Após ter escrito um livro sobre o conservadorismo, Miguel Morgado regressa com uma introdução à ideologia política que parecia ter-se estabelecido como o consenso indestrutível, mas que atravessa uma grave crise na actualidade - o liberalismo.
«Não é um exagero dizer que até há pouco tempo o liberalismo, com todas as suas variantes, mas unidas por um núcleo comum, era a ideologia política reinante e hegemónica nas democracias ocidentais, tanto na Europa como na América do Norte. A tese do fim da história era, em parte, a constatação desse facto indesmentível. O liberalismo conferia a (quase) totalidade das ideias, dos referentes, dos princípios em torno dos quais se articulava a política democrática dos Estados ocidentais. As diferenças políticas entre partidos e correntes de opinião socorriam-se invariavelmente do tronco comum, diferentemente interpretado, da mesma árvore liberal. Eram contestações, como veremos, entre aquilo que podemos chamar liberalismo de esquerda e liberalismo de direita.»
MIGUEL MORGADO nasceu em Setúbal, a 18 de Julho de 1974. Licenciado em Economia pela Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da UCP e mestre e doutor em Ciência Política e Relações Internacionais pelo IEP-UCP. É Professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, onde ensina História do Pensamento Político e Ciência Política, além de ter sido professor convidado da Universidade de Toronto. Foi assessor político do Primeiro-Ministro do XIX Governo Constitucional (2011-2015) e Deputado à Assembleia da República, pelo PSD (2015-2019). Autor de vários artigos e livros em Portugal e nos Estados Unidos, publicou, em 2008, A Aristocracia e os seus Críticos e, em 2010, Autoridade.
O livro resiste a um resumo porque atravessa centenas de anos de discussão política, mergulhando em muitos debates teóricos mas mantendo sempre uma ligação ao momento histórico e autor original de cada ideia. Importa dizer que li as mais de 500 páginas com prazer.
Leitura deveras mais cativante do que o precedente volume de “Introdução ao Conservadorismo”, na presente, é nos ilustrado as etapas evolutivas desembocadas na ideia central da liberdade humana, e as múltiplas facetas que a sua prossecução/promoção originaram no processo da emancipação do cidadão para com as instituições religiosas e do paternalismo/despotismo estatal. De uma análise cirúrgica e de um discurso coloquialmente intelectualizado, Miguel Morgado entrega-nos mais uma obra para introduzir o leitor leigo aos grandes debates político-institucionais levados a cabo nos últimos 200 anos da história ocidental.
O tema é muito interessante, e o autor revela imenso conhecimento. No entanto, o livro é extremamente denso, cheio de palavras de que nunca ouvi falar e frases quase intragáveis. Talvez por minha própria culpa (sendo leigo quanto às ciências políticas), não me parece uma "introdução".
This book offers a tremendously complete historical review of liberalism, tracing its evolution from classical roots to modern interpretations with impressive depth and clarity. The author maintains an impartial and balanced perspective throughout, presenting complex ideas with academic precision while remaining accessible to general readers. It reads almost like a study manual—well-structured, richly contextualized, and invaluable for anyone seeking a thorough understanding of liberal thought and its development over time.