A máquina que pensanarra a fascinante trajetória de uma fabricante de equipamentos para videogames que dominou o mercado de hardware para inteligência artificial e reinventou a computação.
Em junho de 2024, 31 anos após sua fundação, a Nvidia superou gigantes como a Microsoft e a Apple e se tornou a empresa mais valiosa do planeta. Por trás dessa ascensão extraordinária está o visionário CEO Jensen Huang, que apostou tudo na IA apesar dos poucos indícios científicos promissores. De forma inédita e com acesso exclusivo a Huang, seus amigos, investidores e funcionários, Stephen Witt relata o crescimento épico da empresa e de seu líder incansável, hoje uma das figuras mais influentes do Vale do Silício.
Essa é a história de um empreendedor determinado que desafiou Wall Street e, ao defender sua visão radical da computação, tornou-se um dos homens mais ricos do mundo; de uma revolução na arquitetura da computação e do pequeno grupo de engenheiros renegados que a tornaram possível; e do nosso futuro com a IA. À medida que um novo tipo de microchip desbloqueia avatares hiper-realistas, robôs e carros autônomos, e artes geradas sob demanda, Huang chama a IA de “a próxima revolução industrial”.
Leitura excelente que terminei hoje. O livro é um combo de biografia (do founder/ceo Jensen Huang), de história descritiva (da evolução da IA desde as suas causas até o que conhecemos hoje e o que nem conhecemos mas já existe) e de business book (comentando a estratégia da Nvidia como empresa mais importante do século e traçando vários paralelos com outros livros — The Innovators Dilemma, por ex).
Comprei pois comecei a cobrir o setor de tech/AI no trabalho, mas recomendo a leitura a todo mundo que se interesse por business no geral. O seguinte trecho resume a resposta clara que o livro traz sobre o motivo de a Nvidia ser a empresa mais valiosa do mundo hoje, mesmo estando nos “bastidores” da AI quando comparada a OpenAI, Anthropic e Alphabet (que oferecem os “produtos para venda direta”).
“Os produtos para venda direta ao consumidor são chamativos, mas muitos conhecedores de IA acreditam que o verdadeiro progresso está nas linhas de produto ‘invisíveis por default’. A adoção da IA em escala industrial resulta em redes de energia mais eficientes, cronogramas mais velozes para aeroportos …, e o efeito agravado é uma melhoria maciça e permanente da produtividade global. … E tudo isso, todo esse dinheiro, todo esse talento, toda essa inovação, passou por um único funil corporativo. Tudo passou pela Nvidia.”
O biografado sem dúvidas é muito interessante, e a pesquisa do autor foi extensa, entretanto parece biógrafo de primeira (ou segunda) viagem.
Essa é uma daquelas biografias que mascaram os defeitos de caráter e imperfeições do biografado, dando ênfase na sua aura visionária, excêntrica, única e heróica. Sinto que ao apenas enaltecer ou glorificar uma personalidade, colocando-a em um pedestal inalcançável, perdemos muito do ser humano real, com todas as suas qualidades e defeitos descritas de forma equilibrada, tentando ser imparcial onde precisa, mas também criticando os pontos ruins e errados da personalidade.
O autor não faz isso. Ele apenas cita causos e parece menosprezar esse lado do biografado, sempre tentando enaltece-lo.