infenso, novo livro de André Capilé, retoma temas e formas da sua trajetória nas últimas duas décadas, a começar pela sextina que abre o livro, com seu barqueiro fantasma. Em “vira-mar”, Capilé experimenta a diegese fragmentada, entregando ao leitor um mosaico de episódios entre mitografias bantas e nagôs, num jogo de montagem que mistura experimentação formal e experiência vivida. Em “teu nome a terra-alarme”, há um diálogo da poesia rural, realizada a partir da arte-menor do cancioneiro popular. Na série poética em “meninos do ninho: laboratório de extermínio”, a secura marcial da forma se junta ao turno material das relações humanas: a violência comparece como tema e como condição existencial. Culminando o livro — e talvez sua própria trajetória até aqui —, “no breque” é um poema longo que mistura ensaio, canto, tradução e reza, guiado pelas intuições que cercam a formação da música [negra] popular brasileira. Capilé não apenas apresenta uma nova obra: reúne, num só gesto, toda a sua poesia até aqui em um objeto novo, atravessado por ritmo, política, fabulação e invenção.
André Capilé nasceu em Barra Mansa (RJ), em 1978. É poeta, tradutor e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Autor de “Balaio” (7Letras, 2014), “Muimbu” (Macondo, 2017), “Rebute” (TextoTerritório, 2019) e “Azagaia” (Macondo, 2021), entre outros livros.