O universo humano, seus conflitos e suas contradições são a temática central da obra de Maria Adelaide Amaral. O bruxo conta a história de Ana, escritora de meia-idade que, com o término do casamento de 25 anos, é obrigada a reavaliar sua vida. Ativa socialmente, às voltas com questões amorosas, familiares e profissionais, essa mulher racional, cansada da psicanálise, decide procurar um místico para descobrir o que o futuro lhe reserva. O encontro com o bruxo, os embates com os filhos adultos e a descoberta de uma séria doença a transformam de maneira definitiva.A sensibilidade da autora na condução da trama e na construção de uma personagem tão forte e independente quanto vulnerável cria no leitor identificação, proximidade, empatia, levando-o a conectar-se a situações e reflexões vivenciadas em sua própria história.Publicado originalmente em 2000, esta edição revista de O bruxo ganhou um novo prefácio da autora e apresentação por Andréa del Fuego.
Se tem duas coisas que a Maria Adelaide Amaral domina com maestria são a construção de personagens e a fluidez de diálogos. Sua carreira da televisão não me deixa mentir, já que Os Maias, A Muralha e A Casa das Sete Mulheres são primores na arte do diálogo. O Bruxo se estrutura muito bem sobretudo porque a autora investe em um tete-a-tete primoroso entre as personagens, no qual os diálogos permitem desvelar toda a sua personalidade e conflito. Ana, a protagonista, é uma personagem complexa, cheia de camadas e sensibilidade, que o leitor abraça e navega junto. Ainda que os coadjuvantes sejam por muitas vezes unilaterais - como a filha em crise ou a amiga esotérica -, essa deficiência não atrapalha por Ana é a força que conduz a narrativa e parece natural que todos os demais orbitem ao seu redor. Novelesco, o livro parece feito para o audiovisual e com certeza agrada quem tem afeto pelas telenovelas.