Acabada de sair de uma relação intensa que cria definitiva, a narradora conhece no mesmo dia o homem que veio revigorar um amor profundo, completo, rosto final de uma busca incessante. Ela vive em Lisboa, ele em Londres. De permeio, a espaços entrecortados no tempo, encontram-se sob a luz resplandecente do céu da capital, e aqui vivem os dias, as noites, o olhar, a pele, a intensíssima e dolorosa viagem ao seu reino mais íntimo. Um dia, inesperada, a ruptura. Ele parte para Londres. Então, ela escreve uma longa e vívida carta de amor, um solilóquio raiado pela esperança e pela inconformidade, relembrando o que persiste nos veios da memória, para que, ao crepúsculo, o sentimento não desvaneça. Não se concebe que, amando, não se prefira a razão do amor, do gozo dos olhos, do cheiro, do coração.
«Quando se ama alguém, tem-se sempre tempo para essa pessoa. E se ela não vem ter connosco, nós esperamos. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. A vida transforma-se numa estação de comboios e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar. O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo, a organizar tudo para que seja possível. É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que esquecer. É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver.»
UMA CARTA DE AMOR APAIXONADA E COMOVENTE, QUE ENSINA OS HOMENS A ACREDITAR NO AMOR DAS MULHERES.
Margarida Rebelo Pinto licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Universidade Clássica de Lisboa e iniciou a actividade de jornalista em várias publicações como: O Independente, Se7e, Marie Claire e Diário de Notícias. Enquanto escritora, escreveu seis romances, quatro livros de crónicas, um livro para crianças e uma biografia.
O seu primeiro livro, Sei lá, publicado em 1999, foi um dos maiores sucessos de vendas em Portugal, atingindo números de vendas pouco usuais para o país. Mais tarde, com os seus títulos seguintes, rapidamente alcançou um êxito similar. Actualmente, as suas obras encontram-se traduzidas na Espanha, Brasil, Países Baixos, Bélgica, Alemanha e Lituânia.
Paralelamente à escrita, Margarida dedicou-se também ao cinema, sendo a autora do telefilme da SIC Um Passeio no Parque e, mais recentemente, às peças de teatro.
Há muito que não lia Margarida Rebelo Pinto e voltar a um lugar que em adolescente não compreendi surtiu aquele efeito de crescimento e mudança. As minhas lembranças das obras da Margarida estavam com a presença de personagens onde encontrava a própria autora e algumas pessoas conhecidas do nosso apelidado jet-set, associando sempre cada personagem a alguém, pelos maneirismos, formas de falar e as tendências da moda que seguiam e mesmo dos lugares que frequentavam. Ler agora o Diário da Tua Ausência, mais de duas décadas após o seu lançamento, foi ter uma percepção completamente diferente das ideias que tinha bem definidas de toda a obra lançada da Margarida. Neste livro a saudade e a ausência são os pontos fortes traduzidos pela dor de uma mulher que espera pela companhia do seu parceiro que tarda em chegar por ter outros objetivos em vigor na sua vida. Neste romance é o sofrimento pessoal e silencioso que se debate, recordando o que existiu e se quer ter ainda mas que por circunstâncias e escolhas do outro, acaba por não ser mais possível. Diário da Tua Ausência é amor, esperança e ilusão perante o que podia acontecer se um só coordenasse os sentimentos e vontades de dois seres que estão distantes em termos territoriais e também com diferentes perspectivas perante o que cada um significa para o outro.
Li este livro já faz muitos anos, talvez quase 20! Hoje reli e percebi a diferença que 20 anos fazem numa pessoa!
Existem livros que são lembretes que a vida nos transforma e nos faz crescer. Se aos 20 e tal não compreendi esta ausência de coração meio vazio meio cheio aos 40 e meio já reconheço a dor, o aperto e as dúvidas. Se numa altura achamos que a saudade é a falta física, mais tarde percebemos que podemos sentir saudades mesmo que essa pessoa continuo com a mesma presença nas nossas vidas. Por vezes é ausência do que tivemos e do que fomos noutra altura que temos saudades! A vida atropela nos e tudo transforma para outra versão!
É disso que trata este livro, a ruptura e ausência, mas acima de tudo o amor!
Uma carta emotiva e melancólica escrita após ele ter voltado para Londres e ela ter ficado em Lisboa. Uma carta que lhe vai contanto todas as dúvidas, anseios, sonhos. Mas não falta o crepúsculo que lhe assola as boas memórias. Ela sonha que um dia voltarão a ser o que eram. Talvez ele já tenha seguido a sua vida e ela tenha permanecido na ilusão.
Mais alguém já conheceu este sentimento de se sentir presa ao amor de alguém mesmo na sua ausência?
“É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver.” Este livro é uma carta de amor que é, ao mesmo tempo, lamento e esperança. Em Diário da Tua Ausência, Margarida Rebelo Pinto oferece-nos um relato intimista e dolorosamente belo sobre amor, distância e a inevitável transformação dos sentimentos com o passar do tempo. A narradora, recém-saída de uma relação intensa, conhece um homem que parece ser a resposta a uma busca amorosa de toda a vida. Ela vive em Lisboa, ele em Londres. Entre encontros fugazes na capital, entregam-se à paixão e à descoberta mútua, até que, inesperadamente, ele parte. O que fica é uma longa carta, escrita entre a esperança e a inconformidade, onde ela revisita memórias e expõe medos, desejos e sonhos. Este é um romance sobre a saudade, não apenas da presença física, mas também daquilo que fomos e vivemos com alguém. É sobre o vazio que fica quando as vontades não se alinham, mesmo que o amor exista. É sobre a espera, essa espécie de estação onde o vento anuncia chegadas que talvez nunca aconteçam. Ler Margarida Rebelo Pinto, para mim, é sempre uma viagem emocional. Descobri-a na adolescência e, embora na altura não tivesse maturidade para compreender plenamente as suas histórias, regressar aos seus livros agora, décadas depois, é reconhecer dores e dúvidas que antes me eram alheias. Aos 20, acreditamos que a saudade é apenas ausência física, com mais idade, percebemos que também podemos sentir falta do que já fomos. Diário da Tua Ausência é sobre ruptura e perda, mas sobretudo sobre amor, o amor que resiste na memória e habita no nosso coração, mesmo quando a realidade já seguiu outro caminho. Uma leitura melancólica, íntima e profundamente humana.