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Exemplary Humans

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De uma das mais originais autoras contemporâneas brasileiras, um romance sobre família e amor, sobre envelhecer e o tempo das ausências e da memória.

Natalia é uma mulher velha, muito velha, que passa os dias reclusa em seu apartamento à espera de telefonemas da filha que mora em outro país. Viúva e última sobrevivente de um grande grupo de amigos, ela carrega os seus queridos humanos como um buquê íntimo de desaparecidos, companhias invisíveis que povoam a casa a partir de suas memórias. Vicente, companheiro de Natalia, era professor de geografia e foi perseguido pela ditadura. Sarah, sua melhor amiga, era uma mulher de temperamento impossível e dona de uma loja de biscoitos. Jorge, um morador de rua, lia cartas prevendo o futuro e recebia doses de Campari em troca.
Natalia vive a solidão passeando entre a janela da sala e a mesa da cozinha, às vezes preparando torradas com geleia que a transportam para cenários vívidos em torno dos quais a vida acontecia. Ela sabe que existe mais novidade no que passou do que no presente — e que, portanto, cultivar aquilo que ficou para trás é uma forma de se mover, ainda que parada.
Com simplicidade e uma linguagem singular, Juliana Leite monta uma coleção de sujeitos comuns que, a partir do amor, das relações familiares e da amizade, de dores e equívocos, compõem um mosaico poderoso e delicado, num romance de rara sensibilidade.

"Abri este livro e não consegui fechá-lo até chegar à última linha com o fôlego curto. Humanos exemplares é uma narrativa hipnótica. Ao fundo, os tempos de chumbo da ditadura. No fundo, o deslizar cotidiano de vidas cujas histórias temem não serem contadas. Um mergulho em gestos repetidos, personagens radicalmente comuns, sentimentos que se desconcertam numa fluidez que só o talento e um domínio total dos instrumentos da escrita permitem." — Heloísa Buarque de Hollanda

"Juliana Leite escreve sobre a velhice e a morte, com a alegria de uma menina descobrindo a vida. Humanos exemplares fala dos dias perigosos e incompreensíveis que atravessamos em conjunto; fala de reclusão, de sombra, e da confusa gestão do amor entre pais e filhos, sem jamais perder a luz, a lucidez e o bom humor." — José Eduardo Agualusa

315 pages, Paperback

Expected publication April 21, 2026

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Juliana Leite

31 books7 followers

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17 (4%)
1 star
5 (1%)
Displaying 1 - 30 of 63 reviews
Profile Image for Luciana.
516 reviews160 followers
August 12, 2022
Se há um livro que narra bem e de maneira divertida e cuidadosa a solidão, a velhice e a morte, ele certamente é esse aqui.

Não há absolutamente nada que eu não tenha gostado; com uma temática aparentemente comum, envolto em memórias e cotidiano de uma idosa que vive enclausurada em um apartamento no Rio de Janeiro, com uma filha que mora em outro lado do oceano, Natália é a pequena parte ainda existente dos tempos perigosos que varreram o país na década de 60 e é ela que, como sobrevivente, conta a nós seu presente recheado de passado.

Com um enredo voltado à vida familiar e profissional, Juliana Leite conta a nós a vida da idosa e ex-professora, Natália, que a cada página rememora e discorre acerca do passado vivenciado, das perdas e dos amigos que com o passar dos anos deixaram de ligar, uns porque foram embora sem avisar, outros porque os esconderijos não foram suficientes para aplacar a terrível repressão e violência advinda da ditadura; em meio a viagens à praia, a descobertas sexuais, ao enfrentamento da doença, a escritora compõe um balanço do que é a vida, daqueles que fecham os olhos e não vigiando, "não se incomodam com a linha reta eterna e dormem como se o avião não corresse o risco de ir parar lá do outro lado de fora da Terra, toda vida no embalo" até àqueles que mesmo acordados deixaram de tomar precauções e a vida os pegou de surpresa, sem aviso.

É, por isso mesmo, uma obra sensível, bonita, gostosa e sobretudo cômica acerca da amizade e do tempo, ao passo que é também triste, quieta e silenciosa, ao meio a tanto rumor e tanto a se dizer. Se eu pudesse, gostaria de nunca tê-la lido, só para descobri-la de novo. No mais, literatura brasileira é boa demais.
Profile Image for Rita.
907 reviews187 followers
August 13, 2025
Natalia é uma velha de cem anos, professora aposentada e viúva, que perdeu todos os amigos para a morte. A sua única filha vive em um oceano superior, — que é como quem diz, num outro país — e com ela mantém apenas um telefonema diário.
Natalia tem mais passado do que futuro, e é esse passado que vamos conhecendo através das suas memórias.
É um livro triste, doloroso e difícil, sobre o envelhecimento e a nossa finitude — o processo, o caminho, a solidão, a morte: quatro estações de uma mesma travessia. Mas é também um livro sobre a vida, os afectos e as lembranças.
No fim, fica cheio de sublinhados, de frases que se instalam na memória e continuam a martelar-nos a mente muito depois de o termos fechado.

A quantidade de ossos que uma velha possui é um espanto, um assombro, porque afinal alguns humanos como ela sumiram, muitos já sumiram e até agora por algum motivo ela permaneceu, ela se sente assim, como alguém que permaneceu, por enquanto.
*
É na mesa da cozinha, no jornal que ainda não foi aberto, que novas pessoas se apagam nas notícias. Todos os dias os apagamentos se acumulam e se empilham por toda parte formando um número impossível. Só de olhar para a lista de apagados uma velha de apartamento pode imaginar que a sorte morreu, que os vivos talvez sejam fruto do acaso e que, mesmo que ainda respirem, bem, eles também desaparecem pouco a pouco, de todo jeito, e em algum momento acabam se unindo aos demais.
*
Nos últimos anos quem olha de fora só vê a mulher sozinha em todos os cômodos, mas não foi sempre assim. Houve um tempo em que quem olhasse pela janela perceberia ali com a mulher pelo menos duas pessoas: Vicente, o marido, e a filha deles, que naquele tempo poderia ser ruiva ou loira perolada, a depender do resultado da tintura. As luzes do apartamento ficavam acesas e o cheiro de comida atravessava a sala. Faz tempo que eles não fazem mais companhia à velha, mas não é por mal. Em algum momento a filha se tornou uma filha que mora longe e Vicente desapareceu porque, bem, ele morreu e por isso ficou ocupado com outras coisas.
*
Descobriam que afinal não era apenas a passagem dos anos que envelhecia as pessoas, não, as dores envelheciam muito mais.
*
Alguém inexperiente e desavisado poderia imaginar que nesses encontros os companheiros quisessem falar sobre o que tinham vivido nos subsolos, comparando o frio e os ferimentos de cada um, expondo testemunhos. Mas isso jamais aconteceu. Sobrevividos, eles temiam abrir demais a boca e assim acabar cuspindo a serpente guardada no estômago, por isso trincavam os dentes e se asseguravam de manter tudo velado. Se num rompante de descontrole e coragem um deles explodisse lançando frases reveladoras sobre seu subsolo, bem, isso aconteceria sempre de maneira raivosa e tormentosa e acusativa, afinal era um absurdo alguém ter passado por tudo aquilo e a família, os amigos já não saberem de cada detalhe por intuição ou por telepatia, por amor. Era uma falha da espécie, uma falha grande e importante que tudo ainda precisasse por fim ser dito.
*
(…) a solidão é cheia de acontecimentos, se você reparar, ela é recheada de cadernos, lápis, pano de chão, lustra-móveis, Tom Jobim, dicionários, porta-retratos.
*
Daqui a alguns anos a filha será tão velha quanto a mãe e então descobrirá que nesse ponto da existência o passado é o único futuro, o único lugar onde alguns encontros ainda acontecem.
*
É curioso ter idade bastante para falar sobre todas as coisas retrospectivamente, uma velha pensa. Ao fim da linha da vida, de repente alguém recebe o direito de subir em uma cadeira e ficar cinquenta centímetros mais no alto para transmitir aos demais humanos as notícias que vêm do passado. Com esse horizonte de ontens à disposição, o alguém trepado na cadeira já pode dar a cada um dos acontecimentos de uma vida um lugar específico no tempo, usando binóculos e apontando o dedo: Foi mais ou menos aqui que tudo começou, e foi aqui, nesse ponto, que chegou ao fim.
Profile Image for Márcio.
684 reviews1 follower
September 6, 2022
O que é a vida? Para uns, um aborrecimento, prefeririam nem ter nascido. Alguns outros chegam a pagar caro para se manterem agarrados a ela. A maioria vive cada dia do jeito que é possível e talvez seja essa a sabedoria da vida e de Natália.

A velha, como a própria Natália se autointitula, é uma senhora já com cerca de 100 anos. A vida nunca lhe foi fácil, mas nem por isso deixa de fazer o possível para vivê-la como possível. No decorrer de Humanos exemplares, a velha vai recordando diversos momentos de sua vida, nunca em ordem cronológica, e não o faz assim em razão da idade, que poderia sugerir início de um processo de demência, mas porque se utiliza de memórias afetivas que vão lançando fios entre uma história e outra, trançando um bordado aparentemente comum, mas de pontos fortes que dão estrutura ao todo.

Morando só em um apartamento em algum bairro do Rio de Janeiro, a velha tem quase absoluta certeza que há um espião no prédio em frente que sempre observa os seus dias e não faz muito para esconder o que lhe acontece ali dentro. Sua rotina é sempre a mesma, acordar, tomar o café da manhã, aguardar a chamada de telefone da sua semi-velha filha que vive no oceano do norte com sua menina (companheira de toda uma vida), almoçar, assistir a novela, dormir.

E durante todo esse tempo, deixa que suas recordações a revivam novamente. Desde quando conheceu Vicente, o seu marido, já falecido, passando pelos anos de chumbo dos anos 1960, do desaparecimentos dos queridos, das suas aulas de redação, do nascimento de sua filha, do amante que teve já quando estava aposentada. São apenas algumas de suas memórias. O que as diferencia do senso comum é que Natália as recorda sem pessimismo, mas com uma certa saudade das pessoas que se foram. Tudo é motivo de aprendizado, cada dia algo novo. Nem os prazeres devem ser deixados de lado. A vida é surpresa. Aguardar que ela se desenrole exatamente como a queremos é criar ilusões, que se desfazem como castelos de areia e deixa um gosto amargo. Na vida.

Juliana Leite aqui tece também uma bela obra que parece nos alertar que a velhice não é o fim, que há vida a ser vivida, que a pessoa idosa não é um ser difícil de se lidar, mas um ser que tem vontades, desejos e necessita ser respeitado, valorizado. Esse é o nosso caminho. Mas também parece ser como um alerta de que a vida atual nos leva a vidas solitárias ao seu final, muitas vezes não por nossa própria vontade, mas pelo próprio abandono da família, que tem "planos" mais hedônicos para se preocurarem e alcançarem. Que aos poucos as pessoas são deixadas de lado, como coladas numa gaveta e ali deixadas, esquecidas.

E não, não pensem que se trata de um livro triste. Natália não o permite, sua vida não é triste, nem chata. É vida! Havia tempos que não dava gargalhadas tão fortes com uma cena já próximo ao final do livro, em que a cuidadora da velha se horroriza com o que possa estar a se passar naquele apartamento. E como é poético e terno o seu fim!

A escrita de Juliana Leite também lembrou-me ligeiramente do melhor que há nas obras dos escritores Joca Reiners Terron e Aline Bei!
Profile Image for Gabrielle Cunha.
432 reviews118 followers
September 28, 2022
Um livro protagonizado por uma idosa centenária, a Natália. Que rememora sua vida com um humor muito peculiar: o casamento com Vicente, a vida como professora durante a ditadura brasileira, as amizades, o envelhecer.

Achei a escrita super poética, gostosa de ler.

“Ela pretende lembrar à menina de que o problema de viver demais, de habitar o planeta por mais tempo do que o aconselhável, é que você vira testemunha de um mundo que se apaga, bem diante de você ele se apaga pessoa a pessoa, amor a amor, amigo a amigo e gato a gato, por sorte restando a companhia das árvores.”

Profile Image for Karla Yuna.
18 reviews
March 22, 2025
belíssimo! algumas passagens que, particularmente, me deixaram comovida.

"Eu sei o que é o amor: se você estiverem caindo eu vou lá e ajudo".

"Quem sabe se seria esse um huamano exemplar, já livre, já apto a não ver ali, no osso original, somente um homem ou uma mulher, e sim o broto de uma terceira humanidade cujo nome ainda não surgiu".
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Julia Landgraf.
156 reviews83 followers
July 23, 2024
Move em lugares que não costumam ser tocados. Muito lindo e sensível (:
Profile Image for Jairo Fruchtengarten.
336 reviews8 followers
May 29, 2025
Em "Humanos Exemplares", Juliana Leite constrói um romance introspectivo, ambientado em uma atmosfera de solidão devastadora: a idosa Natalia vive sozinha em seu apartamento no Rio de Janeiro, acompanhando passivamente a passagem das horas enquanto aguarda diariamente a ligação de sua filha, que mora no exterior. E só...

De forma até curiosa, a parte onde a narrativa revisita o passado de Natalia junto a seu marido, perseguido pela ditadura militar, tiveram pra mim menos força do que a descrição de seu presente: ficou claro que é justamente a rotina solitária da personagem que sustenta o interesse do leitor! A autora transforma a monotonia em matéria literária, e essa escolha não apenas funciona, como se revela essencial para a proposta do livro.

A narrativa nos leva a pensar sobre a finitude da vida de modo silencioso, sem grandes discursos ou epifanias. A morte, o tempo, o envelhecimento e o fim das relações humanas estão ali, diluídos nos gestos mínimos de Natalia — e é justamente essa abordagem sutil que torna o livro interessante. A ausência de um enredo movimentado não representa falta de profundidade; ao contrário, é nessa economia de ação que Juliana Leite encontra espaço para elaborar uma literatura de camadas emocionais mais densas.

Dada essa particularidade — a monotonia da vida da protagonista como elemento intencional e bem explorado —, o livro acerta também na forma: suas quase 250 páginas são bem dimensionadas, sem excessos nem lacunas. "Humanos Exemplares" é um romance que convida à observação do que passa despercebido e nos confronta com a passagem do tempo e o esvaziamento do sentido nas relações contemporâneas.

Avaliação Final: 6,5/10
Leitura Concluída: 21º livro de 2025
Próxima Leitura: "Catedrais" (Claudia Piñeiro)
Profile Image for Evie Saramella.
44 reviews1 follower
April 4, 2025
Um livro arrebatador e, ao mesmo tempo, difícil de ler, marcado por uma escrita lírica e muito bonita.
Profile Image for Douglas Carvalho.
8 reviews1 follower
June 10, 2024
O enredo é original e criativo. Sob a perspectiva da “velha” centenária Natalia, o presente se torna cada vez mais irrelevante, devido à solidão causada pelo “desaparecimento” de pessoas queridas e uma “ameaça externa”. Por outro lado, o passado ganha mais importância no decorrer dos dias, porque guarda os encontros, enquanto o tempo atual é marcado por separações. Mas a prosa não tem fluidez.

A leitura entedia devido ao estilo narrativo da autora: excesso de metáforas, eufemismos, metonímias e pieguice. Clichês, repetições e floreios desnecessários. Tenho a impressão de que ela se esforçou tanto para escrever de modo incomum e original que pesou a mão no uso de figuras de linguagem, sem objetividade. Além disso, há um abuso na utilização de adjetivos para descrever personagens, o que, para mim, indica permanência na zona de conforto, falta de ousadia e de criatividade. A ausência de discurso direto deixou a leitura mais maçante.

Há passagens bem-humoradas cheias de ironia, típicas das melhores crônicas brasileiras, um olhar para aquilo que ninguém parece enxergar, além do cronista. Mas, raras, elas só salpicam uma leveza sobre o texto.
Profile Image for Solange Cunha.
283 reviews44 followers
April 25, 2024
A leitura não fluiu muito bem para mim, o estilo narrativo é repetitivo (repetição de palavras para ênfase), robótico e lento. Por um lado, cria a monotonia de uma personagem idosa em seu fim de vida. Mas mesmo nas memórias do passado, com mais ação, o ritmo seguia muito lento. Algumas passagens um pouco piegas e meio clichês sobre ditadura.
O que gostei foi a parte final, bonito como Juliana Leite constroi o emaranhado de vidas (e mortes) entre mãe-filha-irmã.
Profile Image for Andre Aguiar.
477 reviews116 followers
Read
April 16, 2023
uma forma simplificada de vida, composta por um par de sentimentos, apenas, e um par de calças, disposta inclusive a abrir mão da humanidade enquanto nome, se preciso fosse, ainda mais quando a condição fosse andar cheio de metais nos bolsos.
Profile Image for Nathalie Gonçalves.
166 reviews40 followers
July 26, 2025
longe de ser um livro de memórias, é um livro sobre o presente - e como é difícil encontrar livros sobre o presente, ainda mais narrados por figuras que estão entre o passado e o futuro, ou melhor, entre a vida que viveram e a morte que parece arrombar a porta dos seus. personagens bem construídos, momentos interessantes, mas o que mais me acalentou como leitora foi a forma como as relações se desenvolvem, os sentimentos, as dores e os amores. é possível imaginar tudo o que é narrado - é possível entrar no velho apartamento, sentir os cheiros, sentir a vida pulsando, apesar da morte se fazer tão presente.

“De início achávamos que o tempo não morreria jamais, que ele nos recompensaria logo adiante, elástico e caudaloso, porque afinal a briga havia sido nobre e necessária, inevitável e legítima. Éramos jovens e como jovens costumávamos pensar que estavam garantidas as parcerias com o tempo. Mas por fim o próprio tempo desconhecia o que todas essas coisas significavam, a necessidade, a nobreza, a legitimidade, a juventude, essas palavras não lhe diziam respeito.”
Profile Image for Amanda Cavalcante.
49 reviews2 followers
September 1, 2025
me lembrou pq q eu gosto de literatura e um dia escolhi cursar uma graduação sobre.
Profile Image for Ana Sofia Filipe.
274 reviews2 followers
January 1, 2026
Um livro profundo, que requer pausas e atenção, em certa medida abstrato e filosófico, ainda que tão quotidiano.
A voz singular de uma velha, de 100 anos, e as suas perspectivas do passado e do futuro.
Excelente final.
Profile Image for Dol Leander.
64 reviews5 followers
November 5, 2025
Received as a free ARC. This novel pulls out the somber emotions of aging without losing sight of the joy that comes with a life fully lived. Flowing between both past and present and third and first person, sometimes within the span of one sentence, it brings about the feeling of listening to old family stories. More than that, it feels like the moment it truly hits that these stories are real memories, and you realize that the past isn’t as distant as you had once thought.
Profile Image for Fellipe Fernandes.
224 reviews15 followers
October 5, 2023
Tive muita dificuldade em manter uma cadência de leitura com esse livro. Muitas vezes, cheguei a descrever o ritmo dele como se fosse o som de uma impressora matricial. De fato, ele tem algo de burocrático que mantém o leitor a uma certa distância. À medida que o ia desbravando, vendo aqui e ali imagens, metáforas, alegorias que, de tão encantadoras, destoavam dessa rítmica narrativa, fui me afeiçoando ao universo que ele apresentava, mesmo que seguisse complicado enxergar aos personagens como algo palpável, catártico, reconhecível. Foi quando tive um insight que penso talvez ter sido o objetivo da autora: ela quer que os vejamos humanos, não como moldes humanos onde projetamos aquilo que nos falta ou sobra, que desejamos ou refutamos. Não poderia jamais ver minha mãe ou a falta dela em Natália, porque Natália é uma velha e precisa ser vista como velha, senão nada mais faria sentido nessa rotineira insistência de sobreviver a si mesmo uma e outra vez, década após década, que a narrativa nos apresenta. No fim, achei o livro bom, talvez lido num momento pessoal não adequado para recebê-lo.
Profile Image for Eduarda Luso.
69 reviews1 follower
September 1, 2025
Mais um livro “from” Brasil, lido logo a seguir a “Ainda estou aqui”. Uma boa surpresa! Muito agradável, muito bem escrito!
Trata da solidão, das perdas, da velhice e de como o tempo deixa marcas! Memórias da família e história do país (não sendo explícito depreende-se a abordagem aos tempos difíceis da ditadura militar de 1964, curiosamente, tema central do livro “Ainda estou aqui”). Escrita embrulhada com algum humor, o que torna a leitura, apesar de tudo, muito leve e, com trocadilhos de palavras pouco usando o nome das personagens! A “velha”, a “filha”, a “mãe”, a “menina” os “queridos”!
Tocou-me essencialmente por ser muito sensível e muito bonito! Até a capa!

“A velha cuidava de não ficar quieta demais e por fim percebia que, estranhamente, a solidão é cheia de acontecimentos”.

“Ela se abraçava como uma humana qualquer poderia se abraçar ao corpo do seu país, com braços de abraçar país, compreendendo que dentro desse amor tão grande estavam contidas tanto a esperança quanto a ruptura, quando a luta quanto a rendição, sendo todas essas coisas um único fluxo de ambiguidade e ternura”.
Profile Image for Gabriela Presti.
6 reviews
January 11, 2023
Talvez um dos livros mais lindos que eu vá ler nessa vida. Fala sobre a velhice, a morte, o tempo, a maternidade, a solidão, o amor, a amizade, a ditadura no Brasil e a pandemia. Tudo de uma forma muito poética. O capítulo final me arrepiou inteira e me levou aos prantos.
Profile Image for Juliana Tavares.
7 reviews1 follower
September 6, 2022
Difícil encontrar palavras para um escrita tão delicada, tão maravilhosamente tecida, como a de Juliana Leite nesse livro. Viva a nova geração de autoras brasileiras!
10 reviews
May 27, 2023
Sensacional! Profundo, tocante, divertido, em uma escrita peculiar e envolvente. Dos melhores que já li!
Profile Image for Vera Sopa.
744 reviews73 followers
March 9, 2025
O que posso contar sobre este livro, para o qual tive um forte apelo (e logo o comprei) é que tem uma capa linda (como se vê) e uma narrativa na terceira pessoa que, se autodenomina “velha” (também é centenária) com um peculiar humor (que, julgo sarcasmo) para contar a sua história e nos colocar na sua (pele) vida. Uma outra perspectiva da terceira idade. As várias camadas de que, um ser humano se vai construindo numa análise de fora para dentro e por isso, se apresenta como uma perspectiva externa, na terceira pessoa. Uma outra perspectiva da vida, numa escrita melodiosa, corrida e impactante.

Professores exemplares. A repressão militar. E escrito numa forma que, li alto para degustar as palavras e apreender o sentido das frases. Que maravilha!
Profile Image for Isis Machado.
67 reviews1 follower
September 19, 2024
esse livro é uma joia.
não há outra forma de descrever o jeito inteligente e poético que a autora brinca com as palavras, que nos leva pra um dia a dia que já é nosso e nos aguarda, pra velhice desdenhada e incompreendida com uma leveza de copo meio cheio que me deixou sorrindo em quase todas as páginas. fala de amor, de maternidade, de família e solidão, de ditadura e pandemia, de muitas vidas vividas em uma só.
lindo, lindo, lindo.
Profile Image for joao malafaia.
44 reviews1 follower
June 10, 2025
muito feliz que decidi voltar a leitura depois da desistência! uma leitura ao mesmo tempo gostosa, bem-humorada, reflexiva e que dá uns apertos no coração. marquei muita coisa enquanto lia, várias passagens conversaram comigo para além da história...

e a sarah é uma das personagens mais cativantes que li ultimamente
Profile Image for Michele.
9 reviews
October 22, 2025
Trata do envelhecimento sem condescendência ou piedade, despido de rótulos. Personagem principal encantadora, revisa sua vida e memórias íntimas que se misturam a um tempo histórico nacional de dor. A solidão, prazeres e lutos de uma vida. Indico sem titubear!
Profile Image for Carolina Vieira.
6 reviews18 followers
July 18, 2023
Depois de Torto Arado, um dos livros nacionais que mais me cativaram dos últimos tempos. Fala de maneira tão suave, mas ao mesmo tempo tão palpável do tempo, do envelhecer, da vida e da morte que é impossível não refletir sobre a nossa própria finitude - e ler antes de dormir me deixava reflexiva até demais!!!

Cinco estrelas com certeza, espero que se espalhe para mais rodas de leituras.
Profile Image for Maitê.
764 reviews
April 7, 2025
Uma leitura bastante morosa, que aborda da pandemia a ditadura militar. Ainda não me sinto preparada para ler ou ver filmes sobre algo que ainda nem comecei a elaborar, então dar de cara com o tema dessa forma arrastou ainda mais a leitura. E talvez teria gostado mais em um outro tempo.
36 reviews
October 4, 2022
Curti a parte dos jovens falando da ditadura, gostei da linguagem da narradora, mas achei o livro um pouco cansativo, alongado.
Profile Image for Maria Imperatriz.
116 reviews
February 14, 2023
Humanos exemplares não estava na minha lista de leitura para 2022 e entrou porque comecei a participar do clube do livro da @carol, a quem agradeço imensamente por escolher esse livro para o encontro de dezembro!

Estou encantada com a escrita de Juliana Leite. Que livro lindo!

No início da leitura já somos apresentados a Natália, uma senhora centenária, que atualmente vive sozinha e mantém o hábito de conversar diariamente com sua filha que mora no exterior. Sua vida já foi mais agitada, principalmente na época em que dava aulas e vivia com seu marido Vicente, com essa mesma filha que mora longe e com seus amigos queridos.

Ainda que agitada, a vida da Natália e de sua pequena família era comum - tão incrivelmente comum que é impossível não se emocionar com as lembranças narradas! As palavras e expressões lançadas no livro são tão especiais – a escrita da Juliana é verdadeiramente especial – que realçam a vida tão cotidianamente linda. No decorrer da leitura lembramos que simples momentos, que nem sempre nos importam na hora, são verdadeiramente indescritíveis.

Aliás, li em "Uma vida pequena" – outro livro que amei! - que os momentos corriqueiros, aqueles esquecíveis em que temos a impressão que nada de especial está acontecendo, são os que mais sentimos falta, pois sua ausência se mostra impreenchível. E em Humanos enxergamos isso com frequência.

Natália rememora a vida e com ela tomamos conhecimento de alguns momentos felizes como a época em que dava aulas, tristes como o 'desaparecimento' de alguns amigos, amedrontados como o tenebroso período da ditadura, normais como os almoços em família e especiais como os encontros com os queridos amigos (e aqui certamente estou apresentando momentos genéricos para não tirar as surpresas da leitura).

Esse livro mexeu comigo de forma intensa, desde o início. Sou filha única por parte de mãe e não tenho filhos por opção. Além de enxergar certas atitudes minhas tanto na Natália, quanto na filha, o livro, de certa maneira e entre vários outros assuntos importantes e deliciosos, tocou nesses dois pontos da minha vida. Não exatamente no tema filha única e sem filhos, mas em questões decorrentes como velhice, solidão, morte e vida.

O incrível é que enxerguei esses temas, que são incômodos e caros para mim, com uma doçura e sensibilidade não percebidas e pensadas até então. Fiquei encantada pela maneira como Juliana foi cuidadosa, delicada e sensata ao escrever sobre assuntos tão complexos e importantes.

Na minha opinião é um livro que trata, principalmente sobre amor! Amor pela família, amigos, profissão, pelo país e pela simplicidade da vida!

Leiam, se puderem, e depois contem quem são seus humanos exemplares. Aliás, existem humanos exemplares?
Profile Image for Camula.
54 reviews
July 2, 2025
Comecei a ler esse livro e larguei, não estava curtindo muito, achando meio parado, mas ainda bem que, mesmo assim, fui no encontro do clube e, graças ao papo e às reações positivas, acabei dando uma nova chance.

Acho que é um livro que você tem que estar num certo mood pra ler, coisa que eu não estava na primeira leitura. Acredito que seja uma obra que parece tão "comum" e lenta à primeira vista, mas, conforme as páginas vão passando, você vai percebendo que, no fim, é sobre isso: existências tão normais e os tempos extraordinários que as atravessam.

Eu grifei tantas e tantas e tantas partes desse livro porque, mesmo se tratando de uma história comum, ele é tão cuidadoso, tão verdadeiro. A forma como a protagonista se alterna entre realizar as tarefas do presente e relembrar o passado...

Pô, causa uma baita reflexão esse ato de puxar o fio da sua vida para entender como chegou até aqui, mas também para pensar no sentido de ainda estar viva — e de morrer qualquer dia desses. É um livro que aborda a morte de uma forma tão bonita, tão leve.

E eu não gosto de livros que usam acontecimentos modernos (não sei explicar o porquê), e esse livro aborda a covid — eu odiei isso —, mas, ao mesmo tempo, não me incomodou tanto quanto achei que incomodaria. Acho que mais me deixou sentida pelo fato de o meu vô ter se partido em decorrência da doença do que qualquer outra coisa — ainda mais pela protagonista também ser uma idosa.

Enfim, muito feliz de ter dado uma segunda chance pra essa leitura bonita, sobre humanos tão queridos e tão exemplares. Me apeguei bastante à Sarah, ao Vicente e, principalmente, à Natália. Que história bonita, de verdade.

"Os humanos como essa velha, eles se esforçam em identificar o começo e o fim das histórias porque afinal é assim que se pode contá-las, puxando pelas extremidades. Você puxa o fio por uma das pontas e, ainda que tenha se esquecido de um bocado de coisas no caminho, percebe que um fio nunca anda só, ele é generoso e traz consigo as próprias lembranças, os adornos, os guizos dos acontecimentos."
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