A premissa do livro é interessante: apresentar a experiência de um casal, maioritariamente a da mulher, em tempos de ditadura, apenas por meio das observações do filho ainda pequeno, com tudo aquilo que ele consegue (ou não) interpretar a partir das pistas que a vida oferece. Acho bonita essa escolha narrativa, que nos permite ver apenas o que a criança vê, mas ao mesmo tempo nos convida a buscar as interpretações que ainda não estão ao alcance dela.
Como esse observador tem poucas informações em mãos, muitas coisas ficam nas entrelinhas ou sem total clareza. Isso, em si, não me incomodou tanto. O que senti, no entanto, foi uma falta de maior exploração da história, de mais camadas que sustentassem essa proposta. A leitura é simples e rápida, o livro é curto, e eu costumo esperar de narrativas breves um ponto forte que as sustente nesse espaço reduzido. Aqui, porém, senti que quase não havia nada que desse esse apoio.
Li com a expectativa de sentir mais na pele a experiência dessa criança, ou de encontrar alguma nostalgia da infância vivida nesse período do Brasil, ou ainda de desenvolver mais empatia pela mãe. Infelizmente, nada disso aconteceu. Tudo permaneceu distante, sem profundidade emocional suficiente para me envolver.
Para mim, foi um 4/10.