"No Brasil Não Há Leões", de Álvaro Curia, é uma obra que se entranha profundamente, com uma beleza silenciosa e uma dor que ecoa muito depois da última página.
Este é um romance sobre o trauma, o abandono e o preconceito, mas também sobre a possibilidade de salvação através do amor — e, neste caso, o amor de um cão. Um amor puro, sem julgamentos, que oferece o consolo e o abrigo que muitas vezes faltam entre os humanos.
A história acompanha uma criança “diferente”, vítima de rejeição, que carrega as feridas da infância até à vida adulta. Álvaro Curia conduz-nos por este percurso com uma escrita firme, poética e profundamente sensível, revelando a força de quem escreve a partir da empatia e da verdade emocional.
“O preconceito, o abandono, o trauma e a crueldade ignorada por quem devia cuidar — tudo isto está aqui. Mas também está o carinho, o amparo e a luz que apenas um animal pode oferecer a quem o mundo esqueceu.”
O final é um dos pontos altos da narrativa — ambíguo, inesperado, e aberto a várias interpretações. É daqueles desfechos que nos obrigam a voltar atrás, a reler certos trechos, à procura dos sinais que talvez tenhamos ignorado.
Apesar de abordar temas duros, No Brasil Não Há Leões não se rende ao dramatismo. O autor prefere o silêncio às lágrimas, a sugestão à explicação, e dessa contenção nasce a sua grande força literária.
É uma leitura que fala sobre o crescimento a partir da dor, sobre o poder das memórias e sobre o que acontece quando a vida nos obriga a reinventar o amor e o lar.
Um livro visceral e comovente, que nos faz olhar para dentro e repensar a forma como tratamos o outro — e os que não têm voz.
Uma história sobre coragem, cura e humanidade.