Estou dando continuidade nas postagens anteriores, com o trabalho de pesquisa do período medieval, sigo com o belíssimo material realizado por Jacques Le Goff; "Para uma outra idade média - tempo, trabalho e cultura no ocidente". Firme no propósito em fazer leituras de livros no qual obtive contato de modo parcial (xerox de capítulos) no período acadêmico, e também possibilitando novos conhecimentos de materiais técnicos disponíveis no mercado editorial.
Eu tenho apenas este livro lido de forma completa, infelizmente não tenho como realizar comparações com outras obras de Le Goff, vejo que alguns leitores possuíram algum nível de descontentamento. Sigo de forma explícita em minha "timeline" nas considerações estritamente deste livro, sem o recurso ao comparativo bibliográfico do autor.
O livro consiste abrangência aos aspectos intelectuais na idade média, deixando o leitor, por vezes, um tanto por conta de referências, de nomes respeitados em outros campos de atuações que não fossem estritamente por historiadores. Acredito que os comportamentos de frustrações dos leitores, digam-se de passagem, atitude um tanto purista demais, foram devidos aos recursos socioantropológicos que encontram-se em sua maior parte.
Não tive desconforto em "esbarrar" na leitura com nomes eternizados como; Marcel Mauss, Lucien Febvre, lévi-strauss e etc... O que permanece é um trabalho com profundidade intelectual, contendo amplitude nas questões do medievo. O que foi observado é o "nicho" no desenvolvimento, quando o subtítulo diz; "...no ocidente", temos na realidade uma linha de pesquisa exercida nos países centrais europeus, com ênfase em território francês, evidenciando sua forte influência na historiografia medieval francesa.
O que podemos observar como exceção no livro, até mesmo de forma concisa, fica por conta do tema "O domínio do ritual simbólico da vassalagem" com ênfase em "As referências em outras sociedades", vemos o esforço de Le Goff no método comparativo das sociedades extra-europeias. Apresentando ao leitor um maior interesse aos africanistas, também discorrendo sobre o feudalismo japonês e objetos simbólicos no período clássico do feudo chinês.
Vejo como uma obra densa, apesar de sua amplitude nos temas pertinentes ao período medieval, o leitor deve ter consciência que este livro não é material de apenas uma única leitura. Acho interessante realizar um retorno nas questões e manter um direcionamento conjunto com algum material de apoio, acho que completei com êxito esta fase, estou pronto em obter outras experiências nas obras de Le Goff.