26 razões que explicam a adesão ao ideal comunista no século XXI A humanidade precisa da religião? A História é feita por «vilões» e «heróis»? O culto da personalidade é um perigo? Os crimes do comunismo existiram? Os crimes do capitalismo são mentiras? Derrubar estátuas combate o racismo? O feminismo de salto alto é ridículo? O «wokismo» é um absurdo? O que vale um punho erguido? Para explicar a razão por que é comunista, o jornalista Pedro Tadeu, militante do PCP, responde a estas e a muitas outras perguntas. Este lisboeta, de origem burguesa, que politicamente trai a sua classe social, tenta demonstrar neste livro que, no século XXI, o comunismo ainda faz sentido.
«Um dedo pode ser partido mas cinco dedos formam um punho fechado.»
Li o "Porque Sou Comunista" do Pedro Tadeu e fiquei com a sensação de estar a ouvir alguém a justificar-se mais do que a partilhar uma convicção. O livro é coerente, mas a estrutura é pouco viva — quase uma lista de razões para ser do PCP, mais do que um mergulho no que é ser comunista. Ainda assim, há ali momentos de lucidez que atravessam o texto, especialmente quando mergulha no campo do mundo jornalístico, e quando ele diz o que muitos não querem ouvir: o mundo precisa de uma revolução.
E é verdade. O sistema neoliberal está a sugar o planeta até ao osso, o crescimento eterno é uma farsa e a ideia de que o comércio global nos traria a paz morreu no campo de batalha da realidade. Se o modelo que vem a seguir será comunista, socialista, ecológico, eco-marxista — não sei. Mas espero que seja um mundo mais justo, mais humano, mais solidário.
Há também um ponto forte: a reflexão sobre as classes. A forma como ele desmonta essa ilusão moderna de que pertencemos a uma classe mais alta do que realmente pertencemos. No fundo, um enfermeiro é tão proletário como um estafeta.
2.5 estrelas. Porque o livro vale pelas ideias, mas não tanto pela forma.
Um livro maioritariamente banal e com respostas óbvias à maioria dos temas. O autor é capaz de muito melhor, e a espaços isso é visível, sobretudo nos capítulos onde incorpora a própria experiência histórica.
Interessante para quem nunca tiver pensado sobre estes assuntos.
Pedro Tadeu é um homem que respeito intelectualmente, e não podia deixar de ler.
Porém confesso que talvez não seja a melhor pessoa para escrever este livro. O livro é uma experiência e visão pessoal, talvez até uma boa apresentação a quem esteja por fora do pensamento comunista das suas ideias chave, mas em bom rigor é um livro banal.
só cita o manifesto, não há realmente uma análise filosofica profunda. dont get me wrong, o livro é longe de ser inutil, até talvez um bom resumo europa-américa para quem está fora, mas quem tem algum conhecimento da filosofia marxista encontará algum aborrecimento e banalidade. ressalva-se porém algums exemplos práticos da realidade política portuguesa e breves menções historicas que servem para demonstrar que alguns debates não estão encerrados, desde a Revolução de Outubro e os seus avanços sociais, o culto do líder nos regimes de leste, o holodomor etc.
Holomodor, PREC, URSS, Putin, Ucrânia, 25 de novembro, democracias liberais, China, Venezuela, Cuba, tudo comentado sem fugas e devidamente fundamentado. Achei o livro superior ao “Porque sou liberal” de Cotrim de Figueiredo - que também apreciei - mas que se foca muito mais na figura (o que faz algum sentido uma vez que o livro é publicado em plena campanha do candidato às presidenciais) e menos na ideologia. Este livro pelo contrário, trouxe a afirmação de posições que esperava destes títulos. Muito pertinente, para ler livre de preconceitos ideológicos que não fazem qualquer sentido. Um livro cheio de razoabilidade. Viva o pluralismo!
Podemos discordar de alguns dos muitos argumentos a que o jornalista Pedro Tadeu recorre para desenvolver, ao longo de vinte e sete capítulos temáticos, os fundamentos da sua condição de comunista. É natural que haja também muitos leitores que, discordando radicalmente dessa opção ideológica, contestem os princípios em que o autor radica a sua argumentação. Sabemos que há, também, quem faça da sua ação política o combate à visão da sociedade e à práxis que o autor assume. Não estranhamos que gente dessa opte pela deturpação desonesta. Na verdade, de três coisas não poderá ser acusado este livro. De ser entendido como uma cartilha catequética; de reproduzir preconceitos ortodoxos; de não trazer contributos novos para uma reflexão sempre necessária.
Um livro que recomendo para comunistas e para todos os outros. O Pedro Tadeu consegue mostrar porque ainda faz sentido o comunismo e ser comunista em pleno século XXI! ☭ ✊🏻
Há muito a dizer sobre este livro, que me deixou profundamente crítico quanto à forma como a ideologia nele defendida interpreta o mundo. Apesar de não conhecer Marx e Engels em detalhe, as passagens apresentadas permitem antever a essência dessa visão. Antes de abordar o comunismo, importa refletir sobre as ideologias em geral: tal como as tecnologias, devem evoluir no sentido do progresso, tornando-se mais abertas, sociais e democráticas, e não permanecer presas à lógica da polarização entre “direita” e “esquerda”, que apenas alimenta divisões e segregação.
Quando o autor insiste na realização da Festa do Avante numa sociedade ainda a recuperar de uma pandemia, sob o argumento de que o Partido é “da Revolução”, revela uma ignorância preocupante sobre a importância da saúde pública e da sobrevivência coletiva. Quando uma ideologia se arroga o direito de se sobrepor à saúde pública, o resultado seria desastroso caso chegasse a governar.
À semelhança do episódio da Festa do Avante, o autor volta a colocar o comunismo num pedestal ao defender que a liberdade de expressão está acima de qualquer questão de segurança nacional. Por vezes, questiono se se trata de uma defesa genuína da liberdade ou de uma tentativa de se imiscuir em assuntos de governação e foro confidencial. A liberdade de expressão é um pilar essencial da nossa sociedade, mas é igualmente legítima a necessidade de manter estratégias de segurança nacional e europeia que nos protejam de regimes que, por exemplo, possam colocar ideologias acima do bem comum.
A perspetiva comunista de escamotear problemas, projetos, investimentos e reformas é um obstáculo ao desenvolvimento e à inovação. A falta de pragmatismo perante o interesse maioritário da sociedade é contraproducente, sobretudo quando se apregoa “revolução” em cada matéria e se permanece agarrado à contestação infinita.
Os comunistas defendem a máxima da igualdade: mesmos direitos, deveres e acesso à riqueza. Contudo, esta visão ignora uma realidade incontornável: haverá sempre ricos e pobres, líderes e liderados. Uma sociedade totalmente igualitária nunca funcionará porque desconsidera a natureza humana — narcísica e egocêntrica — que faz parte do instinto de sobrevivência biológica.
Não compreendo a insistência em desvalorizar os números do holocausto comunista, como os anos de fome na Ucrânia, para mitigar crimes hediondos cometidos em nome desta ideologia. Um único ser humano submetido a tais atrocidades seria suficiente para justificar o julgamento do Partido e dos seus líderes.
No final do livro, surgem argumentos para justificar regimes totalitários com base nos erros do Ocidente. Em momento algum, porém, se menciona como líderes desses estados assistem à queda de opositores das janelas ou a outros fins trágicos. O autor reage como certos comentadores que criticam a prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, mas ignoram a miséria infligida à população venezuelana: hiperinflação, salários mínimos irrisórios, narcotráfico a controlar grande parte do país. Será que esses comentadores, muitos de esquerda, também não concordam com o 25 de Abril? Alegar que os problemas de países como Cuba ou Venezuela devem ser resolvidos internamente é uma falácia cruel: como, se são governados por egocêntricos que perpetuam a miséria? É evidente que há interesses geopolíticos, mas perante a realidade, a intervenção pareceu acertada — ainda que, como em Gaza, as consequências futuras sejam incertas.
As injustiças das ditaduras ajudam a compreender porque muitos se alistaram no Partido. Contudo, está mais do que provado, tal como no extremo oposto — o fascismo — que não é uma ideologia viável para qualquer sociedade. Embora resiliente pela sua génese, o comunismo é falível como qualquer outra, com o agravante de se manter estanque à sua própria mutação, limitando o progresso. Em jeito jocoso, diria que o autor tenta fazer do comunismo uma volúpia disfarçada de casta.
“Mas então, o que traz o PCP de revolucionário, no século XXI? Traz pelo menos isto: o PCP é o único partido que defende as suas ideias sem rodeios de linguagem, mas também sem exageros de retórica. Ninguém é enganado com o que o PCP diz. O PCP exprime o que pensa, mesmo que isso lhe custe votos ou, até, o acesso ao parlamento - este facto, na ditadura do jogo de ilusões que faz a política dos dias de hoje, tem um carácter revolucionário… e é mais uma razão para eu votar na CDU, porque o PCP, sempre lutador, é, serenamente, o único partido revolucionário que resta em Portugal.”
Há já algumas eleições que tenho votado na CDU. Não é segredo (deveria ser?), e faz-me muita confusão como em menos de 10 anos a sua presença na Assembleia da República diminuiu tanto, considerando a relevância que teve e que tem. Li este livro para confirmar que, realmente, estou bastante à esquerda no espectro político. Há alguns capítulos com os quais não concordei, e há alguns pontos relevantes que ficaram por mencionar - tudo o que são questões sociais mais modernas, como a legalização do aborto e da eutanásia, por exemplo. Mas concordei com um grande parte do livro.
Acima de tudo, o livro mostra um lado do PCP que não é mostrado nos media - e que, claramente, não há interesse em que se mostre. Os media mostram o PCP como um partido antigo, que se recusa em atualizar-se, mas que na verdade não é bem assim (estou convencida que, se nos debates deixassem o PCP falar sobre os problemas económicos, sociais e laborais, nacionais e internacionais, se calhar a sua presença não teria diminuído tanto). E sim, o livro fala na Coreia do Norte, na Rússia, e na Palestina. Tudo muito alinhado e coerente, ao contrário de muitos partidos que por aí andam.
Recomendo vivamente a quem tem dúvidas, a quem tem preconceitos, e a quem não quer ser tão quadrado. Vou ler o do Cotrim de Figueiredo - para não me acusarem de não ler quem não pensa como eu -, mas acho que não estarei tão alinhada como com Pedro Tadeu (vou tentar não o ler com este bias).
Alguns capítulos são escritos com extrema clareza enquanto outros têm enquadramentos fracos ou até problemáticos. Concordando completamente ou não, é uma ótima coleção de textos de opinião.
Gostei! Nem sempre concordei com a explicação do autor ou considerei que respondia à questão que a sociedade coloca ao PCP, mas deu para aprender e refletir.
Muito resumidamente, trata-se principalmente de um livro que explica o porquê de Pedro Tadeu ser moralmente superior a todos os outros, enquanto que faz propaganda ao Partido Comunista Português. O autor apresenta uma leitura completamente superficial, onde este chega às suas conclusões sem qualquer tipo de fundamentos aprofundados ou investigação científica, cheio de erros sistemáticos. Quando não está a glorificar as suas virtudes, está a justificar, de uma forma demagógica, as atrocidades da ideologia comunista, ignorando todo o seu legado histórico e a sua herança económica, política, social e cultural.