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Degola

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Em Degola, Monique Malcher encontra a justa medida entre a ternura e a violência para contar a história de Sol, cuja infância numa ocupação de terra em Manaus traz memórias que evidenciam a diferença entre o sofrimento intrínseco à condição humana e aquele erigido no barro da injustiça social.

A Zona Franca de Manaus atraiu para o Amazonas milhares de migrantes em busca de uma vida melhor. Era símbolo do progresso. Sem recursos, a família de Sol, protagonista de Degola, vai morar em uma ocupação. Quando chovia, tudo virava barro, e era com ele que Sol modelava pequenas criaturas que depois esmagava. Era gostoso destruir o que ela mesma havia criado. As galinhas ficavam em redor dela, estranhando a menina, temerosas. Aquele lugar tinha mesmo fama de perigoso. A vida de todos e de tudo – humanos, animais, plantas, solo, água e ar – era violentada.

Já adulta, Sol sabia que precisava desfazer, ao menos em parte, o que dela foi feito quando criança. Aprender a nadar se torna o caminho para essa transformação. Um rito de passagem, que a autora descreve com beleza e originalidade magníficas.

Degola é um delicado exercício de imaginação e de linguagem. A precisão e a incisividade da poesia se combinam com a complexidade narrativa do romance. O resultado é um pequeno milagre da escrita.

"Um mergulho na dor de tudo que é interrompido, de todas as coisas que poderiam vir a ser. Degola é um contato íntimo com a poética impiedosa de Monique Malcher, que escreve um país parte inerme, parte culpado por fatiar suas terras e pessoas. Com essa obra, a literatura brasileira se torna mais autêntica, mais honesta. E muito mais bela." — Jarid Arraes

"Degola tem a força das cicatrizes, das memórias que insistem em construir a vida ao redor de uma marca na alma. Monique Malcher escreve com a maestria e a voracidade de quem sabe e tem muito para contar, sem acanhamentos." — Dira Paes

142 pages, Kindle Edition

First published July 29, 2025

8 people are currently reading
136 people want to read

About the author

Monique Malcher

4 books22 followers
Monique Malcher é escritora, jornalista e artista plástica nascida em Santarém, oeste do Pará. Mestre em Antropologia (UFPA) e Doutora Interdisciplinar em Ciências Humanas na área de estudos de gênero (UFSC). Hoje reside em São Paulo. Seu primeiro livro “Flor de gume” (editora Moinhos) foi ganhador do Prêmio Jabuti de Literatura em 2021 na categoria contos. A escritora é a segunda mulher do norte a ganhar um Jabuti no eixo literatura. Flor de gume também será publicado em breve com o título “Flor de filo” pela Fundo de Cultura Economica, no México. Seu primeiro romance se chama “Degola” (2025) e está sendo lançado pela Companhia das Letras.

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Community Reviews

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3 (5%)
1 star
1 (1%)
Displaying 1 - 18 of 18 reviews
Profile Image for Eric Novello.
Author 67 books568 followers
Read
August 4, 2025
Livrão. Te desarma com a prosa poética e a história narrada com um olhar infantil retroativo da personagem já adulta e no final te deixa destruído. Gira em torno de uma família que vai morar numa ocupação em Manaus e precisa lidar com as violências políticas do nosso país. A protagonista é a criança dessa família, que desde cedo precisa lidar com o luto e com a ruptura que a perda de um irmão causa no comportamento do seu pai e da sua mãe. A Monique usa essa base para ir trançando diversos tipos de violência: violência contra animais, grileiros, políticos manipuladores, pais e mães que não estendem seu afeto aos filhos, descaso do governo que não oferece condições básicas de vida à população, a violência praticada contra nós mesmos carregando as culpas que nos imputam. Tudo costurado de maneira fluida, de um jeito que faz parecer fácil ter um eixo tão firme para uma história tão complexa. Vou ficar surpreso se não rapar alguns prêmios ano que vem.

Separei dois trechos correlacionados do terço final.


"Não se morre instantaneamente, os olhos ainda giram buscando conforto.
Deixaram a cabeça ao lado do corpo.
Entraram num carro estacionado lá perto e foram embora."
(...)
"A gente sempre soube por que ele morreu. Quando abandonou a ideia de ser líder comunitário, ele se transformou em um. Quando um homem se vê parte de um movimento, ele se torna um empecilho para que outros consigam o domínio. Não existem heróis por essas bandas, todos são assassinados".
Profile Image for Gabrielle Cunha.
434 reviews117 followers
September 30, 2025
Amei. Muito. Em poucas páginas a Monique consegue tocar em temas dolorosos de uma forma tão sensível. A solidão dessa criança, a Sol, que desde cedo teve que conviver com a culpa/o luto enquanto tudo ao seu redor era caos.

O tema da migração e das ocupações no norte brasileiro é muito forte. Me fez pesquisar sobre o assunto e pensar muito sobre a questão das moradias, dos assentamentos, enfim. Recomendo muito!
Profile Image for Andre Aguiar.
478 reviews118 followers
Read
July 5, 2025
respiro fundo, sobreponho as mãos, meus braços viram uma flecha, me lanço sem medo para a ficção que é uma piscina. preciso tentar nadar. posso voar antes de morrer.
Profile Image for Thaise.
46 reviews5 followers
October 1, 2025


Esse livro doeu.

“Liberdade é pertencer, e não pertenço a lugar algum, muito menos ao meu coração.”

Um livro triste, dolorido e ao mesmo tempo bonito. Fala de solidão, luto, culpa, violência, maternidade, religiosidade, das ocupações em Manaus, da injustiça social…

“O passado é referência de um lugar onde nunca mais quero estar.”

É uma leitura pesada, que toca em partes para as quais você nunca está preparada. Mas é necessária. E real. Infelizmente.

“O que ela me dá fala sobre o que ela tem.”

Li para a leitura coletiva do @nossolivrismo, e ouvir a Monique compartilhar o processo de escrita fez com que eu admirasse e me conectasse ainda mais com essa história.

“Em algum momento da vida eu estaria presente depois de todas as minhas ausências.”

Leiam. Esse livro merece ser lido.
Profile Image for Matheus.
49 reviews4 followers
November 9, 2025
Um livro interessante para entender melhor sobre a realidade das ocupações, um destino de muitos brasileiros.
Gostei da história e do seu desenrolar, as personagens são poucas, fácil de seguir.
No meio do texto há uma parte em poesia, não me chamou atenção e por mim poderia ser suprimida.
Profile Image for Eduardo Leite.
Author 2 books65 followers
September 4, 2025
livro bom é livro que te faz passar vergonha chorando em público e degola foi tudo isso, mas também foi muito além. mexeu demais comigo.
Profile Image for Thaís Santos.
43 reviews1 follower
September 30, 2025
Que grata surpresa! Um livro profundamente triste e igualmente necessário.
Profile Image for Natasha Canovas.
5 reviews
January 7, 2026
Maravilhoso, poético e duríssimo. Nos transporta para a vida difícil dos assentamentos e ocupações manauaras através do olhar de uma mulher para a sua infância. Lágrimas e lágrimas rolaram no final.
Profile Image for Tainá.
76 reviews
December 10, 2025
Achei que o livro fica melhor da metade para o final. Antes disso, o lirismo pode ficar chatinho em alguns momentos. História boa, mas pouco explorada. A preciosidade fica por conta do estilo da autora.

“As roupas que secam dentro das máquinas batem nas paredes de aço, por isso sabem muito sobre a mecânica da escuridão e das palavras frias. Diferentemente das roupas daqueles dias na ocupação, que brincavam de onda e liberdade recém-nascida. As roupas de um varal não reparam em pregadores ou em suas orelhas penduradas no emaranhamento de duas cordas. Sempre é possível se movimentar sem perder a referência. As estacas trazem violência e ao mesmo tempo dão espaço para a leveza, é disto a matéria de um varal: brutalidade e ma-leabilidade. As mesmas cordas e estacas em outro momento também findam a vida de qualquer um, e isso me paralisa diante de qualquer varal até hoje. Às vezes eu ia visitar Irmã Eliana e a gente ficava conversando enquanto ela estendia roupas e lençóis. Na minha casa as coisas tinham cheiro cítrico, na casa dela eram a lavanda e o cheiro da pupunha quentinha que compunham o cartão de visitas. Gostava de tocar os lençóis úmidos como se toca um rosto recuperado do choro. la tateando e falando sobre o que as galinhas fizeram no dia ou o que aprendi na escola. As coisas macias ainda tinham espaço no meu sentir.”

Profile Image for Thuany.
2 reviews
January 9, 2026
Cru. Confuso. Real. São inúmeros adjetivos que eu poderia utilizar para descrever essa obra tão complexa e ao mesmo tempo próxima de nossa realidade como cidadão, tratando-se dos nossos direitos como seres humanos para ter uma vida digna e saudável, como por exemplo o saneamento básico, direito este fundamental para termos um chão para pisar, como diria Monique Malcher. Trata-se de um livro um tanto pessoal, eu diria, pois a autora já vivenciou a mesma realidade da personagem principal do livro, Sol, que encara desde cedo como funciona o mundo para àqueles que não existem sob a ótica governante daquela região. Na verdade, sob a ótica governamental em geral, pois àqueles que vivem abaixo da linha da pobreza por sua vez não têm vez. O livro, na minha perspectiva, segue uma linha entre presente e passado onde a personagem Sol narra sua trajetória na década de 90 até os dias atuais, incluindo a relação com Joana, sua mãe. O livro nos mostra como é possível certos acontecimentos de nossa infância perpetuarem por anos até nos tornarmos adultos, que é o caso da personagem Sol, onde o perdão não existe entre as duas personagens do livro, mesmo que Sol faça um esforço para compreender Joana diante do cenário que as duas se encontram.
Profile Image for Gira Trinco.
11 reviews
Read
January 9, 2026
Sol é uma personagem cujos limites, cujas margens, membranas, bordas foram rompidas repetidamente ao longo da infância. E ela entende isso, e quer, apesar da dificuldade, aprender a se impor mais, a se pertencer. Parte do processo é contar essa história. Como não se tocar com esse relato, como não ficar impactado? Não sei, mas me aconteceu, infelizmente. O livro me pareceu truncado; eu o achava bonito, mas não conseguia captar bem a história. Senti que ele colocava nuances onde eu não as queria, e que deixava de se aprofundar nos lugares mais interessantes. Me questiono se foi o momento da leitura, mas também não me vem um grande desejo de relê-lo; só sei que foi assim. Caso queria ver minha resenha em vídeo sobre o livro, fica o convite pra você conferir meu canal literário no Youtube, Gira Trinco :) https://www.youtube.com/watch?v=rUBcX...
Profile Image for Bruna Eliseu.
25 reviews
January 13, 2026
Em Degola Monique Malcher constrói uma atmosfera densa e sufocante, especialmente ao retratar a experiência feminina na periferia.No entanto, a força temática nem sempre vem acompanhada de profundidade narrativa, e alguns contos parecem mais esboços do que histórias plenamente desenvolvidas. Há momentos de grande potência simbólica, mas também repetições de tom e estrutura que enfraquecem o conjunto. Ainda assim, o livro cumpre bem o papel de provocar e inquietar.
Profile Image for Luana Suzina.
36 reviews1 follower
October 20, 2025
Monique nos fazer ver o impacto de mudar em busca "de uma vida melhor" nos olhos de uma menina que ainda pequena já está marcada por traumas. um bastidor duro de famílias inteiras que migram com sonhos e encontram uma realidade bruta, marcada por heróis com data de validade marcada. Intenso, poético, marcante.
Profile Image for Lucas Mendes.
370 reviews5 followers
December 17, 2025
remonta um passado sombrio mas ao mesmo tempo dolorosamente vivo das lutas sociais e dos movimentos de ocupação dos anos 90 em uma ótima recriação histórica, mas onde minha conterrânea paraense monique malcher acerta mesmo é nos ganchos emocionais que nunca deixam de bater com força. ótimo.
Profile Image for Nat Antonucci.
10 reviews
December 18, 2025
Encontrei tanta coisa de mim nesse livro que li entrando num quarto parecido com o meu.
Cada palavra tem som, peso, gosto, tanto que quase não descia na garganta.
Profile Image for ju motter.
126 reviews17 followers
December 23, 2025
Que livro! Eu levei mais páginas do que imaginei pra me acostumar com o estilo da escrita de Monique Malcher, mas depois que entendi que não adiantaria buscar por linearidade, não consegui parar de ler. O livro faz algo raro: tratar da questão do direito à moradia num país como o Brasil, que tem um déficit habitacional monstruoso. Ainda faz isso brilhantemente, através do olhar de uma narradora infantil (mesmo que a encontremos também adulta, acho que ela preserva essa simplicidade da infância) e no Norte de nosso país, frequentemente esquecido. Uma história incrível em toda a sua dor e complexidade. A escrita de Monique só coroa essa obra, nos fazendo deitar e chorar enrolados naquele mesmo ladrilho.
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