«Quem imaginaria que o afecto, em geral, e os sentimentos, em particular, fabricados por obra e graça da Inteligência Natural como meio de manter a vida em criaturas simples, se tornariam, na longa trajectória do tempo, os elementos definidores da existência humana, os provedores de alegrias e tristezas, de glórias e tragédias, de valores elevados e mesquinhos, na mais nada menos do que o mais profundo alicerce da humanidade que habitamos e observamos?»
É particularmente interessante a forma como Damásio, a partir dos seus estudos, desmistifica a consciência e a apresenta como um factor evolutivo da inteligência natural, despida dos significados morais que habitualmente lhe atribuímos.
Agrada-me a teoria de que ela existe porque existe um corpo vivo (e através dele se manifesta) e que, por isso, é sempre singular e subjectiva, adjectivos que percorrem todo o livro.
Não descrevo aqui os processos, porque Damásio o faz com uma clareza tal que qualquer leigo em neurobiologia os compreenderá sem esforço.