Poeta, romancista, contista, ensaísta e tradutora, Cristina Peri Rossi (Montevidéu, 1941) é uma das principais escritoras de língua espanhola do nosso tempo. Com mais de quarenta livros publicados e traduzida para mais de vinte idiomas, recebeu diversos prêmios por sua obra, entre eles o Prêmio Cervantes, em 2021.
De um lirismo contundente, seu primeiro livro de poemas, Evoé , lançado em 1971, causou escândalo ao explorar o erotismo lésbico. No ano seguinte seus livros foram censurados e seu nome foi proibido nos meios de comunicação em seu país. Em outubro de 1972, às vésperas do golpe que implantaria a ditadura militar no Uruguai, fugiu para a Europa e exilou-se em Barcelona, onde vive até hoje. Consciente de que “O poeta não escreve sobre as coisas/ senão sobre o nome das coisas”, criou uma obra multifacetada, não dogmática, atravessada pelos temas do exílio, do desejo ― em suas múltiplas dimensões ― e por um anseio constante de transgredir toda ordem estabelecida pelo sistema patriarcal.
Nossa vingança é o amor reúne ― em edição bilíngue, com seleção e tradução de Ayelén Medail e Cide Piquet ― 150 poemas de seus dezoito livros de poesia, além do discurso da autora para o Prêmio Cervantes e de um posfácio assinado por Ayelén Medail.
“No sonho/ eu quis perguntar/ à bela gladiadora/ qual era o sentido do combate/ por que a luta/ qual era o troféu.// Sorriu e me disse:/ Luta-se/ apenas/ porque se vive.”
Uruguayan novelist, poet, and author of short stories.
Considered a leading light of the post-1960s period of prominence of the Latin-American novel, she has written more than 37 works. She was born in Montevideo, Uruguay but was exiled in 1972, and moved to Spain, where she became a citizen in 1975. As of 2005[update] she lives in Barcelona, where she continues to write fiction and works as a journalist. She studied at the University of the Republic.
Não conhecia nada sobre a Cristina, essa escritora uruguaia que durante a ditadura foi viver em Barcelona. Essa antologia foi super bem recomendada na minha bolha literária do Instagram. Fiquei apaixonada pelos poemas, pela sensibilidade (e humor).
absurdamente encantada. decidi passar janeiro com cristina peri rossi e se meu ano for tao intenso quanto sua poesia, eu ja sei que, para lidar, vou ter que me inclinar para o amor. cristina peri rossi escreve a vida em movimentos entre o doce e o amargo, entre as idas e vindas, entre a violencia e o amor. e sempre se mantendo fiel a sua mulher, a palavra.
Absurda! Peri Rossi, escorpiana como eu, certamente fazia análise com uma psicanalista lacaniana e isso me faz amá-la ainda mais. Tornou-se uma das minhas escritoras preferidas da vida.
Nas palavras da tradutora Ayelén Medail: “É o desejo também que move esta antologia: o desejo de apresentar às leitoras e aos leitores brasileiros uma poesia insubmissa, da qual ninguém sai ileso. Uma poesia que parte do feminismo, do homoerotismo, do exílio e de uma paixão obsessiva pela palavra para nos conectar com o mundo e com uma profunda e renovada vontade de viver.” Bem assim.
para que eu pudesse ler Cristina Peri Rossi, os portugueses e espanhóis tiveram de conquistar a América e dividí-la, e meus tataravós e bisavós precisaram fugir de Gênova em navios de carga, assim como os da poeta. para que eu pudesse ler Cristina Peri Rossi, dois pesquisadores precisaram traduzí-la muito tempo após ter sido publicada em espanhol, uma língua-irmã que vira e mexe é esnobada por aqui. que bom que temos quebrado o ciclo de afastamento.
ainda não consigo entender quem não gosta de poesia, mas suspeito que isso só se dê porque não leram Cristina Peri Rossi. alguns dos meus versos favoritos abaixo, só para me achar no meio das inúmeras marcações.
"[...] De acordo. A vida não tem sentido, mas, mesmo assim, me emociona.", em "Monólogo" (p.112)
"MEDO
As poucas vezes em que fui feliz senti um medo profundo como iria pagar a fatura?
Só os insensatos — ou os não nascidos — são felizes sem temor." (p.137)
"[...] o natural é o assombro o natural é a surpresa o natural é viver como recém-chegada ao mundo", em "Assombro" (p.167)
depois de amar a insubmissa, que achei por acaso no kindle unlimited, peguei esse pra ler e estou ainda mais apaixonada por cristina peri rossi. I love Cristina Peri Rossi!!!
São mesmo as Estratégias do desejo, palavra um pouco gasta no nosso atual vocabulário, mas que parece uma fonte de energia inesgotável em Peri Rossi. Belíssimo, e marquei tantos poemas ao dobrar a ponta das páginas em um triângulo, machucando o livro, devolvendo um pouco de como ele me marcou. Bravo! Meus cumprimentos aos tradutores, louvável e minucioso trabalho.
A arte em língua espanhola chega tardiamente ao Brasil, mesmo dos nossos vizinhos das nossas vizinhas, de quem viveu em exílio e repressão e tanto poderia hablar conosco. Cristina perigrossa Peri Rossi, volátil versátil voraz na nuances de amores proibidos e sabores improváveis. Que bom conhecê-la, mesmo que em antologia, a vingança sempre deve ser o amor.
um dos melhores livros que li na vida. tudo riscado marcado e sublinhado como deve ser com um bom livro de poesia. o que cristina peri rossi faz em seus poemas é o que eu sempre achei que a literatura deveria fazer.
é o que eu sempre achei que uma mulher precisava escrever, porque eu precisava ler.
Insubmissa e verdadeiramente devota às palavras, a obra de Cristina Peri Rossi atravessa mais de meio século de existência para se provar contemporânea, necessária e transgressora. Para ela, o amor é político. A sua própria existência enquanto mulher, exilada, perseguida e sempre ativista nos alerta do que realmente importa nessa vida. Seus poemas vão para além do amor e da política: tratam, ainda, da solidão, da doença, dos dias perdidos em hospitais, das lembranças e dos tempos que já não mais estão. Uma poetisa para ler e reler sempre. Que felicidade ver essa coletânea publicada no Brasil!
É um livro muito forte, de se ler com calma. Somente uma escritora mulher, latino-americana exilada e lésbica conseguiria escrever com tamanha audácia. Muito foda a profundidade que ela vai a partir das duas vivências. Uma poética muito arraigada na vivência. Não fica só nas dimensões subjetivas de maneira filosófica, é mais profundo: de forma visceral, vai de encontro às violências (que encontram na epiderme o primeiro momento de estranhamento).
“A vida brota por toda parte consanguínea ébria bacante exagerada em noites de paixões nebulosas mas havia uma fonte que gorgolejava languidamente e era difícil não sentir que a vida pode ser bela às vezes como uma pausa como uma trégua que a morte concede ao gozo.”
gostei de certas fases, mas não de todas. não questionando a escrita da cristina, apenas não me identifiquei com algumas coisas. mesmo diante de tanta poesia, não tive comoção
Para mim, a melhor surpresa do ano foi a descoberta da Cristina Peri Rossi. Tive a melhor experiência de leitura possível com A Insubmissa e, assim, a leitura da poesia era inevitável. Maravilhoso!
Apesar das oscilações de uma extensa coletânea de poesias, a Cristina Peri Rossi prova uma teoria que tenho: a de que a melhor literatura que existe foi escrita por exilados sul-americanos em Barcelona.
Se eu fosse fazer uma categorização desses poemas, diria que se dividem em dois tipos: alguns mais líricos, eróticos e românticos, dos quais gostei só um pouco; e outros mais curtos, irônicos e mordazes, meus favoritos. A junção dessas duas categorias (que talvez só existam na minha cabeça) forma os melhores poemas do livro, tipo o "Considerando" (p. 157):
Tendo em conta e considerando o progressivo degelo dos mares o efeito estufa a extinção veloz das espécies a fome feroz na África e a Aids as guerras religiosas no Oriente as milhares de mulheres assassinadas pelos homens que lhes são mais próximos a progressão do câncer a infibulação das meninas o aumento do preço do petróleo o turismo sexual na Tailândia as múltiplas torturas impunes o numeroso grupo de ditaduros e ditabrandos o tráfico de armas o tráfico de órgãos o tráfico de mulheres as chacinas os genocídios os estupros e os acidentes automobilísticos
o fato de que você e eu já não fazemos amor é simplesmente irrelevante.