"O nosso verdadeiro nome comum era Nasi, o que significa príncipe. Infelizmente, desde aquela época, já não éramos príncipes, mas sim proscritos."
Perseguida pela Inquisição, Beatriz de Luna, ou Gracia Nasi, nascida em Lisboa em 1510, é a mulher judia, jovem viúva de um banqueiro português (Francisco Mendes), que, herdeira de uma poderosa fortuna, vai pôr em marcha um dos mais impressionantes episódios da Europa seiscentista. Enfrentando o ódio dos Habsburgos e dos Papas, que a perseguem até à Palestina, ela é a força que irá proteger os cristãos-novos espoliados da Península Ibérica, à cabeça de um império comercial que, tal como o dos Fugger ou o dos Médicis, vergava a cabeça a reis, embaixadores e aristocratas. Expulsa sucessivamente de Lisboa, Antuérpia, Veneza e Ferrara (onde manda imprimir a primeira Bíblia traduzida para ladino — a célebre Bíblia de Ferrara), A Senhora personifica o êxodo singular dos Marranos, no contexto dos conflitos políticos, comerciais e religiosos da era humanista, num teatro onde se encontram as três grandes religiões do Livro, bem como o Oriente e o Ocidente. Uma das obras mais vendidas em França durante 1992, A Senhora é um notável romance histórico onde, tal como escreveu o Magazine Littéraire, "o mundo mediterrânico ressuscita com a luz, os seus perfumes, o esplendor e a desgraça dos marranos".
Catherine Clément (born February 10, 1939) is a prominent French philosopher, novelist, feminist, and literary critic. She received a degree in philosophy from the prestigious Ecole Normale Supérieure, and studied under such luminaries as Claude Lévi-Strauss and Jacques Lacan, working in the fields of anthropology and psychoanalysis. A member of the school of French feminism, she has published books with writers Hélène Cixous and Julia Kristeva.
Admito: as minhas expectativas eram altas em relação a este livro. Talvez por isso toda a história tenha ficado um bocadinho aquém do que estava à espera. No entanto, não posso deixar de salientar que a forma de escrever da autora é bastante boa. De facto, este é daqueles livros que, apesar do número de páginas, se lê bastante bem. Catherine Clément consegue escrever com um bom ritmo que não cansa nem enjoa.
Também gostei deste livro por toda a conjuntura social e política da Europa que a autora consegue inserir na narrativa. Não deixa de ser muito interessante "passearmos" pela Europa quinhentista (e não seiscentista como está escrito na capa da edição que li, já que a história se desenrola ao longo de mil e quinhentos) totalmente dominada pelos Habsburgos (especialmente Carlos V) e pelas cidades, cada uma mais importante e mais bela que a anterior: Lisboa, Antuérpia, Veneza, Istambul.
Devo igualmente dizer que apreciei bastante o forma teatral como a história é contada: pareceu-me estar a assistir a uma peça de teatro, na qual um ancião vai relembrando toda a sua vida e por onde vão deslizando as diversas personagens que nela participaram.
Enfim... Não deixa de ser um livro interessante, quanto mais não seja para nos apercebermos da importância histórica da personagem D.Gracia Nasi, uma mulher de coragem e de grande cálculo político e comercial.
J'ai trouvé intéressant le contexte historique sur cette partie assez méconnue de l'histoire. J'ai appris beaucoup de choses. Malgré tout, je n'ai pas réussi à m'attacher aux personnages, je trouve que certains sont des caricatures. Malgré tout ce qu'ils ont vécu et un début de roman très prometteur, je n'ai ressenti aucune émotion en tournant les pages. Je n'ai pas frémi, je n'ai pas vraiment vibré. Je n'avais pas spécialement envie de connaître la suite à la fin de chaque chapitre. Je suis contente de l'avoir lu car ce livre m'a fait voyager et j'ai appris des choses, mais je n'ai pas été "transportée".
Gracia Mendes ou Gracia Nassi, (1510-1569), conhecida também simplesmente como A Senhora (La Señora), foi uma empresária portuguesa, filantropa, protetora de outros portugueses de religião judaica que como ela fugiram de Portugal no século XVI. Gracia salvou centenas de cristãos-novos e marranos da morte e das perseguições anti-semitas. A sua benevolência para com os outros judeus sefarditas ficou especialmente patente em Antuérpia, para onde foi viver depois de deixar Lisboa. Cidades seguintes na sua fuga às perseguições que lhe foram movidas foram Veneza, Ferrara e finalmente Constantinopla. Seu nome verdadeiro Gracia Nassi, essa jovem e atraente herdeira de uma imensa fortuna, inimiga dos Habsburgos, dos papas e da República de Veneza, encarna também o orgulho e a dor dos marranos, judeus conversos, para quem ela se tornou uma figura lendária, e cuja existência épica e romântica Catherine Clément recria neste romance histórico. No coração do Ocidente dilacerado pelo ódio religioso e pelos conflitos políticos, vai organizar redes destinadas a fugir dos perseguidos e vítimas da intolerância. Antes de pagar caro pela proteção de Istambul, ela patrocinou a Bíblia de Ferrara, a primeira Bíblia em judaico-espanhol, um magnífico emblema que foi dedicado a ela e a fez entrar para a história. A Senhora e o seu sobrinho Juan Micas são os heróis deste romance, que combina aventuras amorosas, disputas teológicas, e influência política, bem enquadrados nos principais eventos da época.
Interesse/comoção: 2 Escrita e estrutura: 3 Aprendizagem: 3
- O meu ano livreiro termina com uma desilusão. Não houve personagem que se aproveitasse; a Senhora revelou-se uma fanática apática que sai triunfante de cada sarilho por ser bonita e rica... e, depois, a revelação das suas motivações nada melhora. + Salva-se a viagem histórica e geográfica, proporcionada por uma escrita fluída e competente.
Catherine Clément, tem um dom. Mesmo quando falha o alvo, como neste A Senhora, ainda assim, é muito boa. Esperava mais. Os ingredientes estavam todos lá, o talento da escritora é indiscutível, mas, A Senhora está muito aquém de Por Amor da Índia que é o meu (seu) texto de referência. Li uma versão electrónica, traduzida para português do Brasil, francamente má. Fiquei curioso de comparar com a versão impressa, não é possível ter feito um trabalho tão torpe, nas construções gramaticias e na ortografia. Talvez um desses programas automáticos de tradução e conversão...
I liked the story and especially the history and historical period. I would give it 3.5 stars as the character development is weak and the way the tale is told is not particularly gripping.
"Beatriz era a Senhora deles. Tornara-se a Senhora. "
"É que não se imagina o quanto nós éramos pobres de espírito. (...) Não podíamos abrir os livros sagrados sem risco: eles permaneciam, pois, escondidos nos armários e só raramente saíam. "
"...não há maior prova do poderio dos Nasi do que essas sementes que ela lançava ao passar, e que, germinando como espigas, fizeram uma parte da sua glória."
"...não tínhamos no mundo nenhuma terra que nos pertencesse mais do que aquela [terra santa], onde estavam também os beduínos. E se em Istambul, os turcos viviam ao lado dos cristãos e dos judeus, não poderia ele admitir que vivessem juntos, e em paz, os beduínos com seus rebanhos e as amoreiras dos colonos judeus?"
Really really interesting and historian and cultural and intellectual. It had really strong characters voices to tell the story, and the charaters were well put together. I really learn a lot, and the story is sooooo well craft. A classic ,really. But it just didn't make me feel much, I was not inspired by the character or attached to them. It did't make me sad or happy. It kind of make mad the way the Jewish and woman were treated back then. And it would take me sooo long to read if I didn't had a plane ride to catch up to it. If you really like history it is really great book. However, I like to judge a book about how it make me feel and how I enjoy it and so for that I give it a 3.5.