Esta obra explora o protagonismo das mulheres como peças-chave na construção do império colonial português na Época Moderna. Nela se tecem novos debates, com forte base documental, sobre processos de exclusão e subalternidade, mas também de resistência, a que a historiografia atual não pode ser alheia. Dar visibilidade e reconhecer a atuação das mulheres portuguesas e europeias, e das mulheres autóctones, surge como um desafio historiográfico que esta obra assume como prioritário.
Percorrendo vários cenários, desde os metropolitanos a espaços coloniais, na África, Ásia e América, a obra torna patente que a expansão ultramarina portuguesa não foi uma mera história de homens em trânsito, foi também uma história de mulheres em ação. A mulher, portuguesa e autóctone, que nos documentos oficiais surge silenciada ou representada como subordinada, surge neste livro como personagem ativa na política, na economia e na sociedade - em Portugal e em espaços ultramarinos.
AMÉLIA MARIA POLÓNIA DA SILVA nasceu no Porto, em 1962. Licenciou-se em História na Faculdade de Letras do Porto (1984), onde também se doutorou (2000), sendo Professora Catedrática desta instituição no Departamento de História, Estudos Políticos e Internacionais. Investigadora do CITCEM - Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória», foi Vogal do Conselho Diretivo da Fundação para a Ciência e Tecnologia (2022-2023), Presidente da Associação Portuguesa de História Económica e Social (2021-2022), e Vice-Presidente da International Maritime History Economic Association, além de pertencer ao conselho editorial de revistas de especialidade, nomeadamente do IJMH-International Journal of Maritime History; Revista da Faculdade de Letras – História e da revista Locus – Revista de História da Universidade de Juiz de Fora. Coordenadora de vários projectos de investigação interdisciplinares, tem como principais áreas de docência a metodologia do trabalho científico, a história da expansão portuguesa e a história da colonização europeia, as quais intercepta com investigação em áreas como as das identidades socioprofissionais, o estudo de redes auto-organizadas e a análise social de comunidades marítimas.