NINGUÉM OUVE O SANGUE Entre o matadouro e a ditadura, um menino descobre o preço da indiferença. Anos 70. No coração do Rio Grande do Sul, um menino tapa os ouvidos para não ouvir o mugido dos bois no matadouro. O pai vive da faca, a mãe do silêncio. A escola fecha as portas — até que um professor vindo da Capital chega carregando um passado cicatrizes da ditadura e a marca da prisão na Ilha das Pedras Brancas, o “Alcatraz dos pampas”. Entre o campo e a cidade, a inocência e a violência, *Ninguém Ouve o Sangue* revela um Brasil dividido, onde até o silêncio pode se tornar cúmplice. Um romance sobre memória, coragem e o preço da indiferença.
"Mas para Vitório aquilo era um soco no estômago. A escola era seu refúgio, onde o mundo parecia menos bruto, e as suas palavras chegavam sem gosto de terra seca. Perdê-la seria como soltar a mão no meio da travessia... ...Na calmaria das páginas, nenhuma dor se derrama. Ler histórias e esquecer que os bichos também sofrem na hora da morte."
Brasil, anos 70, numa pequena localidade do Rio Grande do Sul vive Vitório, um menino sonhador e que adora estudar. A escola não é só a fonte do saber para ele, é um refúgio da vida que leva em casa, por ser o mais novo dos filhos de Salete e Deovaldo, o menino é muitas vezes ignorado e incompreendido. Deovaldo tem um matadouro onde os filhos e a mulher ajudam na matança e desmanche dos animais e Vitório é profundamente infeliz neste ambiente pois é o único que entende o sofrimento dos animais antes da morte. Com a chegada do novo professor à cidade Vitório vê as suas esperanças de uma nova vida renovadas. Melchor é um homem misterioso que carrega com ele traumas do seu passado, um homem que vai colocar a pequena cidade e principalmente a sua sala de aula em polvorosa. O novo professor fala ao coração dos seus alunos, fala-lhes do mundo para lá da cidadezinha de onde vivem, dá-lhes mundo e temas importantes para reflectirem e isso vai transformá-lo num alvo a abater. Ninguém Ouve o Sangue é um livro sobre o silêncio e como ele molda as nossas vidas, quer seja o silêncio em casa e sermos ignorados, quer seja pelo nosso silêncio perante as injustiças e o sofrimento. É um livro muito bem escrito e visceral que nos mostra como traumas de infância nos moldam na vida adulta e nos leva a ser resilientes e quebrar com o passado ou nos pode tornar naquilo que sempre odiamos.
um rapaz curioso. tempos negros, onde a história é traumática. como se pode acreditar numa verdade diferente, quando o medo e o trauma entra na nossa cabeça e aprisiona os nossos sonhos? Gostei muito, fácil de ler e muito impactante!
Resenha do livro "Ninguém ouve o sangue" do autor Elizandro Todeschini.
Vitório é um menino estudioso, que não gosta da lida do interior, tendo grandes sonhos. Contudo, a chegada de um professor foragido e enigmático mudará sua percepção do mundo.
Um romance histórico magnífico, que aborda a ditadura e carrega uma gama de fatos ricos em detalhes, admirando-nos com sua forma genuína de retratá-los. Um ponto interessante é que traz aspectos da cultura gaúcha, algo que acho muito atrativo, principalmente por eu ser daqui. Outro ponto, é trazer a vida interiorana, com todas as suas perfeições e imperfeições. O enredo é não linear, apresentando os fatos aos poucos, deste modo, atiçando nossa curiosidade. Inclusive, a trama mantém-se intrigante, com o mistério de quem é o professor, assim instigando a desvendar tal segredo. Nestas linhas, deparamos com a menção de algumas figuras como Teixeirinha, Pelé, Jairzinho, Kempes e Bertoni. Além disso, referencia a enciclopédia Barsa, remetendo a uma nostalgia única. Outra questão interessante é que, ao final, o título é explicado, ressignificando este. E não posso deixar de mencionar, que temos um guaipeca encantador. Este é um livro arrebatador, o qual vem acompanhado de muita intensidade e profundidade, provocando diversas reflexões.
A história se passa no Rio Grande do Sul na época da Ditadura militar. É aquele tipo de história que ao finalizar, a gente fica com várias sentimentos. É cruel e sensível, mostra e vida difícil no interior, onde os recursos praticamente não chegam, e do outro lado mostra parte da história do período militar.
Vitório é um garoto que mora com a família numa pequena cidade do interior do estado. Ele é diferente dos irmãos, ele gosta de estudar e não suporta ver os animais serem abatidos , o pai vende a carne do abate .
Melchor é um professor universitário perseguido pelo regime e foragido, com ajuda de um amiga, vai parar em Rincão, para substituir a professora na única escola do vilarejo. Ele ensina as verdades que ninguém quer ouvir.
Vitório fica muito curioso com esse professor tão diferente. Sente que esconde algo, o admira e teme . A curta estadia de Melchor vai despertar atenção de quem não podia.
O final nos faz pensar em muitas coisas. As consequências do silêncio, homens e animais sangram e ninguém ouve, ninguém se importa. É um livro curta porém cheio de conteúdo, história e ensinamentos.
Este livro é fora do que costumo ler, fora da minha zona de conforto, mas apresentaram-me a oportunidade de ler e não hesitei. Tive alguma dificuldade nalgumas palavras, por ser português BR.
Para mim é uma história pesada. Vitório é um menino em crescimento, que tenta entender o mundo a sua volta, filho de um talhante, ao qual não consegue participar no negócio da família, pela sua sensibilidade à morte e sofrimento dos animais. Mas as coisas mudam após a chegada de um professor, fugido e vítima da ditadura, que tenta abrir as mentes sobre esse lado escondido pela comunidade. Mas o silêncio e a ditadura ganham.
E o que vemos que acontece aqui?! A realidade e a rotina acaba por nos moldar, nos transformar. As coisas mudam, as pessoas mudam. Foi pena ver o Vitório a ter os seus sonhos sufocados, perder a sensibilidade e se render ao que sempre tentou fugir.
"Quando o bicho olha nos olhos da gente, não pede socorro pergunta porquê"
No Brasil dos anos 70, Vitorino é um menino que adora estudar. A escola é o seu refúgio porque o seu pai tem um matadouro e ele não gosta de ver os animais a sofrer.
A história de Vitorino cruza-se com Melchor, o seu novo professor misterioso, que está foragido do regime. Este professor tenta mostrar às pessoas um novo lado, mas o silêncio ganha.
Este livro retrata como o silêncio molda a nossa existência e muda a nossa trajetória e pesa nas nossas escolhas. Tal como o autor diz, a indiferença "mata sem jamais sujar as mãos".
Confesso que tive alguma dificuldade com algumas palavras, talvez por serem Português BR. No início tive alguma dificuldade em perceber a mudança presente e passado, mas depois de me habituar foi simples.
Um pequeno livro que nos fala de esperanças e sonhos num Brasil sob o jugo da ditadura. O pequeno Vitorio tem sede de saber e esperança de poder voar para longe do sangue e da tradição familiar da matança de animais, já Melchor tem sede de liberdade e esperança de viver num país sem medo e perseguição a quem pensa diferente, mas o mundo difilmente é como se sonha ou espera. Gostei bastante.