«Mas o que é afinal "o cristianismo"? O cristianismo existirá de facto? Não se nos apresentarão antes uns cristianismos diferentes: o cristianismo ortodoxo oriental, o cristianismo católico romano, o cristianismo reformado protestante, para já não falar dos diferentes cristianismos das Igrejas livres e das inumeráveis seitas e grupúsculos cristãos?
Reconheçamo-lo antes de mais: a interrogação sobre o que é o cristianismo desperta em toda a parte sentimentos deveras contraditórios. Quantas coisas se depositam na rubrica "cristianismo"! Alguns cristãos são os primeiros a sentir um profundo mal-estar. Quantas instituições, partidos e ações, quantos dogmas, legislações e cerimónias ostentam todos o rótulo "cristão"! Ao longo da história, o que é cristão tem sido tantas vezes descurado, banalizado, traído! […] E no entanto, mais ainda que o judaísmo, o cristianismo permaneceu uma força espiritual presente em todos os continentes — por muito ameaçado que fosse pela opressão do Leste, então comunista, ou pela sociedade de consumo no Ocidente laicizado. Ele é, de longe, a mais importante em número das grandes religiões do mundo, e nem o fascismo e o nazismo, nem o leninismo, o estalinismo e o maoísmo puderam destruí-lo. E embora um grande número de cristãos já não saiba lá muito bem o que fazer da sua pertença eclesial, a verdade é que não quer abandonar o cristianismo.»
Hans Küng was a Swiss Catholic priest, controversial theologian, and prolific author. Since 1995 he had been President of the Foundation for a Global Ethic (Stiftung Weltethos). Küng is "a Catholic priest in good standing," but the Vatican has rescinded his authority to teach Catholic theology. Though he had to leave the Catholic faculty, he remained at the University of Tübingen as a professor of Ecumenical Theology and served as Emeritus Professor since 1996. In spite of not being allowed to teach Catholic theology, neither his bishop nor the Holy See had revoked his priestly faculties.
«O Cristianismo: Essência e História» é uma demonstração de um trabalho hercúleo ("redigido à mão") onde o leitor pode obter não apenas informação sobre esta religião como uma série interpretações sobre a mesma, contextualizadas numa leitura contemporânea e perante as regras desde o ano 1.
Hans Küng utiliza, tal como o fez para o «Islão - Passado, Presente e Futuro», uma metodologia de identificação dos paradigmas do cristianismo usando como base a obra de Thomas Kuhn «A Estrutura das Revoluções Científicas». Tal como naquela obra, aponta cinco paradigmas e descreve com detalhe e rigor os tempos de clivagem que antecederam a passagem para um outro paradigma (quando assim aconteceu).
Se, por um lado, esta obra é enriquecida com constantes exercícios de comparação com as outras religiões "do Livro" bem como com análises sobre os acontecimentos mais marcantes protagonizados pelos principais atores desta religião (enfase para o catolicismo), por outro alguns temas que se consideram fundamentais conhecer, pelo menos para um leigo, passam ao lado do historiador: infalibilidade do Papa, celibato dos padres, iconografia, etc. Ou seja, estes assuntos são de facto aflorados e analisados, mas sem uma síntese, sem um resultado, como se essas questões ficassem no ar, empurrando o leitor para mais estudo; Claramente, não será uma obra de introdução ao estudo do cristianismo.
Por outro lado, não nos podemos coibir da leitura e análise a importância dada ao papel da mulher ao longo da história do cristianismo, o valor dado não apenas ao evangelho, mas sim à tradição da igreja (na linha da ICAR e das igrejas orientais) e a clareza do momento histórico da Reforma e o impacto das "Luzes".
Sob um efeito catalizador das leituras dos modernistas e pós-modernistas, Küng descorre, no final do seu livro, sobre a necessidade de uma ética mundial, como se esta coroasse toda a história do cristianismo. A meu ver, Hans Küng falha redondamente visto que aplica as bases da moralidade sobre as religiões e atividades de adoração sobrenatural, como se o não crente ("as pseudo-religiões ateístas" como lhes chama) fosse incapaz de um corpo de moralidade per se.
Escrito por "saltos", «O Cristianismo: Essência e História», aplica-se a fundo e aprofunda rigorosamente certos capítulos históricos e analíticos, mas - ao saltar - não cobre algumas facetas desta religião deixando no ar, quando se pousa este volume, uma insatisfação. Salve-se a enorme bibliografia para nos segurar ao chão.
Christianity by Hans Küng is the only 900-page book on the list. It traces the development of Christianity from the first century to the twenty first century, describing how doctrines such as the Trinity, the divinity of Jesus, the primacy of the pope, and the justification by faith took mainstream Christianity farther and farther from its early Jewish Christian roots.