante. Pelo título, sem conhecer o autor, acreditei que seria mais um livro de autoajuda ensinando o “”mindset”” para se tornar uma pessoa com dinheiro. Felizmente, engano meu!

A tese de estudar a desigualdade do Brasil pela ótima da riqueza e não somente pela da pobreza para entender como vivem os ricos, como operam as diferenças e quais os seus símbolos e códigos, me pegou.

A mistura de tese, metodologia, pesquisa e romance na escrita do livro tornaram a leitura divertida. Além disso, esse livro me ajudou a traçar paralelos para meu trabalho sobre como entrar e operar em grupos dos quais sou “estrangeiro”.
Profile Image for Esperança Almeida.
118 reviews8 followers
September 26, 2025
Caramba.... Que experiência. É muito bizarro ver que o absurdo é o comum nesse mundo distante das elites brasileiras. Ao mesmo tempo esse modo de vida escancara a fenda que é tão marcada no nosso país. A amarração das anedotas bizarras com a teoria antropológica é muito bem feita pelo autor e a leitura fluiu demais. Terminei com saudade e cheia de pensamentos...
Profile Image for Amanda Ariela.
87 reviews2 followers
November 2, 2025
Chega a ser triste ler isso aqui depois de ler um Lira Neto. Achei mal escrito, mal editado e mal revisado, com erros grosseiros de gramática, inclusive.

Retire as inúmeras pretendas citações que ele fez no texto e não tem qualquer análise inédita ou nova perspectiva, sobra apenas fofoca e rage bait. Dá para entender porque vendeu, mas é só.

Uma pena...
Displaying 1 - 30 of 305 reviews

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