Malca viveu setenta anos ao lado de Milton, mas um tombo o levou. Passado o luto, quem sabe os filhos a respeitem mais, ela possa conversar sobre o que a interessa e consiga reaver o controle não só da rotina, mas de suas memórias, de suas vontades e de seus pensamentos — muitas vezes de ousados e inquietos.
Em um estilo surpreendente, muito próxima e muito assertiva em relação a sua protagonista, Bruna Waitman apresenta uma personagem altiva e cativante. À beira dos noventa anos, Malca se dá conta de que a vida continua e que pode repensar a si mesma, sua relação com os outros e com o mundo lá fora, finalmente aberta uma nova e quiçá mais completa fase da existência.
Escritora revelação, com seu primeiro livro surpreendente! Daqueles que prendem a atenção, e te encantam com a narrativa do cotidiano bem escrita. Leitura fácil, sua escrita é por vezes impiedosa, e descreve uma rotina do luto que retrata uma fase pouco falada ultimamente na literatura: a alta velhice.
São poucas as boas protagonistas idosas nos romances que lemos. No livro de estreia da Bruna, pude ver em Malca um pouco de Delmina e de Ofélia, minhas avós, as mulheres mais impactantes da minha vida. Adorei como a personagem vai ganhando nuances durante a elaboração de sua viuvez, como a parceria com Leda vai se constituindo e também a boa sacada do final. Queria mais tempo com Malca.