O que fazemos quando só nos resta um segundo de vida? Em Viver dentro do fogo, esse instante se expande para conter mundos inteiros. Em meio a uma guerra, o soldado Sam vê uma bomba de napalm cair do céu. A morte avança sobre ele na forma de uma nuvem laranja incandescente. No tempo ínfimo que lhe resta, ele inventa histórias para povoar seu próprio parentes-bruxas que colecionam homúnculos, as exéquias de um avô, deixado nu à mercê dos urubus, encontros em cemitérios de automóveis transformados em espaço de aprendizado. Ali, no coração das chamas, a imaginação não apenas ela se torna a própria vida.
Antoine Volodine is the primary pseudonym of a French author. Some of his books have been published in sf collections, but his style, which he has called "post-exoticism", does not fit neatly into any common genre.
Num tempo de tantas narrativas que olham para o autor no mais urgente de sua história, ou de tramas que pagam suas supostas dívidas com os debates do contemporâneo como tentassem dar conta e cabo de todas as arestas de uma conversa, sem possibilidade de dubiedade e nuance, é sempre uma alegria dar de cara com um livro sobretudo estranho, como este de Antoine Volodine. A princípio uma narrativa de guerra, o autor logo enovela o tema a partir na observação panorâmica de uma família milenar, cheia de misticismos, cerimoniais e mistérios, como o próprio título diz. É a ficção criando uma maneira de viver dentro da desgraça, mas acima de tudo ainda é ficção.