Do que é feita uma identidade? De quantos erros, contradições, mudanças ideológicas? Thiago Souza de Souza nos mostra no seu segundo romance a jornada de Fanta, começando pela infância dedicada à Igreja, passando por uma juventude de cineasta subversiva que deságua, já adulta, em se tornar ministra de um governo de extrema-direita.
Neste livro multifacetado, a jornada de uma mulher enigmática — dividida entre a religiosidade e uma produção artística radical — se mescla com a do tio, internado compulsoriamente por alcoolismo, e a do filho, que, como ela, lida com uma exposição indevida na internet.
Nesta trama, repleta de complexidades e espelhamentos, Thiago Souza de Souza trabalha com temas candentes de maneira única, evitando maniqueísmos e julgamentos fáceis. Um romance delicado sobre como as vidas são moldadas também pelos erros que cometemos.
"Um dos livros mais originais e sensíveis da literatura brasileira contemporânea." — Carol Bensimon
se a arte corrige a vida, como dizem, o que digo é que gosto mais dos artistas que, podendo corrigir a vida, escolhem não fazê-lo. é mais difícil, porque não nos dá a chance de olhar para outra coisa a não ser o buraco em que nos metemos. mas é necessário, se quisermos fazer da vida não um trabalho a ser corrigido ou um exercício de correção, e sim algo autêntico e aí quem sabe significativo.
Leitura truncada (“trama fragmentária”, como descrito na contracapa), difícil, mas nem por isso menos impactante. 4 personagens, 3 vozes e é preciso ir até o fim do livro para preencher as inúmeras lacunas. Não que haja um mega plot twist (até existe uma revelação surpreendente ao final); mas os personagens vão se revelando em suas diversas camadas (as mais profundas, especialmente) à medida em que os fatos vão sendo por eles contados. Dá pra comparar com um quebra-cabeças complexo e profundo. Amei.