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Manifesto por uma revolução ecossocialista: romper com o crescimento capitalista

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A questão ecológica está no centro deste manifesto aprovado, em 2025, no 18° Congresso da IV Internacional. O ecossocialismo não é apenas um capítulo do programa, mas o seu fio condutor. A ameaça de uma mudança climática catastrófica está no centro das preocupações deste texto, elaborado coletivamente por militantes de diversos continentes.

O socialismo proposto diverge radicalmente dos modelos que dominaram o século é um projeto democrático, com base na justiça ecológica e que incorpora as contribuições das lutas feministas, antirracistas, anticolonialistas, anti-imperialistas, antimilitaristas e LGBTQI+.

O texto busca formular uma perspectiva revolucionária capaz de enfrentar os desafios do século XXI e inspirar as atuais lutas anticapitalistas, sociais e ecológicas que têm se desenvolvido em diferentes lugares do mundo.

94 pages, Kindle Edition

Published August 28, 2025

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About the author

Michael Löwy

168 books120 followers
French-Brazilian Marxist sociologist and philosopher. He is presently the emerited research director in social sciences at the CNRS (French National Center of Scientific Research) and lectures at the Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS; Paris, France). Author of books on Karl Marx, Che Guevara, Liberation Theology, György Lukács, Walter Benjamin and Franz Kafka, he received the Silver Medal of the CNRS in 1994.

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63 reviews6 followers
June 5, 2026
Movendo o mundo com a força das utopias

Desde Thomas Morus, com seu livro Utopia do séc. XVI, o mundo tem sofrido uma grave crise na imaginação com respeito a alternativas ao nosso sistema hegemônico. Posteriormente à consolidação do capitalismo industrial, as teses de Marx, as tentativas reais de Stalin e de outras autodeclaradas nações socialistas atuais como China, Coreia do Norte, Venezuela e Cuba apontam para um abismo profundo entre uma democracia cujo cidadãos oprimidos e mais desfavorecidos sejam o centro de uma inteligência estatal eficaz e uma mera desculpa autocrática e perversa de instrumentalização de muitos em prol de uma ideologia.

É difícil assim, para mim, "colocar fé" em ideologias revolucionárias e que pretendam expropriar à contrapelo bens e riquezas de uma maneira ingênua e ao mesmo tempo altamente combativa, dando um poder imenso nas mãos de um partido ou líder. Talvez por conta disso, pouco contato tenho com a obra original de Marx, apesar de reconhecer todo seu brilhantismo e profunda influência nos movimentos populares e democráticos de países ao redor do mundo. Apesar disso, Marx funciona como mais uma centelha de luz dentro desse momento de extrema pobreza imaginativa e conformismo social do capitalismo tardio: razão pela qual o teórico Marx Fischer, ao parodiar os blockbusters hollywoodianos de desastres globais tenha falado que "é mais fácil imaginar hoje o fim do mundo que o fim do capitalismo", ou seja, de um planeta marcado por profundas injustiças sociais e ambientais.

Somada a essa centelha, eis que surge o manifesto ecossocialista; uma tentativa de reorganizar sonhos de um mundo possível e mais justo não só com os humanos mas o restante da vida abundante ao redor. Impossível não se contagiar e identificar com o atual ecocídio global em jogo e a nomeação honesta dos responsáveis por essa catástrofe iminente. A partir da lente do Marxismo, os autores vão bordejando os principais atores como os países ricos, os bilionários, as classes dominantes detentoras dos meios de produção e uma série de agentes políticos que são incapazes ou indiferentes de medir as consequências de suas pactuações criminosas. A vida não-humana é tão rara e preciosa como a humana e, assim entendo, a forma como vamos nos distanciando de sua exuberância na artificialidade das selvas de concreto em busca da produção e lucro nos afasta do encanto e produção de vida que ela é capaz.

Lowy e os colaboradores conseguem sintetizar as diferentes lutas sociais hoje junto com a dos trabalhadores e exortam assim seus protagonistas:

"A luta de classes não é uma abstração fria. Marx a define e designa seus atores (...) Elas fazem parte disso porque o capitalismo precisa da opressão patriarcal das mulheres para maximizar o mais-valor e garantir a reprodução social a um custo menor; precisa da discriminação contra pessoas LGBTQIA+ para validar o patriarcado; precisa do racismo estrutural para justificar o saque da periferia pelo centro; precisa de 'políticas de asilo' desumanas para regular o exército industrial de reserva; precisa submeter o campesinato aos ditames do agronegócio produtor de junk food, para comprimir o preço da força de trabalho; e precisa eliminar a relação de respeito que as comunidades humanas ainda mantêm entre si com a natureza, para substituí-la por sua ideologia individualista de dominação, que transforma o coletivo em um autômato e os seres vivos em coisas mortas."

É por conta dessa força vocacional que as utopias mesmas precisam ser conservadas, imaginadas e compartilhadas. Tal como um movimento de insubordinação artística. A utopia do ecossocialismo, mesmo entre aqueles como eu, que apostam na alternativa sóbria da reforma social-democrática à moda do modelo nórdico como caminho mais direto para uma resolução de muitos de nossos problemas nacionais, é uma joia que aponta o horizonte mais radical e sistêmico da solução de nossos problemas à nível estrutural. Precisamos de um sonho comum que una a todos os outros. Um sonho para todos habitantes desse vasto território compartilhado. E acho que, com certeza, salvar o Planeta Terra da sua extinção é o mais nobre e urgente de todos eles.
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