Sempre vivi no Jazz, desde os meus seis ou sete anos. Nessa altura já sabia respirá-lo
"Parei de tocar, de um dia para o outro, porque senti que nunca seria capaz de tocar como qualquer um dos meus ídolos: Elvin Jones, Art Blakey, Philly Joe Jones, Kenny Clarke, Tony Williams, Max Roach... Mas tive a oportunidade de os conhecer a todos e com eles conversar sobre a nossa paixão, o Jazz. (...) sinto-me um imaginativo contador de histórias, como me considerou o pianista Herbie Hancock (...)".
Nesta obra póstuma, ficamos a conhecer dezenas de histórias do Jazz , através das conversas que Paulo Gil teve com figuras da música nacional e principalmente internacional.
Nascido em Lisboa, Paulo Gil (n. 8 de novembro 1937 – m. 11 de maio 2022) foi um dos grandes divulgadores e entusiastas do jazz em Portugal. Compositor de bandas-sonoras, é da sua autoria a banda sonora do filme “A Passagem” (1971), de Manuel Costa e Silva.
Dedicou-se à crítica musical nos anos 70, passando por várias publicações da imprensa nacional, nomeadamente pela revista Flama e pelo jornal O Século, foi o responsável editorial da Valentim de Carvalho, entre 1970 e 1984, e concebeu um programa emitido pela RTP nos anos 80, O Som da Surpresa, que levou o jazz, pela primeira vez, aos ouvidos de muitos portugueses.
Foi baterista – com passagem, por exemplo, pelos Plexus, de Carlos “Zíngaro” –, e cantor. Foi um dos primeiros sócios do Hot Club de Portugal e trabalhou como programador, colaborando com festivais como o SeixalJazz e o Ciclo Internacional de Jazz de Oeiras. Até ao fim da vida foi presença habitual em concertos, nomeadamente no Hot Clube, de que foi um dos primeiros jovens sócios, ainda nos anos 1950, a convite de Luís Villas-Boas.