Falta cumprir-se Portugal!
Neste pequeno livro composto por 44 poemas encontramos Fernando Pessoa como um homem inconformado. Portugal que outrora foi o “Senhor e Dono” de metade do mundo, dono absoluto dos mares, reconhecido e temido por outras nações, que procriou e derramou sangue em todos os continentes, terá falhado internamente na sua estrutura.
Com a sede de riqueza e poder, propôs-se a desbravar o mundo, mas a opulência da uma minoria imperialista, com uma visão reduzida e obscura não permitiu o desenvolvimento de um povo e o império se desfez.
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Escolhi este poema por o considerar atual, porque após 100 anos de existência, aproximadamente, continuamos ainda a cometer falhas na estrutura interna, com uma agravante, que tudo hoje se passa na blogosfera, tudo é mais efémero, mais redundante, mais alarmante.
Resta-nos portanto erguer com os cérebros, uma vez que por via da espada jamais nos conseguiremos erguer. O tempo não volta atrás.