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Não se encontra o que se procura

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A escrita, a viagem, a memória, a vida fora da espuma dos dias, a descoberta, o apelo do desconhecido, o instante em que tudo pode acontecer, tudo isto está no novo livro de Miguel Sousa Tavares.
Nesta viagem fora do seu quarto, o autor transporta-nos ao seu mundo mediterrâneo, ao sul de Portugal, à Croácia, a Roma, à Sicília, ao Brasil e aos lugares da História por onde passaram figuras gigantes. No regresso a casa, explica a razão da sua escrita. A sós, com as palavras, viaja para dentro de si para partilhar aquilo que só os grandes contadores de histórias sabem fazer, seguindo o lema: "Viajar é olhar".

266 pages, Paperback

First published December 1, 2014

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About the author

Miguel Sousa Tavares

20 books550 followers
Miguel Sousa Tavares is a portuguese journalist and was born in Porto, on the 25th June 1952. His mother, Sophia de Mello Breyner, was a poetess and his father, Francisco de Sousa Tavares, a lawyer and a journalist. After taking the Law course, he carried advocacy during twelve years, but left it permanently to become a full time journalist.
He first appeared at television in 1978, by entering the Radiotelevisão Portuguesa channel (Portuguese Radiotelevision).
In 1989, he was one of the creators of Grande Reportagem magazine (Big Report) and he became director of it in 1990, place where he settled during ten years. He also published some chronics and wrote to the journal Público (Public) from 1990 until 2002. At the same time, he also wrote chronics in other publications such as A Bola (The Ball, a sport journal), Máxima (Maximum, a female magazine) and in the online journal Diário Digital (Digital Diary).
He worked at SIC, a private TV channel, where he hosted information programmes such as "Crossfire". He left SIC and refused the invitation to be general director of RTP but, in 1999, he returned to the television.
He entered TVI in 1999 where he hosted the programme Legítima Defesa (Self Defense) and in 2000 he started to work as a fixed commentator at the Jornal Nacional (Nacional Journal, in TVI).
He also released various books, and almost all of them are chronics. The first one, Sahara, a República da Areia (Sahara, the Sand Republic), was edited in 1985 and was part of a report. Ten years later he wrote a collection of political texts called Um Nómada no Oásis (A Nomadic in the Oasis) and O Segredo do Rio (The Secret of the River, a children story). In 1998, the book called Sul (South) came out and in 2001 the book called Não te Deixarei Morrrer, David Crockett (I won't let you die, David Crockett). In this last year, was also edited Anos Perdidos (Lost Years), a colection of chronics dedicated to the govern of António Guterres.
His first novel was Equador (Equator), first edited in 2003 and which sold more than 370 thousand copies. This novel was so sucessful that posteriorly was released in Brazil, Germany, Spain, Latin America, Czech Republic and the Netherlands, and also won the 25th edition of the Grinzane Cavour prize for the best foreign novel of the year, in Italy. In October of 2007, Miguel Sousa Tavares released Rio das Flores (River of Flowers), also a success.

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209 (42%)
3 stars
173 (34%)
2 stars
33 (6%)
1 star
8 (1%)
Displaying 1 - 30 of 38 reviews
Profile Image for Paulo Caiado.
Author 1 book4 followers
June 15, 2015
‘’Não se encontra o que se procura’’ é uma colectânea de textos escritos como se de um diário se tratasse. São relatos de viagens, memórias, e talvez algumas ficções. Os episódios, embora seguindo alguma cronologia, passam-se no tempo. Ao longo dos anos.
Miguel Sousa Tavares (MST) escreve pelo prazer de escrever. Pelo prazer de contar. Tal como refere, um escritor escreve porque as palavras lhe surgem para as colocar em papel, tal como um músico apanha as notas musicais e cria uma composição.
Recorda ele que sua mãe, Sophia de Mello Breyner, raramente tirava fotografias nas suas viagens, antes privilegiava o relato oral do que observava. Viajar é ver, é observar.
Os capítulos, ou melhor, os relatos e memórias, sucedem-se num ritmo calmo e languido. Uma leitura aprazível para os dias quentes que se avizinham. E os lugares descritos, o Alentejo, o Mediterrâneo, África e Brasil, transportam-nos para sombras de telheiros na planície alentejana e para terraços com vista para um mar muito azul. Locais ideais para nos dedicarmos à leitura.
Pergunto-me o que vejo nestas páginas que não encontraria num qualquer relato dos meus amigos mais viajados ou em episódios que eu próprio vivi ou presenciei? Ou afinal, no que todos nós leitores não pudéssemos também relatar?
Na verdade, neste livro que é um misto de crónica de viagens e memórias dos locais, o que nos atrai é a intimidade.
MST tem estatuto. Tem estatuto enquanto escritor e enquanto pessoa pública. É esse estatuto que lhe confere essa importância e onde se radica o nosso interesse.
A nossa vida pode não ter importância para os outros, a dele tem para nós!
No fundo o que nos atrai é saber da sua vida, do seu quotidiano e das suas memórias. E o que nos atrai também é a forma como escreve. Sem aquelas cornucópias e caleidoscópios que alguns fazem com as palavras para dizer pouco em muitas páginas.
A vida de MST é muito interessante. É invulgar. O seu estilo de vida e as suas obrigações profissionais conduziram-no a muitos lugares do mundo e a sua inteligência leva-o a muitos lugares da mente. Tem conhecimento do mundo e tem imaginação. Isso tudo dá um bom mote para querermos saber mais do que escreve, da sua vida.
Somos uns voyeurs. No fundo é tudo como um Big Brother muitos sofisticado em que MST é quase o único participante e nós comportamo-nos como uns espectadores muito interessados.
Porque a vida dele tem interesse e merece ser contada.
Contudo o livro é desiquilibrado. MST junta a esse diário algumas crónicas quase biográficas sobre a vida de Laurence da Arábia, Churchill, e uma sobre o comunismo propagandeado pelos intelectuais dos anos setenta que estão completamente fora de contexto, antes parecendo que ali caíram para avolumar o livro. O texto afectivo e afectuoso, a sua intimidade que nos leva a si quase como sendo do seu circulo intimo dá lugar a uma escrita fria que teria antes lugar num outro livro. Mas não neste.

Paulo Caiado
Um Momento Meu
(página)
Profile Image for Beatriz Correia Santos.
15 reviews3 followers
January 7, 2023
“As pessoas podem passar ou morrer, “mas outros amarão as coisas que foram minhas”, como deixou escrito, para nos ensinar, quem mais amou esta casa. Foi por isso mesmo que eu decidi não a deixar morrer, nem cair de cansaço, nem ser vendida e acabar entre estranhos. Porque sempre achei que há uma responsabilidade nossa para com as casas onde tantos foram felizes ao longo dos anos. É preciso passá-las de mão em mão, cuidá-las, renová-las de vida, deixá-las para os outros.”
32 reviews1 follower
August 28, 2025
MST é sem dúvida um craque em literatura de viagem e este livro não foge à regra, alternado com algumas crónicas, entre elas umas muito bem conseguidas como é a do comunismo. As descrições que faz de sítios que também a mim me Dizem muito, transportam-nos de uma maneira muito pessoal para os locais em questão: o Alentejo, o Algarve e África, sem deixar esquecer o Brasil. É sempre um prazer le-lo, seja em crónica, seja em Romance.
Profile Image for Inês.
111 reviews
July 3, 2020
As minhas expectativas quanto a este livro eram quiçá demasiado elevadas. Começou muito bem mesmo - com a escrita inconfundível do Miguel e algo que me apaixona sempre, que são as descrições dos locais que visita e a forma como repara exatamente nas mesmas coisas que eu. No entanto ao longo do livro - ainda que com magistrais lições de História, que eu adoro - senti que algumas histórias estavam simplesmente a "encher" papel e não entendi o porquê de se juntarem tantas coisas neste livro. Vale (muito) pela forma - e isto é característico dele, e tão invejável - como faz parecer que jorrar palavras para o papel e tocar corações é algo tão simples quanto respirar. Mesmo que ele diga que não.
Profile Image for Alexandra  Rodrigues.
243 reviews
October 2, 2017
Confesso que não me rendi a este livro de M. Sousa Tavares. Talvez por demasiadas referências a caçadas e futebol e, nas entrelinhas, alguma presunção pessoal... Sempre fantástico, quando se solta e escreve sobre/para a mãe.

Do que fica:

"A escrita ensina-nos e convoca-nos à responsabilidade de entender que estar vivo não é um acaso inútil (...). Toda a criação artística, de que a escrita faz parte, é uma responsabilidade indeclinável e não somente um dom para autocontemplação. Escrevemos para celebrar a vida, não para resgatarmos a própria morte, escrevemos para os outros, não para nós próprios.
(...) Se pudesse ter uma vida paralela, gostaria de ter a vida de um caracol, carregando comigo a casa e plantando-a onde houvesse sol e silêncio, onde houvesse mar e espaço, onde houvesse tempo e distância. Onde houvesse essa improvável e louca hipótese de ser feliz fora do mundo.
(...) Aqui eu aprendi que viajar é olhar. E, por isso, eu continuo a olhar, para que a viagem não acabe nunca.
(...) Mas não é fácil escrever no silêncio nem é fácil escrever silêncio, num mundo com demasiadas vozes e demasiadas, mais feias, mais gastas, palavras. Porém, eu sei que a leitura exige silêncio a toda a volta para podermos escutar a voz interior da literatura.
(...) Os grandes livros (...) - aqueles onde se inventa e nos socorremos de histórias e personagens que nunca existiram - são livros que desbravam, que mentem, que tornam possível o que não é real, que interrompem a vida como ela é. Numa palavra, que libertam."
Profile Image for Marina.
10 reviews
June 3, 2020
Um bom livro para nos transportar para diferentes sítios, estações e etapas da vida. Para mim, foi uma boa forma de relembrar sobretudo o Algarve e o Alentejo, a bela da comida e mercados de peixe. Óptimo em sentimentos de "home sick". Até encontrei o que procurava, ou melhor, mais do que procurava pois então, não encontrei exactamente o que se procura.
Profile Image for Isabel Andrade.
6 reviews3 followers
August 24, 2024
"Aprendi também que vemos o que vemos, o que queremos ver e o que ninguém mais enxerga. Vemos tanto mais quanto a nossa disponibilidade de ver: viajamos para dentro de nós, primeiro que tudo".
Profile Image for Fatima Casanova.
78 reviews5 followers
September 10, 2025
Uma manta de retalhos habilmente tecida, para guardar os pensamentos, relatos de viagens, estudos, palestras, e tantos outros momentos que Miguel Sousa Tavares viveu e o inspiraram a escrever. Ótimo para refletir e sonhar com assuntos (e passeios!) vários.
Profile Image for Inês Sousa Jesus.
141 reviews3 followers
October 16, 2024
Um livro de crónicas que descobri por acaso num cafe-livraria, numa viagem de fim-de-semana.

Gostei muito de algumas crónicas, discordei de outras.

É um livro que se lê bastante bem, e que faz companhia. Gostei.
Profile Image for Marisa Fernandes.
Author 2 books49 followers
January 24, 2015
"Não se encontra o que se procura" é um livro de histórias, memórias/diário e viagens. É um livro de experiências, de gostos, de saudades e de observação/vivência de outras vidas.
São crónicas, pois são, mas por isso mesmo, é dificil não gostar, é dificil parar de as ler. Especialmente porque a seguir, a uma que se gosta muito, vem outra ainda melhor e se, por acaso, surge uma crónica que não se gosta tanto (o que é raro), vem imediatamente a seguir uma outra que compensa... E vale muito a pena.
Quanto ao estilo da escrita, a escrita de Miguel Sousa Tavares oscila entre o mordaz e o irónico, e o sincero e intimista. E é, com frequência, muito natural... Muito dado ao viajar-olhar, às paisagens mediterrânicas (o sol e o mar são constantes) e a um tão amado Brasil (onde a língua parece quase cantada), ao Algarve (às grutas de Lagos) e ao Alentejo. E nostálgico, pois são várias as referências à sua mãe, Sophia. Referências ternas (pelos olhos de um filho que sente a sua falta e a recorda com todo o carinho e saudade) e curiosas para quem como eu admira Sophia de Mello Breyner Andresen como pessoa e como escritora!
Gostei muito.
1 review
November 25, 2015
Confesso que não adorei...a meu ver, esta obra relata uma serie de não acontecimentos, impedindo-a de construir uma história.

Algumas passagens brilhantes, claro (que o Miguel já nos tem vindo a habituar), mas também outras com diminuido interesse no meu ponto de vista.
Profile Image for Maria Saraiva de Menezes.
Author 23 books17 followers
September 28, 2020
“Eu sou uma testemunha, um contador de histórias, um homem que passa a palavra. E, ao oassá-la, ao contar tudo o que vi, vivo duas vezes.”

“(...) tentar transformar tudo o que acontece, tudo o que vejo, tudo o que viajo e tudo o que vivo, numa utilidade literária ou jornalística concreta”.

“A escrita ensina-nos e convoca-nos à responsabilidade de entender que estar vivo não é um acaso inútil nem um almoço grátis. Toda a criação artística, de que a escrita faz parte, é uma responsabilidade indeclinável e não somente um dom parava autocontemplação. Escrevemos para celebrar a vida, não para resgatarmos a própria morte; escrevemos para os outros, não para nós próprios.”
“Sim, eu gosto do Natal e não gosto de quem não gosta do Natal. Odeio a pornografia dos presentes, mas gosto sinceramente do resto, as iluminações das ruas, (...), o jantar com a família, a árvore, o Presépio, o peru e o bacalhau e o cansaço ao fim da noite. Acho estranho quando as pessoas me dizem “não gosto do Natal”. Ou são egoístas ou estão de mal consigo mesmas e o essencial da vida”.
“Como dizia a minha mãe, faz-se sempre a um escritor a mais estúpida das perguntas: “Porque escreve?”
Profile Image for Leonor Cruz.
41 reviews
August 23, 2023
"Aprendi que para escrever é preciso ter um imenso respeito pelas palavras; ter medo das palavras. Por mais deslumbrante que seja a paisagem que contemplamos, devemos pensar se vale a pena fotografá-la, pois sabemos que nenhuma fotografia, por mais perfeita, conseguirá reproduzir o que o olhar viu e, assim sendo, acaba por servir para trair a memória do olhar. Também por melhor que se escreva, nunca se conseguirá exprimir por inteiro a grandeza ou a miséria das coisas imensas que sabemos."

______________________________________________

O livro é muito interessante, contudo, para mim, tornou-se um pouco cansativo devido às demasiadas descrições e "reflexões" do autor.
Ainda assim, gostei da leitura desta não ficção.
Profile Image for Dália Da Silva.
122 reviews1 follower
March 26, 2023
Se pudesse ter uma vida paralela gostaria de ter a vida do caracol, carregando comigo a casa e plantando-me onde houvesse sol e silêncio, onde houvesse mar e espaço, onde houvesse tempo e distância. Onde houvesse essa improvável e louca hipótese de ser feliz fora do mundo.
Não quero a torre de marfim nem uma vida de ausência e alheamento, mas quero e preciso da solidão, do silêncio, do meu ritual, do meu tempo.
Viver é largar e seguir em frente.
Vemos o que vemos, o que queremos ver e o que ninguém mais enxerga. Vemos tanto mais quanto a nossa disponibilidade de ver: viajamos para dentro de nós, primeiro que tudo.
31 reviews1 follower
October 29, 2020
É sempre para mim uma admiração constactar, mais uma vez, a sensibilidade do Miguel Sousa Tavares. Podendo ou não estarmos de acordo com as suas ideias, a escrita é excelente e a dita sensibilidade jorra de cada frase, de cada palavra. Venham mais livros Miguel.
Profile Image for Francisca.
180 reviews38 followers
August 11, 2017
Miguel Sousa Tavares writes beautifully, echoing his mother's poetry. My favorite parts of this book, which is a collection of essays, speeches, and diary entries ("sobre tudo e sobre nada" but mostly about travel), where those where he reminisced about his mother and when he talked about writing and art. You find yourself picturing the places he visits easily, as well as placing yourself in his shoes as he travels - which is certainly his goal.
Profile Image for Daniela Almeida.
9 reviews
June 15, 2022
As descrições dele são sempre excelentes. Sentimos que conhecemos os locais ao detalhe. A história podia ter tido, a meu ver, outro seguimento mais dinâmico.
Profile Image for Filipa Marcelo.
118 reviews
February 19, 2023
"Aprendi também que vemos o que vemos, o que queremos ver e o que ninguém mais enxerga. Vemos tanto mais quanto a nossa disponibilidade de ver: viajamos para dentro de nós, primeiro que tudo."
Profile Image for Paulo Caiado.
16 reviews3 followers
June 2, 2015
‘’Não se encontra o que se procura’’ é uma colectânea de textos escritos como se de um diário se tratasse. São relatos de viagens, memórias, e talvez algumas ficções. Os episódios, embora seguindo alguma cronologia, passam-se no tempo. Ao longo dos anos.
Miguel Sousa Tavares (MST) escreve pelo prazer de escrever. Pelo prazer de contar. Tal como refere, um escritor escreve porque as palavras lhe surgem para as colocar em papel, tal como um músico apanha as notas musicais e cria uma composição.
Recorda ele que sua mãe, Sophia de Mello Breyner, raramente tirava fotografias nas suas viagens, antes privilegiava o relato oral do que observava. Viajar é ver, é observar.
Os capítulos, ou melhor, os relatos e memórias, sucedem-se num ritmo calmo e languido. Uma leitura aprazível para os dias quentes que se avizinham. E os lugares descritos, o Alentejo, o Mediterrâneo, África e Brasil, transportam-nos para sombras de telheiros na planície alentejana e para terraços com vista para um mar muito azul. Locais ideais para nos dedicarmos à leitura.
Pergunto-me o que vejo nestas páginas que não encontraria num qualquer relato dos meus amigos mais viajados ou em episódios que eu próprio vivi ou presenciei? Ou afinal, no que todos nós leitores não pudéssemos também relatar?
Na verdade, neste livro que é um misto de crónica de viagens e memórias dos locais, o que nos atrai é a intimidade.
MST tem estatuto. Tem estatuto enquanto escritor e enquanto pessoa pública. É esse estatuto que lhe confere essa importância e onde se radica o nosso interesse.
A nossa vida pode não ter importância para os outros, a dele tem para nós!
No fundo o que nos atrai é saber da sua vida, do seu quotidiano e das suas memórias. E o que nos atrai também é a forma como escreve. Sem aquelas cornucópias e caleidoscópios que alguns fazem com as palavras para dizer pouco em muitas páginas.
A vida de MST é muito interessante. É invulgar. O seu estilo de vida e as suas obrigações profissionais conduziram-no a muitos lugares do mundo e a sua inteligência leva-o a muitos lugares da mente. Tem conhecimento do mundo e tem imaginação. Isso tudo dá um bom mote para querermos saber mais do que escreve, da sua vida.
Somos uns voyeurs. No fundo é tudo como um Big Brother muitos sofisticado em que MST é quase o único participante e nós comportamo-nos como uns espectadores muito interessados.
Porque a vida dele tem interesse e merece ser contada.
Contudo o livro é desiquilibrado. MST junta a esse diário algumas crónicas quase biográficas sobre a vida de Laurence da Arábia, Churchill, e uma sobre o comunismo propagandeado pelos intelectuais dos anos setenta que estão completamente fora de contexto, antes parecendo que ali caíram para avolumar o livro. O texto afectivo e afectuoso, a sua intimidade que nos leva a si quase como sendo do seu circulo intimo dá lugar a uma escrita fria que teria antes lugar num outro livro. Mas não neste.

Paulo Caiado
Um Momento Meu
(página)
Profile Image for Márcia Balsas.
Author 5 books105 followers
December 31, 2014
Neste livro há um pouco de tudo. Desabafos, memórias, relatos de viagens. Envolvi-me muito com os textos sobre o processo de escrita e o grande prazer de escrever. Por me identificar, por gostar muito de ler e escrever.
Gosto do estilo do Miguel, da forma como se “está nas tintas” para o que pensam dele, e do modo como diz o que pensa e lhe apetece. Por um lado acho sempre os seus livros libertadores, mas por outro questiono a atitude de quem acha que tem sempre razão, ou assim o Miguel aparenta. Gosto da ideia do tipo que faz e diz o que quer, invejo-a às vezes, mas ao mesmo tempo deixa-me um bocado de pé atrás. Esta contradição sempre me impeliu para os livros dele. A rebeldia dá estilo, deve ser isso.
Enfim. Apesar deste “Não se encontra o que se procura” (excelente título, completamente verdade e com diversas aplicações) ser um bocadinho para o morno, está lá o Miguel rebelde, curioso e com sede de conhecer, que corre o mundo em viagens e olhares, a bagagem cultural, a entrega aos livros, a vida mundana, os vícios e os prazeres.
O início é promissor mas depois, infelizmente, vai arrefecendo. Alguns textos saboreiam-se com um sorriso, em algumas ocasiões sente-se mesmo o cheiro das comidas e de outras paragens. Irei certamente reler algumas passagens mais marcantes, mas esperava mais.
“(…) eu escrevo para dar um uso às palavras que todos temos de usar, de deitar cá para fora. Porque, por mais importante que o silêncio seja para mim - e é – há alturas em que o silêncio esmaga e eu preciso combate-lo, escrevendo. Mas também escrevo por prazer – nem sempre, mas em alguns dias ou noites mágicas, em que parece que voamos sobre as páginas, numa espécie de levitação absoluta, que suponho seja aquilo a que se chama inspiração.” (Pág. 104)
Sinopse
“A escrita, a viagem, a memória, a vida fora da espuma dos dias, a descoberta, o apelo do desconhecido, o instante em que tudo pode acontecer, tudo isto está no novo livro de Miguel Sousa Tavares.
Nesta viagem fora do seu quarto, o autor transporta-nos ao seu mundo mediterrâneo, ao sul de Portugal, à Croácia, a Roma, à Sicília, ao Brasil e aos lugares da História por onde passaram figuras gigantes. No regresso a casa, explica a razão da sua escrita. A sós, com as palavras, viaja para dentro de si para partilhar aquilo que só os grandes contadores de histórias sabem fazer, seguindo o lema: "Viajar é olhar".”
Clube do Autor, 2014
Profile Image for João Duarte.
140 reviews4 followers
January 2, 2015
Como em tudo na vida, ler um livro que supera as expectativas é sempre uma experiência muito compensadora, e foi isso que aconteceu com este último título de Miguel Sousa Tavares (MST).

De facto, com um título tão desinspirado e a "publicidade" a uma obra que ia do relato de viagens às memórias, antevia sinceramente uma obra que teria mais de êxito fácil, que propriamente dos ingredientes que me fazem sempre ter saudades do "Equador" ou do "Sul"... Adiante.

A realidade, contudo, é que esta espécie de colectânea de crónicas acaba por se revelar uma obra bastante consistente e agradável. Sim, MST não fala apenas das viagens; relembra também a sua infância, episódios passados com a sua mãe, a grande Sophia, e há até espaço para textos consagrados a assuntos tão díspares como Winston Churchill ou aquilo que motiva um escritor a escrever.

Na prática, e como MST já nos provou diversas vezes que sabe escrever muitíssimo bem, este livro acaba por resultar bastante bem e torna-se, afinal, num livro que nos acrescenta algo depois de o lermos. Nada, nada mau.

Profile Image for João Miranda.
260 reviews10 followers
October 31, 2016
Depois de folheados alguns livros do género, confesso a minha admiração por este tipo de livro, repleto de crónicas e experiências pessoais. No caso de Miguel Sousa Tavares, fiquei adepto da sua teimosa forma de escrever livros sobre viagens e calor.

Num estilo semelhante ao "Não te Deixarei Morrer, David Crockett", é possível encontrar tanto mas tão pouco. Desde o Brasil, Croácia, Itália, Turquia, regressando ao nosso Portugal, através do Algarve e do Alentejo. Tudo em poucas páginas. Uma viagem à infância e ao ambiente das zonas banhadas pelo Mediterrâneo. Política, história, e ainda mais Mediterrâneo. Adepto desta escrita, porquê? É fácil; o clima mediterrâneo, calor, livros, viagens, vinho, peixe.

Gostei do toque histórico que adoptou, de tudo aquilo que o autor quer ajudar a passar, algo que não tinha feito no livro de crónicas anterior. Aconselho para quem gosta de tudo o que antes foi referido. Sinceramente, é de ficar à espera de mais.
Profile Image for Henrique Vogado.
252 reviews5 followers
July 30, 2015
Um livro pouco equilibrado. Gosto dos textos de viagem, deslumbramento pelo Mediterrâneo, as coisas boas da vida, o convívio com os amigos, o apreciar a comida, a forma como o autor é sensível ao que é belo da vida, aprendido com a mãe.
Por outro lado, coloca alguns textos de diário, meio desabafo, meio repetitivo, discursos em encontro de escritores onde fala de novo de alguns dos seu pensamentos. O que mais estranhei foi o colocar 2 capítulos sobre Winston Churchill e o Lawrence da Arábia, que parecem caír ali no meio para encher o livro.
O livro começa muito bem, na minha opinião e depois anda num sobe e desce de qualidade. Termina com mais um discurso. Esperava mais do livro que promete muito no início.
Gosto de um capítulo onde explica um churrasco de diversos peixes e outros petiscos que fiquei a salivar e a querer beber uma cerveja num belo terraço. Sobre o Mediterrâneo.
E a música boa não é só a clássica.
45 reviews1 follower
April 15, 2015
É o segundo livro de Miguel Sousa Tavares que leio e, apesar de não se tratar de um romance, não me desiludiu minimamente. No outro dia uma senhora desconhecida, que viu o título, perguntava - me sobre que falava o livro. Eu só lhe consegui dizer que era uma espécie de reflexão sobre a vida. ..
Creio que para se gostar deste livro, que contém reflexões pessoais sobre vários temas, é preciso gostar ou pelo menos ter em consideração o autor.
Há muitas ideias a reter deste livro, mas gostaria de salientar uma frase que foi dita pela mãe do autor e que o mesmo destaca pela importância que revela na sua vida: "Miguel, viajar é olhar". Esta frase, parece - me, é essencial para se perceber a visão do autor da vida, do mundo e das pessoas.
Profile Image for João Pereira da Silva.
5 reviews5 followers
June 13, 2018
Procurei por este livro do Miguel Sousa Tavares e encontrei um relato cativante de crónicas e pensamentos soltos!
E assim começo com este trocadilho fácil, “Não se encontra o que se procura” contém um conjunto de crónicas e pensamentos que nos fazem viajar pela vida do autor. Desde os seus relatos de viagens pela Europa, América e África, passando pelas suas memórias de infância em Lagos, todos eles são descritos de forma peculiar pelo Miguel Sousa Tavares.
Livro de uma simplicidade tremenda, tornando a leitura agradável.
Profile Image for Lightwhisper.
1,249 reviews3 followers
March 31, 2015
A mim, que li algo escrito por este auto pela primeira vez, fez-me viajar pelas palavras, bem escritas e delicadamente escolhidas, tratando-se de um diário tranquilo e com sensações boas.
Adorei a escrita, embora em alguns capítulos notasse uma certa pressa, que não conduz à fluidez e serenidade que preserva na sua essência.
Em todo dou-lhe 4/5 estrelas, pela profundidade e sentimento agradável que este livro proporciona.
Profile Image for Susie.
48 reviews4 followers
September 11, 2016
"Acredito, pelo que aprendi experimentando, que viver é largar e seguir em frente. Mesmo que em frente esteja apenas o incerto, o desconhecido, o não vivido. Aprendi também que vemos o que vemos, o que queremos ver e o que ninguém mais enxerga. Vemos tanto mais quanto a nossa disponibilidade de ver: viajamos para dentro de nós, primeiro que tudo."
" Há momentos assim na vida, em que nos sentimos tão próximos da beleza e da verdade que tudo o resto parece irremediavelmente fútil."
Profile Image for Ana Martins.
17 reviews
January 10, 2015
Muito bom! Porque lido num dia muito frio de inverno em Lisboa, o Miguel levou-me até Milna, ao Alentejo, ao Algarve. Senti- me mesmo lá, e se um livro nos faz viajar assim, então eu considero-o excelente. E também é um prazer ler um autor que não segue essa coisa chamada (des)acordo ortográfico. Recomendo vivamente e vou reler.
Displaying 1 - 30 of 38 reviews

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