Primeira leitura de Guimarães. A forma como o autor consegue fazer-nos sentir o sertão - ou, quiçá, o ser tão - é de uma precisão inevitável. Guimarães, neste obra, narra um ciclo perfeito, em início, meio e conclusão, sempre voltando à origem. O tal recado pode ser juntamente definido à mesma medida de quem o enuncia: o Morro da Garça. Em dado momento da obra, é narrado como os vaqueiros e tropeiros da região se relacionam com este morro. Em durante estradas, viagens, comitivas e travessias destes vaqueiros, surge uma suspensão no espaço-tempo, ou seja, passam-se dias, passam paisagens e ventos diversos, mas o Morro da Garça lá está sempre ao testemunho dos capins e pernas de estrada, sem se mexer. Ao mesmo passo, o Recado vai tomando forma conforme a viagem vai acontecendo. A travessia, o movimento, o estradar são os elementos que tangem as cordas da cantiga da vida.