Coletânea de minicontos de Andréa del Fuego, autora de A pediatra e Os Malaquias. Ou, se preferir, uma reunião de comentários num elevador que despenca.
Publicado pela primeira vez em 2005, numa edição artesanal, numerada e restrita a amigos, Nego tudo era, sem ninguém saber, a gênese do que viria a ser a obra de Andréa del Fuego duas décadas depois. Desejo, traição, malícia e acidez permeiam estas páginas explosivas, com textos de linhas ágeis que provocam, incomodam e fazem rir ― tal qual em A pediatra, cuja protagonista é o suprassumo desse aspecto mordaz da produção da escritora.
Nego tudo é tanto um deleite estético como um exercício sofisticado de literatura por uma autora experiente, que brinca com a forma em contos brevíssimos e desafia o senso-comum, questionando quaisquer maniqueísmos. Um livro sui generis, que em seu aniversário de vinte anos ganha esta nova versão, revista e retrabalhada em detalhe por Del Fuego: alguns contos foram substituídos do original, outros reescritos e novos adicionados, mas a essência contestadora se mantém.
Andréa del Fuego é natural de São Paulo, Brasil, onde nasceu no ano de 1975. Trabalhou em publicidade, fez produção de cinema e realizou duas curtas-metragens. Colaborando em várias revistas, inicia-se na escrita com Minto enquanto Posso (2004). Uma primeira coletânea de contos seguida por Nego tudo (2005), Engano Seu (2007) e Nego Fogo (2009). Em paralelo experimenta o juvenil com Quase Caio (2008) e Sociedade da Caveira de Cristal (2008), e o registo infantil com Irmãs de Pelúcia (2010), estando também incluída em diversas antologias de contos. Com Os Malaquias (Brasil 2010/Portugal 2011), foi finalista do Prémio São Paulo de Literatura e do Prémio Jabuti, na categoria romance, e vencedora do Prémio Literário José Saramago, tudo em 2011.
Pra você que amou, amou até o fim; não essa coisa que se esquece com outro, falo de amor pra foder tudo, veneno em óleo fervente. Pra você que tem queloides de fogo, marca sagrada e estúpida. Pra você que amou assim.
Me pareceu ser um exercício de escrita - e sendo essa a finalidade, vejo coisas boas ali, coisas com jeito de anotação, coisa que vem à mente e você pensa em trabalhar depois, ou usar num texto que caiba. Não entendo por que foi reeditado. Minha teoria é que apenas por fins comerciais - era um livro ali dando sopa, de uma autora aclamada (que eu gosto, aliás) e que poderia render uma graninha. Se não for por isso, não entendo.
O miniconto realmente tem um formato interessante, não estava esperando muita coisa, mas pode ser um exercício legal de escrita. Gosto de algumas coisas na escrita de Andréa, mas este em específico não me emocionou.
achei uma proposta bem diferente. depois que entendi o conceito, passei a curtir mais. parece uma forma de ler os pensamentos da autora: parece que descreve algumas coisas que vê, algumas coisas que sonha, deixa a imaginação viajar em muitas partes. porém, muitos textos eu não entendi nadinha. no fim, vale a leitura.
acho que meu desgosto está mais enlaçado na frustração de ter comprado o livro esperando um conteúdo delicioso (e profundo) como encontrei em A Pediatra, por exemplo, e achar coisas que poderiam ser tweets. não deveria ser vendido.