De um lado Byrnezão da massa; do outro Marv, o Homem-Lobo.
E a coisa é boa.
Byrnezão começa reintroduzindo o Metallo, um ciborgue morto-vivo empoderado pela kriptonita a única substância capaz de ferir o Superman; isso numa época em que só existia um pedaço e uma cor de kriptonita, antes de virar putaria de novo. O Superman apanha mais que tapete em dia de faxina.
Depois, numa história com os Novos Titãs, o Superman cai no conto do "amiguinho da internet" e troca de corpo com um cientista maluco qualquer, é uma história bem mais fraca que as outras. E temos o ponto alto da edição, o dia em que Lex Luthor descobriu que o Superman e o Clark Kent são a mesma pessoa e resolveu ignorar e apagar tudo isso do histórico de busca do computador, por quê?
É uma excelente pergunta, daqui a pouco eu respondo.
Já o Homem-Lobo traz a Cat Grant - eu largava o antagonismo da Lois e me jogava nas madeixas loiras da Cat - e o Professor Hamilton que vai ser um coadjuvante por longos anos nas histórias do Homem de Aço, também temos uma picaretagem daquelas do Lex para tentar dar uns tapas na Lois e transformers psiônicos comuno-terroristas atacando Metrópolis.
Byrnezão fecha a edição com uma aventura sobrenatural sobre a essência do mal com o Vingador Fantasma - anos depois se descobriria que o Vingador é filho de uma versão do Clark com a Diana - e uma pancadaria em Apokolips - parte das Lendas.
Então, por que o Lex Luthor não acredita que o Clark Kent possa ser o Superman?
Ora, porque a nossa interpretação do mundo é totalmente subjetiva, depende de quem nós somos, das nossas experiências, do que cada um de nós acredita, enfim, nas palavras de Anaïs Nin: "Não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos." Como o careca mais brilhante de Metrópolis sabe que é um pau no cu, ele acredita que todo mundo paunocuziará - do verbo paunocuziar -; logo não há como ele acreditar que alguém tão poderoso quanto o Superman não faria o que ele, alguém, presumivelmente, tão poderoso quanto, faz.
Existem pessoas que mentem e esperam que todo mundo minta - eu peço um pouco mais do que eu preciso, porque vão me dar um pouco menos do que eu peço, por exemplo.
Existem pessoas que falam a verdade e esperam escutar a verdade, ainda que isso não aconteça muito.
Esse é uma das grandes virtudes dessa reformulação, deixamos de ter duas pessoas em trajes coloridos se digladiando sem motivo aparente; temos uma antítese: de um lado a Verdade, do outro a Mentira; de um lado a Justiça, do outro a Injustiça; de um lado o caipira do interior do Kansas tentando ganhar a vida na cidade grande, do outro o implacável industrial capitalista sem escrúpulos que compra e vende e a vida das pessoas para aumentar seu poder e fortuna.
Qual dos dois é o "American Way" eu deixo para vocês.