Amanda vive num teatro desde os seus 15 anos de idade e é uma das actrizes mais promissoras da companhia. Ansiosa por esquecer os tempos em que vivia, abandonada, num orfanato, prende-se às personagens que interpreta em cima do palco e é levada à loucura, num apregoar de paz e de liberdade de espírito de uma alma atormentada.
Um conto sobre a linha ténue entre a loucura e a sanidade, onde assistimos às várias facetas do ser-humano e os motivos que levam alguém a perder-se de si mesmo.
Capa: Ana Filipa Ferreira Revisão e edição: Ana Filipa Ferreira
Carina Rosa nasceu em Lisboa em 1986 e vive no Algarve. Passou grande parte da sua vida num ginásio e depois de ter integrado, como atleta, nas épocas de 2002-2004, a Selecção Nacional de Trampolins e Desportos Acrobáticos, participando em várias competições internacionais, descobriu na escrita uma outra paixão. Licenciou-se em Ciências da Comunicação pela Universidade do Algarve e trabalhou em jornalismo de imprensa, na rádio e televisão online. No entanto, a ginástica foi sempre a sua casa e é trabalhando com classes de formação gímnica que passa os seus dias, como técnica de Ginástica Acrobática. Considera-se uma apaixonada pelas artes e pela cultura, no geral, estabelecendo uma relação muito próxima entre a música, a dança e as letras. A escrita é uma paixão que tomou forma em 2012, ao publicar o seu primeiro romance O Intruso. Desde então tem-se dedicado a escrever diversos romances, uns mais leves, outros com um carácter mais denso, entre histórias contemporâneas e policiais, os seus géneros favoritos. Gosta de abordar as diversas relações com um balanço entre o realismo e o drama. Em 2013, deu a conhecer aos leitores As Gotas de um Beijo. De momento, tem um romance policial prestes a sair. A Sombra de um Passado é a sua terceira obra publicada.
Nunca li nada de Carina Rosa, confesso até que desconhecia a autora até sair o novo livro pela Coolbooks. O conto "Olhos de Vidro" foi a minha estreia e confesso que gostei mesmo muito deste conto. Intenso, profundo, capaz de nos levar a sentir o desespero de Amanda e a sua demência psicológica.
Até soube pouco! Nem sou muito de contos (gosto mais de novellas) mas achei este conto brutal. Pela sua intensidade e carga psicológica e pela forma como a autora conseguiu enquadrar as personagens. E a escrita? Que evolução! Intenso. Trágico. Teatral.
A verdadeira jóia da escrita da Carina Rosa são os diálogos. São humanos, inteligentes, intuitivos e muito realistas. Já vi escritores muito “maiores” torcerem-se por um pedaço disto, que parece que lhe sai com muita naturalidade. (Ocorrem-me os diálogos ocos do Hemingway, por exemplo, sendo que também há quem diga que ele é exímio a escrevinhar conversações, enfim, gostos). Os diálogos são sempre dignos de se apreciarem, fazem as páginas voar e contam a história melhor do que qualquer “tell”. Em Olhos de Vidro fala-se de uma crise de identidade de uma jovem de 22 anos, resgatada de um orfanato para os palcos do Teatro Maria II, onde é a “musa” daquele que penso ser o director (este pormenor escapou-me). Explora-se aqui o estado de confusão mental de uma jovem incapaz de distinguir a realidade do fictício, porque nunca teve vida fora do palco, e porque, emocionalmente, está desgastada pelas inúmeras personagens que tem encarnado. Graficamente, a imagem que este pequeno conto nos imprime na mente é tão bela quanto trágica: a beleza extrema aliada à catástrofe tendem a funcionar na literatura, como em todas as artes. Vale muito a pena seguirmos mais este degrau no crescimento desta autora tão promissora.
Não sou grande fã de contos pois acho que quando entro no espirito, eles acabam logo. Tendo em conta este pormenor posso dizer que gostei deste conto, apesar de bastante trgico, apreciei a escrita e a ideia por trás da história
A minha estreia com a autora e com um ebook :) Os contos não são o meu género, mas gostei imenso de "Olhos de vidro", um conto trágico, intenso, de leitura rápida e muito bem escrito, em que somos confrontados com a dor e o desespero de Amanda, na sua luta demente para fugir aos papeis das personagens que interpreta, enquanto procura a sua própria identidade, a sua alma... O final é brilhante!
"Olhos de Vidro" é um conto extremamente intenso e vibrante que nos agarra de tal forma que só conseguimos parar a leitura depois de o terminar! Adorei! Adorei a forma como a autora nos conta a história de Amanda, como nos transporta para o mundo dela e da sua demência. Carina Rosa tem sem dúvida um ponto forte ao trabalhar personagens problemáticas deixando o leitor completamente rendido ao seu talento.
Em primeiro lugar, obrigada à Carina por ter disponibilizado este e-book de forma gratuita e à Silvana do Por detrás das palavras por me ter recomendado este conto. Esta foi a minha estreia com a autora e fechou o meu ano de 2014 com uma nota bastante positiva. Confesso que realmente este conto possui várias características que eu aprecio imenso em livros: é intenso, trágico e tem uma forte vertente psicológica. Para além disso, está bem escrito e a Carina conseguiu tranasmitir muito bem a confusão e desespero da personagem principal. Estive indecisa entre as três e as quatro estrelas porque cheguei ao final com uma sensação de insatisfação, de que "queria mais". Contudo, optei pelas quatro estrelas porque esta sensação está associada ao meu hábito irregular de leitura de contos e não ao conto em si. Recomendo a leitura.
Adorei o conto , primeiramente achei confuso mas á medida que ia lendo , fiquei apaixonado pela escrita da autora .. Nunca tinha lido uma tragédia e foi certamente o livro correto para começar . Gostei muito da maneira como a Amanda foi interpretada e que final trágico !
Este conto é a prova que para se escrever é preciso ter talento, não basta escrever umas palavras atrás das outras e pronto, está feito. Estou deslumbrada como em tão poucas páginas Carina Rosa consegue apresentar uma personagem tão complexa, tão profunda e tão... fascinante. Em meia dúzia de frases já estava completamente agarrada a esta Amanda, perdida entre ela própria e todas as personagens a que deu vida, perdida entre o ser e o não ser. Achei a história super bem construída, emocionante e teatral. Forte. Nunca tinha lido nada desta autora, mas fiquei verdadeiramente surpreendida e gostei bastante. Devidamente irei cuscar mais coisas da autora.
um conto forte, intenso que nos transporta para uma história que poderia ser de qualquer pessoa, um amor incondicional pela representação que se entranha de tal forma na pele que se confunde com a realidade. adorei conhecer a escrita da Carina, consegue transmitir-nos todas as nuances de sentimentos confusos, contraditórios, arrebatadores, explosões temperamentais que tantas vezes associamos a uma profissão onde um actor é envolto numa espiral de personagens diferentes a cada novo trabalho podendo perder-se na intensidade do seu trabalho.
Amanda é uma miúda que deixou o orfanato aos quinze anos e foi acolhida num teatro, tornando-se uma das melhores actrizes com o passar dos anos.
O conto tem a dimensão necessária para nos manter interessados e curiosos com a personagem Amanda. A escrita da autor é bonita e fluída, das coisas que mais gostei. Adorei o final! Adorei a forma como a autora nos conseguiu deixar envolvidos em tão poucas páginas.
Com três livros publicados, e o mais recente pela Coolbooks, Carina Rosa disponibiliza gratuitamente e a partir de hoje Olhos de Vidro, um conto sobre a “linha ténue entre a loucura e a sanidade” no universo do teatro e os motivos de “que levam alguém a perder-se de si mesmo”.
Atualmente é muito fácil ver um novo escritor graças às novas ferramentas digitais colocadas à disposição. Há, por vezes, demasiadas formas de publicar um manuscrito guardado numa gaveta e são muitos os que o fazem. Há consequências positivas e negativas neste ato: muito lixo acaba por ver a luz do dia e algumas histórias de qualidade também. Torna-se necessário saber mostrar o produto, ter uma lógica de marketing para um novo escritor ver a luz do dia e ser reconhecido pelos leitores portugueses. Carina Rosa apareceu de mansinho, já neste universo literário de autopublicação, e conquista aos poucos um bom número de leitores com as suas histórias.
Começou há dois anos atrás com O Intruso, publicado pela Chiado Editora, para depois passar pela Alfarroba, com As Gotas De Um Beijo, e lançar mais recentemente A sombra de um passado. A Coolbooks, chancela da Porto Editora, é uma aposta em dois universos: dos novos escritores e dos ebooks. O livro digital é comum em outros países mas, infelizmente, está longe de chegar a essa normalidade em terras portuguesas. No entanto, e para agrado de muitos, são lançadas, em pouco tempo de intervalo, obras de novos escritores – e promissores talentos nacionais na literatura. Carina Rosa começou por me chamar a atenção pela capa d’A sombra de um passado. No meio de todas os novos lançamentos da Coolbooks, foi uma das que me chamou a atenção e despertou curiosidade pelo possível romance e humanidade nas suas personagens. leitura desta obra acontece em breve mas debruço-me, em primeiro lugar, pelo conto Olhos de Vidro.
Confesso, não sou fã de contos, li esta história com o objetivo de acumular mais umas páginas à minha maratona literária e me habituar um pouco aos ebooks… Simplesmente fiquei deliciada, como é que um texto com apenas 20 páginas, pode atingir o leitor de tal maneira, que praticamente ficam sem fôlego quando o terminam…
Uma atriz, que depois de interpretar várias personagens, fica pressa de uma forma tão obcecada ao seu último papel, que o próprio leitor acaba por ficar, também um pouco paranoico, perdendo a noção do que é real e o que é ficção…
Quantos de nós já não tentamos na vida real, interpretar um papel que não o da nossa essência? Quem já teve essa experiencia, sabe que não é fácil, “encarnamos” aquilo que não somos, muitas das vezes vivemos de tal maneira reprimidos com esse guião que perdemos por completo a realidade das nossas vidas, levando-nos por um abismo cada vez mais fundo…
A minha primeira aventura com a Carina Rosa foi com este conto. E que conto! Acho que fui apanhada bem desprevenida pois não estava mesmo nada à espera de algo tão pouco abonatório para esta altura do ano. Apesar da surpresa, foi uma leitura que me deixou com um sorriso de choque e sadismo no final.
Amanda não consegue separar a linha ténue entre a realidade da sua vida e a da personagem de ficção Milena que dá corpo, e aparentemente toda a sua alma. Demente, intensa e trágica, assim defino Amanda.
De fácil leitura o leitor irá envolver-se num mundo de fantasiado por Amanda, mundo esse tão real para aqueles que perdem a sanidade. A comunhão entre a loucura intermitente que Amanda encontra nas personagens que encarna e o constante mundo real que aos poucos se degrada, torna esta obra um verdadeiro mistério! O limite é uma palavra que Amanda não conhece e que por conseguinte a coloca em desafio total! Estará Amanda a perder a sua lucidez ou a ganhá-la com a sua persistência? Será o mundo dela as outras personagens?
Enquanto escritores vestir a pele de muitos personagens é algo que também nos é requerido. Estes diferentes disfarces por vezes tornam difícil distinguir quem realmente estamos a pôr no papel: nós próprios ou uma outra versão criada por nós?
Gostei de ler este conto de Carina Rosa porque consigo identificar-me com alguns aspetos da vida personagem principal e acho que para qualquer leitor sentir um certo tipo de relacionamento com a história é importante.
Tenho pena que este mini-livro tenha poucas páginas, mas sem dúvida alguma que me tornei fã da autora. Dou os meus parabéns, porque está muito bem escrito e consegue com que entremos na cabeça de Amanda. Recomendo a leitura.
Este pequeno conto está bastante interessante! :) Gostei e foi a primeira vez que fiz de beta-reader a algo escrito pela Carina Rosa! :) Obrigada pela oportunidade!
Gostei imenso. muito drama e muito sofrimento. Amanda apenas em poucas páginas mostrou ser uma personagem intensa e com um background cheio de mágoa e sofrimento.
Não sendo o primeiro conto ou trabalho de Carina Rosa que leio, sabia que o que me esperava seria, certamente, uma história muito bem escrita. Tal não me desapontou, e é um gosto enorme quando vemos os nossos a escreverem com este calibre. No entanto, não foi suficiente para eu conseguir apreciar a leitura de Olhos de Vidro. Não gostei da personagem principal, Amanda, e tive a sensação de estar a ler um guião de uma novela, com as situações clichés e esperadas daqueles ambientes. O que não é propriamente mau... mas eu não gosto de novelas. A caracterização de Amanda não me convenceu, e embora todo o imaginário do conto seja bastante bonito, acabou por se revelar uma leitura bastante morna e não ter o impacto que esperava.
A autora mostrou muita mestria na elaboração deste conto. O português é exemplar, e um texto que me agrade tem de ter um português assim. A personagem principal estava muito bem construída. Apreciei muito a sua loucura, o modo como a realidade se confunde com a ficção do texto de teatro que a personagem trabalha. Pergunto se a autora já terá lido "Inverness" de Ana Teresa Pereira, um livro com uma temática muito semelhante. Quem me conhece sabe o que eu gosto de Ana Teresa Pereira, e a Carina conquistou-me com um conto que me fez lembrar a autora, mas totalmente independente. Os textos da Ana Teresa Pereira criam um ambiente que, intimamente lhe chamo de nevoeiro. A Carina, pelo contrário, foi muito luminosa. Mesmo assim houve aspectos que me agradaram menos. Começo pelo título do conto e a sua relação com a personagem. Percebo a metáfora como a loucura da personagem, a sua cegueira que a torna incapaz de ver a realidade... mas mesmo assim, "olhos de vidro" fazem-me precisamente lembrar próteses oculares. Por outro lado, esta personagem também não necessitava daquele passado menos feliz para ser assim. A confusão que fazia entre realidade e ficção era o bastante. E quantas vezes não são as pessoas que em jovens foram menos felizes os adultos mais resilientes e perseverantes? Logo de início, em menos de um parágrafo, dá-nos de rompante a descrição física da personagem. O texto é pequeno, não precisamos de toda aquela informação. Aliás, a informação depois não é utilizada, por isso não é importante. Só os olhos foram importantes ao longo de todo o texto.
"Personality is the most important thing to an actress's success." - Mae West
Li este conto antes do Natal e só agora consegui vir cá escrever umas palavras.
A citação de Mae West integra-se bem neste conto. É uma história que se liga bastante ao lado psicológico, ao lado mais profundo de uma paixão que chega a raiar a loucura - neste caso, uma profissão ou uma forma de viver e de ganhar a vida - quando deixamos que a mesma se apodere de nós, ou quando deixamos de ter algum controlo, ainda que ilusório, sobre ela. A sinopse está bastante interessante e diz tudo o que poderia abordar aqui: a perda de identidade, os receios de quem representa - estava a tentar recordar-me de outra citação sobre a loucura e representação, mas não estou a conseguir... fica para outra altura.
Ao ler este conto associei-o de imediato ao filme "Black Swan", protagonizado por Natalie Portman, também versado na arte da representação.
Num registo adulto, dramático, com uma escrita maravilhosa, a autora surpreendeu-me. Ainda estive entre as três e as quatro estrelas, mas apercebi-me de que não posso "cascar" só porque gostava de a ver noutro registo. Depois de ter lido quase todos os publicados e os que ainda aguardam publicação, seria fantástico ver um registo mais leve, mais engraçado e menos dramático. A Carina Rosa tem tudo para se tornar um camaleão, basta experimentar e sair da zona de conforto se assim o quiser.
Fiquei extremamente surpreendida com esta história; é trágica e tem contornos sombrios, o que me agradou imenso. Dá para perceber que a autora teve uma grande evolução na sua escrita e o conto, apesar de toda a carga dramática, é muito agradável de ler e deixa-nos a desejar mais.
A autora conseguiu transmitir com grande mestria o desespero de Amanda e torná-la numa personagem forte, perdida nas personagens que interpreta e perigosa para si própria. O desfecho é trágico e não poderia ser mais perfeito.
:) um conto muito intenso e dramático. apesar de não ser o genero onde me sinto mais confortável a curiosidade falou mais alto a fim de saber como terminava.
este conto fala-nos de Amanda, uma jovem actriz, que apresenta sinais inequivocos de perda de identidade. o seu "eu" real mistura-se com todos os personagens representados. a autora consegue (conseguiu no meu caso) transmitir a dor do personagem e o seu desespero para ter o seu grande amor e de nos emocionar-mos com essa sua luta. o final é o apelo libertador de uma mente nada sã.
como referi, não é o meu genero de eleição, mas mesmo assim gostei de ler. :)
Relativamente à história em si, achei que a loucura da protagonista estava muitíssimo viva. Sentia-se a sua loucura, desespero e amor. Foram ingredientes que fizeram a personagem e que se sentiram desde o início da narrativa e em cada palavra que Amanda utilizava. Apesar de não ter uma história muito longa ou aprofundada, esta loucura inerente foi o grande ingrediente do conto e foi essa loucura que “o fez”.
Um conto muitíssimo bem feito e em que se sente o desespero e loucura da personagem. Aconselho!
Gostei bastante deste conto, que nos fala sobre a Amanda, uma actriz de teatro exímia.
Amanda é uma mulher que viveu num orfanato até os seus 15 anos, altura em que foi para o teatro, onde descobriu um protector e o seu lar. Incomodada por achar não ter uma identidade própria, ela mergulha de corpo e alma em todos os papéis que aceita representar, e isso fez dela a melhor actriz da casa. Mas agora passados tantos anos ...