Após ter escrito um livro sobre o conservadorismo, Miguel Morgado regressa com uma introdução à ideologia política que parecia ter-se estabelecido como o consenso indestrutível, mas que atravessa uma grave crise na actualidade - o liberalismo.
«Não é um exagero dizer que até há pouco tempo o liberalismo, com todas as suas variantes, mas unidas por um núcleo comum, era a ideologia política reinante e hegemónica nas democracias ocidentais, tanto na Europa como na América do Norte. A tese do fim da história era, em parte, a constatação desse facto indesmentível. O liberalismo conferia a (quase) totalidade das ideias, dos referentes, dos princípios em torno dos quais se articulava a política democrática dos Estados ocidentais. As diferenças políticas entre partidos e correntes de opinião socorriam-se invariavelmente do tronco comum, diferentemente interpretado, da mesma árvore liberal. Eram contestações, como veremos, entre aquilo que podemos chamar liberalismo de esquerda e liberalismo de direita.»