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Anarquistas, gracas a Deus

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Paperback

Published January 1, 1982

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Zélia Gattai

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Zélia Gattai Amado (São Paulo, 2 de julho de 1916 — Salvador, 17 de maio de 2008) foi uma escritora, fotógrafa e memorialista (como ela mesma preferia denominarse) brasileira, tendo também sido expoente da militância política nacional durante quase toda a sua longa vida, da qual partilhou cinquenta e seis anos casada com o também escritor Jorge Amado, até a morte deste.
Filha dos imigrantes italianos Angelina e Ernesto Gattai, é a caçula de cinco irmãos. Nasceu e morou durante toda a infância na Alameda Santos, 8, Consolação, em São Paulo.
Zélia participava, com a família, do movimento político-operário anarquista que tinha lugar entre os imigrantes italianos, espanhóis, portugueses, no início do século XX. Aos vinte anos, casou-se com Aldo Veiga. Deste casamento, que durou oito anos, teve um filho, Luís Carlos, nascido na cidade de São Paulo, em 1942. Leitora entusiasta de Jorge Amado, Zélia Gattai o conheceu em 1945, quando trabalharam juntos no movimento pela anistia dos presos políticos. A união do casal deu-se poucos meses depois. A partir de então, Zélia Gattai trabalhou ao lado do marido, passando a limpo, à máquina, seus originais e o auxiliando no processo de revisão.
Em 1946, com a eleição de Jorge Amado para a Câmara Federal, o casal mudou-se para o Rio de Janeiro, onde nasceu o filho João Jorge, em 1947. Um ano depois, com o Partido Comunista declarado ilegal, Jorge Amado perdeu o mandato, e a família teve que se exilar.
Viveram em Paris por três anos, período em que Zélia Gattai fez os cursos de civilização francesa, fonética e língua francesa na Sorbonne. De 1950 a 1952 a família viveu na Checoslováquia, onde nasceu a filha Paloma. Foi neste tempo de exílio que Zélia Gattai começou a fazer fotografias, tornando-se responsável pelo registro, em imagens, de cada um dos momentos importantes da vida do escritor baiano.
Em 1963 mudou-se com a família para a casa do Rio Vermelho, em Salvador, na Bahia, onde tinha um laboratório e se dedicava à fotografia, tendo lançado a fotobiografia de Jorge Amado intitulada Reportagem incompleta.Aos 63 anos de idade, começou a escrever suas memórias. O livro de estreia, Anarquistas, graças a Deus, ao completar vinte anos da primeira edição, já contava mais de duzentos mil exemplares vendidos no Brasil. Sua obra é composta de nove livros de memórias, três livros infantis, uma fotobiografia e um romance. Alguns de seus livros foram traduzidos para o francês, o italiano, o espanhol, o alemão e o russo.
Anarquistas, graças a Deus foi adaptado para minissérie pela Rede Globo e Um chapéu para viagem foi adaptado para o teatro. Baiana por merecimento, Zélia Gattai recebeu em 1984 o título de Cidadã da Cidade do Salvador.
Na França, recebeu o título de Cidadã de Honra da comuna de Mirabeau (1985) e a Comenda des Arts et des Lettres, do governo francês (1998). Recebeu ainda, no grau de comendadora, as ordens do Mérito da Bahia (1994) e do Infante Dom Henrique (Portugal, 1986).
A prefeitura de Taperoá, no estado da Bahia, homenageou Zélia Gattai dando o nome da escritora à sua Fundação de Cultura e Turismo, em 2001.
Em 2001 foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, para a cadeira 23, anteriormente ocupada por Jorge Amado, que teve Machado de Assis como primeiro ocupante e José de Alencar como patrono. No mesmo ano, foi eleita para a Academia de Letras da Bahia e para a Academia Ilheense de Letras. Em 2002, tomou posse nas três. É mãe de Luís Carlos, Paloma e João Jorge. É amiga de personalidades e gente simples. No lançamento do livro 'Jorge Amado: um baiano romântico e sensual, em 2002, em uma livraria de Salvador, estavam pessoas como Antonio Carlos Magalhães, Sossó, Calasans Neto, Auta Rosa, Bruna Lima, Antonio Imbassahy e James Amado, entre outros.
Ao lançar seu primeiro livro, Anarquistas graças a Deus, Zélia Gattai recebeu o Prêmio Paulista de Revelação Literária de 1979. No ano seguinte, recebeu o Prêmio da Associação de Imprensa, o Prêmio McKeen e o Troféu Dante Aligh

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Profile Image for juu!! ꩜.
46 reviews
May 3, 2026
Anarquistas, graças a Deus ;
★★★ (3.5 na verdade)

"A amizade de infância ficou para trás. Patrão rico esquece o passado" — Zélia Gattai, página 192.

Queria começar comentando como descobri esse livro sem querer, e iniciei minha leitura de forma mais aleatória ainda: até ano retrasado, fazia parte das leituras obrigatórias exigidas pela escola, mas bem na minha vez de consumir esse livro, a professora de história não o pediu de nós. No entanto, já tinha o em minhas mãos — e como uma ávida leitora e futura historiadora — não deixaria essa oportunidade passar em vão. Por isso, comecei a o ler sem nem entender direito do que se tratava ou o contexto exato no qual o anarquismo estaria inserido.

Descobri, logo cedo na leitura, que o foco principal do romance não era a ideologia e nem sua prática — mas o cotidiano de uma família de imigrantes italianos anarquistas, que seguiram os padrões aprendidos durante as aulas de história: o incentivo do país à trazer trabalhadores de fora para atuarem em, inicialmente, fazendas de café, para mais tardiamente formarem os famosos bairros operários de São Paulo.

Fiquei muito contente em poder enxergar o movimento operário de outra perspectiva, por meio das experiências de quem realmente viveu o período — com os Gattai inseridos em um contexto socioeconômico que não é amplamente retratado nos livros didáticos. Paralelamente, havia feito um trabalho referente aos proletariados revolucionários paulistanos, então a leitura tornou-se ainda mais imersiva quando reconheci as greves feitas, ou até mesmo as reuniões anarquistas nas Classes Laboriosas (assumo eu que as tais possam ser tratadas também como associações operárias).

De qualquer maneira, me diverti muito vendo a família Gattai se desenvolver, com momentos de altos e baixos. A mudança era constante em seus cotidianos, com filhas casando, funcionários sumindo de suas vidas (por onde será que Maria Negra andou depois que se mudou?), e até mesmo maridos sofrendo acidentes horríveis, mas felizmente sobrevivendo ao final. Falando em seu Ernesto, ele com certeza foi um dos personagens dos quais mais gostei — além de ser um anarquista genuíno, tinha uma relação incrívelmente querida com Zélia, me lembrando em momentos, àquela que tenho com meu próprio pai. Adicionalmente, todos os personagens (ou pessoas, afinal, todos retratados eram indivíduos reais) tiveram suas personalidades representadas de forma icônica, complementando a individualidade já existente dentre os integrantes mais íntimos da casa dos Gattai.

Outro detalhe bastante interessante para mim foi observar as contradições da ideologia com o tempo vivido — tanto por que eram pessoas avançadas, com o pensamento além de seu tempo; mas também por conta de certas restrições que dentro de um contexto progressista não caberiam ao que era pregado pela tese anarquista propriamente dita. Tinhamos, por exemplo, Angelina repudiando o movimento feminista quando sua crença sugeria que todos viveriam de forma igualitária, sem a presença 'esmagadora' do Estado. Enfim, tentaram seu melhor, mas existiam (e ainda existem) certos costumes impostos na forma de cultura que limitam o ser humano naturalmente.

Houveram duas coisas no livro que não me agradaram tanto assim: a primeira delas eu já deveria ter aprendido, mas eu realmente não gosto de biografias e as acho entediantes depois de alguns capitulos (mesmo assim, continuo a consumi-las). Além disso, as datas e a passagem do tempo foram aspectos um pouco confusos durante a leitura — em certos momentos tive de parar e me perguntar quantos anos haviam passado e como não havia notado que Zélia não era mais uma criança e sim uma adolescente na passagem de alguns poucos capítulos. Apesar disso, foi uma ótima experiência conhecer mais sobre um tópico que adoro (a exploração do proletariado e o anarquismo por si só) de uma forma mais leve — mas ainda permitindo enxergarmos o Brasil no século vinte por meio do olhar daqueles que realmente viveram esses anos.

Por último, deixo aqui um questionamento: QUEM QUEBROU O DISCO DE ANGELINA, NO FINAL DAS CONTAS?????
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