“ É depois que o medo se perfila. Quando se trata de entreabrir a alma, de deixar penetrar um estranho na sua intimidade. É a hora das permutas, abandona-se um pouco do nosso território para que o outro aí coloca a sua escova de dentes ou as suas inseguranças.” (pág 10)
“ O amor é um fluido que circula de um ser para outro fazendo desvios. O amor é generoso e abandona-se no caminho, pousa sobre corações solitários e deixa neles a sua marca, antes de ir florescer naqueles que elegeu” ( pág 52)
“ Hoje tinha a resposta. Numa história de amor, nunca estamos frente a frente, jamais isolados num imaginário livre e generoso. Somos todos os outros e todas as outras que amaram antes de nós. Uma longa cadeia de forçados ameaçadores que nos puxam para trás e nos lastram com os seus velhos conflitos, as suas rugas antigas, as suas máscaras ameaçadoras, os seus corações devastados, impotentes. As nossas mães e os nossos pais, os nossos avós e os nossos bisavós. E assim por diante…” (pág 204)