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Ubu rei

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Edição ilustrada da obra que influenciou o surrealismo e o teatro do absurdo,  com tradução de Ferreira Gullar.


 


A estreia de Ubu rei, na Paris de 1896, foi um escândalo. Na peça, Alfred Jarry, seu autor, lança alguns importantes caminhos estéticos, grotescos e polêmicos, que seriam precursores de movimentos como o surrealismo e o teatro do absurdo. Não à toa, o poeta Stéphane Mallarmé, após assistir à primeira encenação da obra, decretou na “Jarry é poeta, e com este Ubu rei começa uma nova época.”


O humor ácido de Alfred Jarry ainda choca, não só pelos atos e falas controversos de seus personagens, mas também por sua atualidade. As figuras caricatas de Ubu rei ilustram perfeitamente governos fascistas que assombraram o século XX e que insistem em emergir no século XXI. Talvez, por isso, o fascínio pela peça persista no imaginário coletivo e as montagens sejam profusas. No Brasil, uma das mais famosas é a do Teatro do Ornitorrinco, de 1985, com direção e atuação de Cacá Rosset no papel de Pai Ubu, Rosi Campos como Mãe Ubu e figurino assinado por Lina Bo Bardi.


Esta edição da José Olympio conta com tradução de Ferreira Gullar, um dos maiores poetas da língua portuguesa. Gullar, ele mesmo um grande admirador da inventividade de Jarry, realizou esta tradução por vontade própria, sem encomenda. Seu gênio poético é perceptível nas tiradas cômicas e na transcriação dos neologismos, caros ao francês e a seu tradutor brasileiro. Cacá Rosset, outro entusiasta da irreverência de Jarry, assina o prefácio da edição, que se completa com capa e projeto gráfico do premiado estúdio de design Casa Rex.


 


“Jarry é poeta, e com este Ubu rei começa uma nova época” – Stéphane Mallarmé


“A maioria das traduções que fiz foi encomendada. Só o Ubu rei é que fiz por minha espontânea vontade.” – Ferreira Gullar


“Alfred Jarry foi um escritor como raramente se é. suas menores ações, suas traquinagens, tudo isso era literatura.” – Guillaume Apollinaire


“Ubu é o exercício do poder através da desqualificação explícita de quem o exerce.” – Michel Foucault

142 pages, Kindle Edition

About the author

Alfred Jarry

249 books262 followers
Alfred Jarry was a French writer born in Laval, Mayenne, France, not far from the border of Brittany; he was of Breton descent on his mother's side.
Best known for his play Ubu Roi (1896), which is often cited as a forerunner to the surrealist theatre of the 1920s and 1930s, Jarry wrote in a variety of genres and styles. He wrote plays, novels, poetry, essays and speculative journalism. His texts present some pioneering work in the field of absurdist literature. Sometimes grotesque or misunderstood (i.e. the opening line in his play Ubu Roi, "Merdre!", has been translated into English as "Pshit!", "Shitteth!", "Shittr!", "Shikt!", "Shrit!" and "Pschitt!"), he invented a pseudoscience called 'Pataphysics.

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Profile Image for Arthur Dantas.
32 reviews
November 23, 2025
Esta análise foi feita com base na tradução realizada pelos irmãos Duvivier, publicada pela Editora Ubu (daí vem o nome).

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Merdra!
É com essa palavra que inicia a peça, que, apesar de não parecer, é um sinal de rebeldia por parte de Alfred Jarry, seu autor —, um tapa com luva de pelica contra o já estabelecido na literatura e teatro francês.
Com inspiração evidente em Rabelais e Édipo Rei, Ubu Rei manteve-se relevante hoje. Na verdade — com ousadia eu digo —, Ubu Rei é mais relevante hoje do que nunca. O Ubu Rei/Pai Ubu (mesma pessoa) representa o líder, eleito ou não, porém, que movimenta massas, com o detalhe dele ser evidentemente incompetente, idiota, ignorante, egoísta, ruim. Para ele, não importa quem ou quantos tenham que morrer, mas somente que ele cresça em poder e fortuna. (Lembra algum ítalo-brasileiro ou alguém com maquiagem de doritos?)

Quando eu disse existir evidências claras de inspirações em Rabelais, eu cito algumas partes:
Rei Ubu/Rei dos dipsodos;
fazer um jogo de palavra com nomes (geralmente em sentido jogoso);
usar o corpo do urso para atacar a esposa/usar o corpo do vilão para matar soldados inimigos;
o constante uso de cu, merda e outros palavrões que não são usados como palavrões;
colocar no bolso;
o Rei Ubu comportar-se da mesma forma que Panurgo no livro 4, quando ele estava apavorado no navio (inclusive rezar), falando que todos iriam morrer e, depois que o perigo cessou, ele disse que tudo foi resolvido graças à ele, e que ele descansaria por todo o esforço empregado naquele momento (como foco na cena 6 do ato 4);
fazer piadas e todos os personagens em cena rirem;
finalizar com um poema.

Quanto ao Édipo Rei, a semelhança está no título.

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Os personagens são todos muito bem colocados; nenhum redundante ou desnecessário. Gostaria de falar de alguns deles:
a Mãe Ubu assemelha-se ao Pai Ubu em seu egoísmo e inculteza, porém, difere-se na sua noção, pois ela aconselha o Pai Ubu jogos políticos necessários para a permanência de seu poder, assim como seus aliado, o Capitão Bostadura. Esforços pelos dois são em vão, pois o mesmo faz o que dá na telha. Então, o Pai Ubu é osso duro de roer (como é expressamente dito na peça). Por conseguinte, podemos fazer analogia disso aos líderes que agem por impulso próprio, assim garantindo a própria ruína. Hitler e Napoleão invadindo da Rússia; Bolsonaro falando e assinando decretos sem a aprovação de sua equipe (advogados, ministros, etc); Trump impondo taxas absurdas contra seus parceiros comerciais.

No original em francês, tem uma cena que o Pai Ubu pula sobre um buraco e faz cair o Czar no mesmo, então o Pai Ubu comenta sobre seu físico de cavaleiro. Os dois irmãos que traduziram para o português, aproveitaram a chance e colocaram "pelo o meu histórico de cavaleiro"; uma clara referência ao Bolsonaro. Achei pertinente e uma adoção da tradução que não muda o sentido do original, mas que eu achei interessante comentar.

Porém, um erro existe na tradução: no ato 2, cena 1 (página 35), o Rei diz "Venha, Ladislau, venha, Brugrelau", sendo que era para ser "Venha, Ladislau, venha, Boleslau".

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O livro é em capa dura; as fontes usadas foram Nitida e Ordinaire; impressão e acabamento em Ipsis; folhas pólen bold bem grossas (90 g/m²); com ilustração, porém, elas não ficam juntas ao livro, mas sim em um compartimento à cada certo número de páginas. As imagens fotos, desenhos ou outros tipos de documentos, que representam a evolução da peça no decorrer das décadas. Pessoalmente, eu preferiria que fossem impressas como em um livro convencional, mas não julgo a escolha artística.

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Os textos complementares são muito bons. São eles:
—nota dos tradutores (pequeno texto dos tradutores sobre a tradução da presente edição);
—discurso de Alfred Jarry (discurso que foi dito durante as apresentações de 1896 da peça);
—Alfred Jarry apresenta Ubu Rei (texto que o público que assistiu a peça original teria acesso);
—a criação do Rei Ubu (relato pessoal do ator francês Firmin Gémier, que atuou em 1896 na peça, assim como em 1908, que ele mesmo dirigiu. Nas duas, ele foi o Pai Ubu);
—o falecido Alfred Jarry (relate pessoal de Guillaume Apollinaire, que encontrou por algumas vezes o Alfred Jarry, descrevendo-o com detalhes);
—happening Ubu (prefácio da tradução para o português de 1972, escrito por Otto Maria Carpeaux, traduzido por Ferreira Gullar);
—terror Ubuesco (excerto de uma aula de Michel Foucault, de 1975. Eu achei incrível esse texto);
—legendas completas dos encartes (a legenda que fica no verso de cada uma das imagens em um só lugar. Apesar disso, as imagens não foram colocadas novamente, somente as legendas).

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Comecei por volta de 21:05-21:10 do dia 21 de novembro, terminando a peça em 23:50 do mesmo dia e, no mesmo horário que terminei a peça, comecei os textos complementares, terminando 2:13 da manhã do dia 22. A demora deve-se também a pesquisa realizada concomitantemente com a leitura. (Falo de comparar tradução com o texto original, pesquisar nomes de poetas e termos acadêmicos usados nos textos complementares, assim como registrar livros citados.)
Portanto, é um livro curto, porém, rico.

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9/10.
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