Boca de Siri é aquele tipo de quadrinho que me pega pelo afeto antes mesmo de me pegar pela história. Fiquei maravilhado com o olhar carinhoso do Paulo Moreira pra João Pessoa. Os cenários são tão reconhecíveis que eu me peguei parando a leitura só pra observar os detalhes, lembrar das ruas, das praias, dos lugares por onde já passei. Sem falar nos diálogos que são um espetáculo à parte: sotaque, expressões, ritmo de fala… tudo muito vivo, engraçado e preciso, como se eu estivesse ouvindo amigos conversando.
A trama do caranguejo gigante que aparece de tempos em tempos e vira motivo de festa pela cidade é divertida, criativa e ainda consegue trazer uma pauta ecológica sem ficar didática ou pesada. É tudo muito bem equilibrado. No fim, Boca de Siri é daqueles livros que acertam em tudo: narrativa, arte, humor e sensibilidade. Quem é do Nordeste (ou já viveu por aqui) vai sentir ainda mais forte esse gostinho de casa, de pertencimento, de memória. É leitura que diverte e aquece o coração ao mesmo tempo.