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Outonecer

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Escrito em tom confessional, Outonecer é poesia e lucidez, introspeção e partilha.

Neste novo livro, o médico psiquiatra Júlio Machado Vaz, que nos habituámos a ouvir falar de amor, brinda os leitores com uma reflexão que parte do envelhecimento e do medo que este provoca («Sei que se aproxima, passo a passo; sei que não há fuga possível; sei que um dia me tomará nos braços para um volteio sem regresso»), mas se transforma num hino a todas as estações do ano («Sei que não sou eterno. Mas hoje ainda estou vivo, lúcido e capaz de amar»).

Entre o passado, o presente e o futuro, Júlio Machado Vaz partilha as memórias dos que já não estão, o amor pelos filhos e os netos, os animais que também são família («a minha vida teria sido tão mais triste sem eles e o seu afeto»), a amizade, as viagens e a música (e também o medo dos diagnósticos médicos…), sem esquecer a atualidade política, o estado do mundo, a sexualidade e até a inteligência artificial.

E, apesar da «precariedade» que envelhecer traz, «as boas recordações fazem fila: a primeira canção dos Beatles, o primeiro beijo, o Douro, o desejo do país mais justo exigido por Sophia».

Neste Outonecer, que nos convida a olhar para dentro, é o amor, nas suas mais diversas formas, que vence o medo, como um lembrete de que o Outono chega depressa e é urgente viver todas as estações.

168 pages, Paperback

Published July 1, 2025

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Júlio Machado Vaz

19 books13 followers

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5 (11%)
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1 (2%)
Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for Paula Mota.
1,817 reviews618 followers
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August 19, 2025
Amar o tempo que resta, sobretudo o passado com a tribo. É verdade que outoneço e não consigo prever se o Inverno chegará mais cedo e de que forma. Limpo e rápido, longo e sofrido em privado ou fazendo parte da campanha promocional de um livro, como a demência de António Lobo Antunes.

Antes das sexólogas Marta Crawford e Tânia Graça, havia Júlio Machado Vaz, agora com 75 anos, com um programa pioneiro na televisão, “Sexualidades”. “Outonocer” é uma obra híbrida que inclui memórias, comentários sobre a actualidade e reflexões sobre a idade e a saúde de alguém que deseja sobretudo envelhecer com dignidade. Na capa, vemos o psiquiatra com três cães giríssimos, o que me aliciou bastante e, depois, desiludiu porque essa imagem é basicamente para a fotografia, pois embora seja notório o seu afecto pelos cães que tem e teve, se lhes dedica duas páginas, já é muito. Júlio Machado Vaz é uma figura incontornável e precursora em matéria de sexologia em Portugal e demonstra ser um homem culto, educado, bonacheirão, um verdadeiro patriarca da sua família, apesar de o termo não lhe agradar muito, mas o que ele não é um bom escritor e, por vezes, nem parece ser deste século, com expressões que me fazem lembrar a literatura do século XIX. Ao irritante “minha Mãe” e “meu Pai”, junta interjeições anacrónicas como “cáspite” e “apre”, aquelas que aprendemos nas aulas de Português mas não reproduzimos na vida real. Diz-se a determinada altura que ainda se colocou a hipótese de ser a jornalista Inês Meneses (co-autora com ele do programa “Amor É”) a escrever uma obra de carácter biográfico, o que talvez permitisse uma maior triagem da informação, com uma obra sem artifícios desnecessários, como os parênteses no meio da narrativa, para comentar acontecimentos fracturantes da sociedade, e o diálogo enervante entre o próprio e o seu duplo, que funciona como uma espécie de Grilo Falante. Tive muita pena de não ter gostado como queria deste livro balizado por excelente poesia (Billy Collins, Sophia, Eugénio de Andrade, Amalia Bautista), que me parece mais para memória futura do próprio e da sua tribo do que do interesse do grande público.

Morrer a caminho da morte. Um muro que surge do nada. Sem aviso ou hora marcada. Democrático, trava-me o passo rumo a todos os destinos, do mais prosaico ao menos expectável. Talvez destino não seja o termo adequado – masculino e singular… -, busquemos-lhe o avesso: é de palavras que falo. O muro que mas nega pode erguer-se na clandestinidade do pensamento ou nas entrelinhas de uma conversa. A segunda hipótese é mais humilhante, dou comigo a pedir ajuda a quem já imagino espantado – “Como pode ter uma branca destas?” – ou a refugiar-me num sinónimo rasca. Pessoa, utensílio ou lugar cabem num “coiso” apressado; mudo o tema em discussão; acelero o débito verbal; antecipo a despedida.
Profile Image for Sofia Lima.
Author 4 books129 followers
Read
September 2, 2025
O Júlio Machado Vaz é, sem saber, uma das minhas melhores companhias de domingo, juntamente com a Inês Meneses. Gosto muito de o ouvir e há muito que queria lê-lo. Ia esperar para comprar Outonecer, o livro mais recente, mas na apresentação do livro, em julho, percebi que o livro teria de vir cá para casa mais cedo do que o esperado. Em Outonecer, Júlio Machado Vaz reflete sobre o envelhecimento em todas as suas vertentes.

É um livro muito instrospetivo, com uma escrita fluída, numa partilha generosa e simples sobre os receios de quem envelhece, as memórias que queremos guardar e a visão do futuro quando parece que nos sobra mais passado do que futuro. Gostei muito, muito, muito deste livro.
Profile Image for Fernanda Carrilho.
46 reviews
January 5, 2026
"Sei que não sou eterno . Mas hoje ainda estou vivo, lúcido e capaz de amar ."
E Outonecendo rodeado de Primaveras e Verões ( a sua tribo) o autor convida- nos a viver cada dia com toda a lucidez, alegria, calma e intensidade; sem elas não há outonecer mas queda abrupta para o Inverno !
Profile Image for Nuno Mendonça.
92 reviews6 followers
December 25, 2025
Outonecer conquistou-me pela forma como se afasta de uma autobiografia clássica. O livro organiza-se antes como um conjunto de memórias, pensamentos e pequenas observações, sem a preocupação de construir um fio narrativo contínuo.

Essa ausência de linearidade torna a leitura mais fluida e orgânica. Lê-se com leveza, quase como quem acompanha alguém a pensar em voz baixa, sem pressa e sem necessidade de chegar a conclusões fechadas.

É um livro que se lê por aproximação, por reconhecimento, mais do que por progressão. E isso, para mim, funciona bem.
Profile Image for Matilde Costa Santos.
41 reviews
September 28, 2025
Um livro essencial sobre o passar da vida. Como lidamos com a finitude da vida, especialmente quando sentimos que o fim está cada vez mais próximo? Como aceitamos ou compreendemos a partida de um amigo ou familiar?
Este livro mostra-nos a nossa experiência passageira e o quanto nos devemos aproveitar casa momento que vivemos.
Profile Image for Rosarinho .
260 reviews1 follower
December 13, 2025
“… a vida é precária em qualquer idade, e contudo, no concreto, à medida que a estrada se afunila, sentimo-nos à mercê de tanta coisa! Do destino, da sorte, dos caprichos das divindades e da Natureza, do cansaço de corpo e de espírito, da impensável finitude da amizade e do amor. “

“… a tristeza parece empurrar-me para uma lucidez feita de aceitação e agi em conformidade.”
Profile Image for Andreia Morais.
513 reviews33 followers
Read
January 28, 2026
Júlio Machado Vaz borda palavras como quem transforma a vida num permanente poema, como quem olha para o Porto e sabe que, nos seus incontáveis tons de cinzento, há sempre beleza. Sem ocultar medos, abraçando as memórias que pulsam por dentro, acho que encontrei um novo verbo favorito: porque, se for para outonecer assim, haverá sempre sentido
16 reviews
August 25, 2025
Um livro de despedida com reflexões sobre a condição fisica e mental própria da idade do autor.
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