Ao fim de quase quarenta anos de silêncios e ausências, um antigo grupo de colegas da faculdade reúne-se na Irlanda para um último adeus a Rebecca Connelly, cuja morte, súbita e inesperada, traz ao de cima fantasmas há muito enterrados.
De todos a mais intrépida, mas também a mais inconstante, ninguém poderia imaginar o rumo que a vida de Becca levaria, nem a devastação que traria na sua esteira. Ninguém, excepto o rapaz que a amou durante os tempos de faculdade – o narrador, agora sexagenário, que tenta ainda fazer sentido de todos os caminhos que trilharam o seu destino.
Será que na revisitação desse passado de segredos encontrará resposta para a solidão que o consome? Conseguirá ele, com a morte do seu primeiro amor, apaziguar-se com o rapaz que foi e o homem em que se tornou?
João Tordo was born in 1975. He has published twenty-one books - novels, crime novels and essays - and received several awards, including the José Saramago Literary Prize 2009, the Fernando Namora Prize 2021 and the GQ Prize. He was a finalist for many other awards, including the European Literary Prize, the Fernando Namora Prize, the Oceanos Prize and the PEN Club Prize. His books have been published in several countries, including France, Italy, Germany, Hungary, Spain, Croatia, Serbia, Czech Republic, Mexico, Argentina, Brazil, Uruguay and Colombia.
João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Publicou vinte e um livros - divididos entre o romance, o policial e o ensaio - e recebeu diversos prémios, incluindo o Prémio Literário José Saramago 2009, o Prémio Fernando Namora 2021 e o Prémio GQ. Foi finalista de muitos outros prémios, incluindo o Prémio Literário Europeu, o Prémio Fernando Namora, o Prémio Oceanos e o Prémio PEN Club. Os seus livros foram publicados em diversos países, incluindo França, Itália, Alemanha, Hungria, Espanha, Croácia, Sérvia, República Checa, México, Argentina, Brasil, Uruguai, Colômbia.
Há livros que não se limitam a contar uma história entram em nós devagarinho e ficam muito depois da última página. Inventário da Solidão é exatamente assim.
É um romance sobre o tempo, o amor que não se viveu, as feridas que nunca cicatrizaram e a solidão que se instala, mesmo quando estamos rodeados de gente.
A história parte de um reencontro entre velhos amigos, muitos anos depois, na Irlanda. O motivo é triste: a morte de uma mulher que marcou a vida de todos. A partir daí, o narrador regressa ao passado e tenta perceber em que momento a vida se tornou esse inventário de ausências, culpas e silêncios.
A escrita do João é simplesmente hipnótica, melancólica e bela. Há frases que nos param o pensamento, parágrafos que parecem ter sido escritos para serem sublinhados. Ele tem esse dom raro de dizer o que sentimos, mas nunca soubemos pôr em palavras.
E o mais incrível é perceber que, ao fim de 22 livros, João Tordo ainda consegue surpreender-me. Continua a reinventar-se, a tocar em temas o importantes com uma sensibilidade única. E isso, sinceramente, é muito bom. Dá-me aquela sensação de segurança literária, de saber que, quando abro um livro dele, vou sempre encontrar algo que me desafia e emociona.
Não é uma leitura leve. É densa, introspectiva e, por vezes, dolorosa. Mas há uma honestidade brutal que torna tudo verdadeiro. E é impossível não nos revermos ali, nos medos, nas desistências, na saudade do que podia ter sido.
3.5 ⭐️ “Conhece as fábulas de Esopo?, perguntou. Há uma sobre uma mosca que pousa nos cornos de um touro; ao fim de algum tempo, a mosca pergunta ao touro se não se importa que ela se vá embora, ao que o touro responde: Nem sabia que aí estavas, e portanto não terei saudades tuas quando te fores embora. Não entendo, disse, depois de reflectir sobre aquela história. Eu sou a mosca ou o touro?”
Em volta de uma atmosfera sombria, nesta narrativa encontramos mais uma daquelas personagens que o escritor já nos habituou, melancólica e atraída para lugares tenebrosos, onde a luz e a ordem não têm comando para entrar. O traço distinto do autor está lá mas tive de ser paciente, distingo nesta leitura a terceira e última parte.
Adorei este livro de João Tordo! De início não me estava a cativar muito, mas do meio para o fim excedeu as minhas expectativas. Não estava de todo a contar com o que se passou mais no final (não quero dar spoiler) e, por isso, esta leitura fez todo o sentido. Adoro esta "melancolia" tão presente nos livros deste autor...
Achei os apontamentos históricos interessantes, mas tive alguma dificuldade em conectar-me com as personagens através das memórias do Narrador.
"Talvez o mundo inteiro fosse assim: um lugar marcado por fronteiras imaginárias de um mapa, em que o simples facto de estarmos do outro lado de uma linha invisível nos diminuía, deixando-nos vulneráveis e susceptíveis a sermos humilhados, atacados, rejeitados."
“Não existe alegria que não resulte numa enorme tristeza.”
Estou naquele ponto em que voltar a Tordo é voltar a casa 💛 adoro este tom de melancolia e tristeza que o autor domina e raramente saio desiludida destas leituras. Este livro é, talvez, mais diferente dos restantes e adorei-o por isso mesmo, embora não seja o melhor para começar para quem nunca se aventurou em ler o autor.
“Foi de livre vontade que assassinei a minha essência.”
O livro traz-nos a história de um grupo de amigos na Londres de Thatcher. O cenário, para mim que adoro a cidade, foi a cereja no topo do bolo. Adorei toda a progressão da história, embora tenha achado a história da filha do narrador previsível (e daí não chegar às 5 ⭐️, já tinha percebido quem era a mãe logo de início). Se bem que, reconheço, não fosse necessário que fosse imprevisível para ser um óptimo livro, mas pessoalmente adoro um twist inesperado.
“Uma solidão tão escura como o fundo de um poço engolia-nos sem remorso.”
A escrita é lindíssima 💛 e sente-se uma enorme evolução desde os primeiros livros. Os temas da filosofia e psicologia, para quem nunca leio o autor, podem parecer algo pretensiosos. Eu adorei este toque bem diferente do que é usual nos outros livros, mas, precisamente por isto, acho que não é o melhor livro para começar a ler Tordo. Senti que talvez seja o que seja menos “Tordo” e por isso continuo a recomendar começarem pelo Três vidas ou pelo Felicidade.
“Aqueles que são reféns de sentimentos trágicos atribuem aos outros o ónus do seu destino.”
Um pouco desapontado com o novo livro de João Tordo. Personagens interessantes, a melancolia que é tão sua e uma escrita que assenta que nem uma luva aos cinzentos da Inglaterra de Thatcher. Mas muitas deambulações repetitivas e reflexões longas e morosas impediram-me de gostar tanto como habitual de um autor que adoro mas que, aqui, foi só ok.
"O psicólogo permitiu-me as lágrimas e encarou a minha dor com um silêncio compreensivo. Então aquilo era possível, ocorreu mais tarde: que um homem admitisse os seus pecados mais íntimos e que, do outro lado, alguém o ouvisse com compaixão, sem as interferências e julgamentos do mundo."
"O principal objetivo de um terapeuta é tornar os pacientes tão imperfeitos e falhos como ele próprio, tão conscientes e aceitadores da sua imperfeição e dos seus erros, capazes de se perdoarem a si mesmos, porque o erro é o denominador comum do ser humano. Qualquer um pode ter sucesso, qualquer um pode vangloriar-se das suas conquistas, mas são poucos – pouquíssimos! - os que conseguem exultar no fracasso, admitir as suas enormes incapacidades, aceitar que a vida é dilacerante e que ficaremos sempre aquém, de nós próprios e do que esperam de nós. Que o pedestal ilusório em que nos colocamos, e em que colocamos os outros, é um posto que ninguém pode ocupar. Que, nalgumas áreas da vida, andamos para a frente, noutras, ficamos parados e noutras ainda, caminhamos para trás, como os caranguejos. Que, por maior que seja a mágoa que sentimos ao perceber a desilusão que provocámos nos outros, esta é tão natural como a nossa própria desilusão. E que estar vivo é aprender a sofrer tanto como fazemos sofrer, porque a única maneira de aguentarmos tudo o que nos acontece é descendo do pedestal e tirando os outros desse lugar horrível. É permitir os nossos erros e os erros dos outros. E encher-nos dessa sabedoria, dessa dor tão transformadora."
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4,5/5 Uma escrita bonita e corrida, uma história que faz querer saber mais. Mas o que mais gostei neste livro foi a constante reflexão de porque agimos como agimos, que forças nos fazem avançar, recuar, decidir e de como não decidir é em si mesmo uma decisão. Também o paralelo dos traumas que trazemos connosco e que nem sempre podemos evitar passar aos nossos, por muito que não o queiramos. Lições verdadeiras e duras, como a vida.
A história desenvolve-se entre avanços e recuos temporais até culminar num final absolutamente arrebatador. Lembrou-me a leitura das últimas páginas do Luto de Elias Gro: um transbordar progressivo das emoções absorvidas ao longo da leitura, um sem-fôlego que nos prende, quase como uma apneia de vómito. O JT é um mestre a desenvolver o arco dos personagens. Este seu romance prova-o uma vez mais.
"Mas este não é um mundo perfeito, pois não?" Este livro tem tanto de belo como de melancólico. É um romance introspectivo sobre a paixão e o vazio deixado pelos grandes amores quando estes terminam! Excelente livro.
Inventário da Solidão, de João Tordo, é um livro intimista e profundamente reflexivo, que aborda a solidão de forma honesta e sensível. A escrita é contida, elegante e muito introspectiva, convidando-nos a entrar num espaço de silêncio, memória e autoconhecimento. É uma leitura que se sente mais do que se explica, e que permanece depois da última página. Arrebatador, comovente e melancólico.
A narrativa decorre (quase toda) dentro da mente do protagonista, num registo marcado pela culpa e por um egocentrismo que se torna exaustivo.
As personagens femininas acabam por funcionar sobretudo como projeções do seu estado emocional, o que reduz a sua complexidade e empobrece a densidade da história.
No conjunto, o que menos resulta é a visão excessivamente fechada do narrador, que domina tudo e deixa pouco espaço para outras vozes se afirmarem.
“O amor é a origem do ódio. Sim. A alegria que dá lugar à tristeza.”
“A raiva é uma emoção domesticável. A culpa, por outro lado, não é uma emoção, é um lastro inapagável.”
“adormece com a cabeça no meu peito, e eu nem sinto que ela ali esteja. É como se não tivesse peso. Acho que é isso: quando se ama alguém, essa pessoa não tem peso.”
“Amar o erro é adorar secretamente a nossa imperfeição. E esse é o gesto mais difícil.”
“Agimos como mortais em tudo o que tememos e como imortais naquilo que desejamos.”
“Mas há uma diferença: é que ser-se amado é uma coisa, amar é outra. A primeira nasce da carência, a segunda, de já termos tudo aquilo de que precisamos, e por isso sabermos ser generosos.”
Sabem aqueles livros em que a experiência de leitura é "meh" durante a maior parte do tempo mas depois acaba de forma muito melhor, pelo que pensam que até gostaram do livro? Esses livros irritam-me, e foi o que senti com este. "Inventário da Solidão" não é, de todo, o melhor que já li de João Tordo. O título e a sinopse prometiam mais. [por vezes, é muito ingrato dar estrelas a livros...]
Para mim é o melhor de todos os que o autor já escreveu, pela profundidade emocional, pela clareza e pela forma como transforma a solidão num território humano e reconhecível. João Tordo escreve de maneira direta e ao mesmo tempo delicada, sem receio de entrar nas zonas mais desconfortáveis da vida. As personagens são imperfeitas e verdadeiras, e a narrativa avança de forma tão real, que nos faz sentir parte da história, como se estivéssemos a ouvir uma confidência. Uma leitura especialmente rica porque faz pensar sem complicar demasiado, emociona e mostra como, através da literatura, ainda é possível explicar aquilo que tantas vezes não sabemos dizer. Um livro inteligente, sensível e absolutamente marcante. O melhor do autor, sem dúvida!
A primeira vez que li João Tordo apaixonei-me. Vi e li nas linhas que escreveu a melancolia que acompanhava os meus dias. Procurei esse sentimento de pertença em todos os outros livros que li dele. A espaços fui encontrando, aqui e ali, alguma da matéria prima que compunha o primeiro romance que li dele (o luto de Elias gro). No entanto, mais nenhum romance dele me tinha enchido as medidas, e alguns deles achei genuinamente maus. Continuei a insistir porque a busca por aquilo que queremos (precisamos?) não cansa. Encontrei. Finalmente encontrei. Este é o melhor romance do João.
"Não a posso culpar. Os segredos fazem isto, corroem-nos, e à relação que temos com os outros. Os segredos são o cancro da alma. E mantemo-los porque achamos que, sem eles, deixaríamos de ser nós próprios, abriríamos a porta a uma qualquer espécie de catástrofe do nosso eu. Somos tão ingénuos."
Eu sei que nem toda a gente pode gostar tanto do Tordo quanto eu. A principal razão será porque trazemos dentro componentes diferentes, Passado e código genético, e o facto de isso tudo impactar a forma como experimentamos a leitura. Tordo, para mim, é e será, e desconfio que sempre, um caminho de introspeção.
No Inventário da Solidão - para além das reflexões e da escrita poética a que me habituou e que aprecio em encantamento - Tordo obrigou-me a olhar para dentro, a interromper a marcha.
Reflecti -como sempre- durante o meu caminho de leitura, mas o fecho desta janela literária é do Divino. Não me expressei bem: do D-I-V-I-N-O. Comoveu-me profundamente – e aqui as palavras não estão a fazer o seu trabalho por completo, de ilustrar a minha experiência - mas permitam-me partilhar que dou muitas graças de ter feito a leitura no resguardo do lar, porque chorei compulsivamente. Isto não me acontece muito, mas é facto que o Tordo me rodou um botão.
Como dizia, sei que nem todas as pessoas podem gostar tanto quanto eu. Cá dentro, trago os segredos de que fala o personagem principal e, esta inspiração para avaliar e olhar em perspectiva, foi um estouro. É o segundo estouro ruidoso que lhe devo.
Não posso, nem imagino, que gostem dele tanto quanto eu. Mas eu devo-lhe já umas coisas, que sei que nunca conseguirei pagar: nascem todas do sentido que me trazem as suas reflexões, da companhia no labirinto da solidão interna, da mão chegada de quem sabe, como eu, o quanto podemos inventariar numa vida.
Trocado por livros.
P.S. Acima, um dos excertos da carta mais honesta que li. Podemos sentir os personagens como pessoas reais? Podemos sim: a verdade está na consciência de quem olha.
"E o maior pedido de perdão que fazemos nesta vida é a nós próprios."
"Afinal, que diferença faz morrer de velhice, de sida, de glioblastoma ou de enfisema pulmonar? A morte é o que é, definitiva. Tem o condão de, ocasionalmente, chegar antes do tempo, ainda em vida do morto que por ela esperava."
"...aquele amor quase fraternal que algumas amizades assumem."
"No fim de contas, isso é que importa, certo? O quê? Aquilo que se sente."
"Os nossos filhos são sempre miúdos..."
"A raiva é uma emoção domesticável. A culpa, por outro lado, não é uma emoção, é um lastro inapagável."
"...quando se ama alguém, essa pessoa não tem peso."
"Somos assim, criaturas de apego; erramos porque não temos outra maneira de aprender. E, às vezes, erramos apenas pelo prazer de errar. Amar o erro é adorar secretamente a nossa imperfeição. E esse é o gesto mais difícil."
"...amor é o compromisso que dois amantes assumem depois da paixão."
"...que ter aquilo que muito queremos é também abrir a porta para o perdermos."
"E talvez não exista culpa pior do que aquela que nasce do esquecimento."
"Queremos a experiência, seja ela qual for. E disso que é feita a vida, certo? A experiência da paixão, da amizade, do amor, mas também da dor, da violência e da destruição."
"Os segredos fazem isto, corroem-nos, e à relação que temos com os outros, Os segredos são o cancro da alma. E mantemo-los porque achamos que, sem eles, deixaríamos de ser nós próprios, abriríamos a porta a uma qualquer espécie de catástrofe do nosso eu. Somos tão ingénuos."
A forma filosófica como João Tordo explora a Paixão - uma emoção avassaladora, temporária, que durante o tempo em que perdura torna qualquer ser humano “cego”, fazendo o mesmo agir completamente distanciado do seu pensamento lógico e racional. Porque o ser humano é assim, tão cheio de sentimentos e emoções, existindo momentos em que se deixa levar por emoções, ao passo que deveria sobre elas refletir sob a alçada dos sentimentos - que são firmes, estáveis, duradouros. Levadas pela Paixão, as pessoas agem. Essas ações, normalmente, não produzem qualquer bem-estar a longo prazo. São simples formas de atuação que espelham aspetos da vida com os quais não estão satisfeitos, ou meras coisas que não têm e até podem parecer impossíveis de alcançar. E, como é evidente, todos atos cometidos em nome da Paixão podem ser aptos a atormentar a mente de qualquer um, para sempre. Mesmo que se esconda durante algum tempo, a coincidência sobre aquilo que aconteceu é sempre trazida ao de cima com algum gatilho específico.
Comecei a ler este livro em versão digital, mas depois passei para a versão física por sentir que me conectava mais facilmente com a história.
Temos um narrador sem nome (típico da obra do autor), sexagenário, psicólogo de profissão. Que recebe a notícia da morte de uma colega dos tempos de faculdade. O narrador regressa a Londres onde se reencontra com os colegas da faculdade para o funeral de Becca.
No início a narrativa tem vários saltos temporais que nos mostram os tempos de estudante do narrador. A obsessão por Becca. A relação com Helen (melhor amiga de Becca). O mestrado falhado.
Becca é uma jovem marcada pela morte da irmã, Libby. A relação com o narrador era quase exclusivamente sexual. Até outra relação originar uma atitude-limite que decide o destino de Becca.
O final une várias pontas soltas e ajudar-nos na compreensão da narrativa.
Passados quarenta anos, um grupo de antigos colegas de curso reúnem-se na Irlanda para o funeral de Rebecca Conelly. Foram anos de silêncios e ausências, mas a morte inesperada de Rebecca obriga a desenterrar fantasmas há muito esquecidos. A história é contada pela voz de um agora sexagenário, que a amou nos tempos de faculdade e regressa ao passado para tentar fazer sentido dos caminhos que acabaram por moldar o seu destino. Memórias. Segredos. Culpas. Solidão que consome a alma. Ausências. Medos. Escrita melancólica. Livro denso. Um romance introspectivo que convida à reflexão sobre amor, culpa, arrependimento e a presença do “não vivido”. Um livro sobre as marcas que o passado imprime em nós e a solidão que persiste, mesmo quando estamos rodeados de gente. Muito recomendado (bem ao estilo de Tordo).
Há livros que nos tocam sem conseguirmos admitir o motivo. Sabemo-la sem a conseguir estruturar, sem a conseguir justificar de uma forma consequente e lógica. Fica um pequeno desconforto, uma ansiedade a roer cá dentro.
Se nos munirem de uma folha de papel e uma caneta e nos pedirem para desenhar uma linha recta representando a nossa vida e de quem mais amamos, damos o nosso melhor e fazemo-lo. Mais tarde, verificaremos com uma régua que não é tão recta como pensámos que era. Que podíamos tê-la traçado com mais calma, com mais foco, deixar a caneta fluir. Se calhar não era suposto ser recta, afinal de contas.
Hindsight is always 20/20 but looking back is still a bit fuzzy.
São cinco estrelas porque me parece que preciso de terapia (e primeiro ler de novo e sublinhar onde me dói) para aliviar o incómodo com que me deixa, para encontrar a razão pela qual me corrói.