Um mergulho preciso e mordaz no mundo dos endinheirados brasileiros.
Há um traço comum a boa parte dos endinheirados eles não se consideram ricos. Não existe um critério absoluto para a riqueza no Brasil. Sempre haverá alguém com mais dinheiro, mais pompa, mais patrimônio, mais próximo do topo da pirâmide. Logo, os ricos são sempre os outros.
Com base nessa constatação, o antropólogo Michel Alcoforado faz um mergulho no mundo das elites brasileiras e destrincha tipos facilmente reconhecí o casal emergente da Barra da Tijuca que vai a Miami comprar roupas de grife, a herdeira de uma família tradicional que leva uma vida longe dos holofotes na Suíça, o embaixador carioca inconformado que o Itamaraty não é o mesmo desde o aumento de vagas para a carreira diplomática. Capaz de traduzir um vasto repertório antropológico numa descrição analítica e cheia de humor, o autor traz para este livro a experiência acumulada de anos atuando como "antropólogo do luxo". Durante a pesquisa, ficou claro que, a partir de um certo patamar, aos ricos não interessa mais o tamanho da conta bancária, mas os códigos que precisam dominar para fazer parte das altas rodas.
Exibir grifes espalhafatosas faz sentido para os emergentes empenhados em ostentar a nova posição, mas é sinal de arrivismo aos olhos de um rico tradicional, que tende a optar por roupas discretas e só reconhecíveis por quem domina o mesmo repertório. O jogo de distinção está em toda a na escolha dos bairros para morar, na arquitetura e na decoração das casas, nos destinos de viagem, nos estudos e na linguagem. Coisa de rico examina as regras desse jogo. Com verve de comunicador tarimbado, Michel Alcoforado faz um diagnóstico mordaz e preciso das contradições da elite brasileira.
Praticamente a temporada de White Lotus Brasil que nunca teremos. Como se fosse preciso algo mais para alimentar minha antipatia pela elite brasileira, dividida entre os de uma existência vazia e solipsista e os tomados por uma neurose consumista, a surpresa da leitura do livro está em perceber como essa nossa elite é realmente aquela caricatura de vilão rico de novela das oito, ou até pior (em vários momentos me peguei lembrando da biografia do Gilberto Braga, que retratou essa gente nas suas novelas e no final não estava exagerando tanto assim). Só a história da decisão salomônica sobre um par de peitos de silicone já valeu a leitura.
Não entendo o barulho que esse livro fez na podosfera brasileira e nas redes sociais.
A ideia é interessante e merece ser investigada. Muito se fala da desigualdade brasileira, e muito se fala das dificuldades dos ricos - mas pouco se estuda as facilidades dos ricos.
O valor do livro estar em mostrar a vida miserável das elites, numa eterna briga para se mostrar rico de verdade e mais rico que o vizinho. Não se vê pessoas aproveitando a vida, pois sempre há barcos a comprar e fazendas a administrar.
Mas, por trás dessa ideia interessante, está um livro bastante mal escrito. “Coisa de rico” é adaptado dos cadernos de campo do trabalho de doutorado de Michel Alcoforado, e se lê como um caderno. A escrita é confusa, com um vai e vem cronológico. No meio de uma narrativa, Michel para para analisar em profundidade o significado de uma palavra que algum rico falou, quebrando completamente o fluxo de leitura. A divisão de capítulos e partes também não faz sentido algum.
a pesquisa é muito boa, os grandes conceitos muito bem trazidos e construídos, a escrita é fluida e divertida - uma grande ideia de ter feito com tom de jornalismo literário ou quase livro reportagem, muito mais do que conteúdo acadêmico. mas confesso que o final me decepcionou um pouco. achei abrupto e solto, acabou cortando um pouco a vibe - como se tivesse sido encerrado meio às pressas.
de todo modo, recomendo muito a leitura pra quem quer entender melhor as dinâmicas da sociedade brasileira. porque, no fim das contas, entender os ricos do brasil é entender toda a mentalidade do que é aspiracional no país. e isso diz muito mais do que parece.
Confesso que me frustrei um pouco. O livro promete muito — e entrega algo mediano. Eu esperava encontrar um daqueles livros engraçadíssimos, cheios de tiradas inteligentes, como os antigos da Danusa Leão (que o autor, inclusive, cita). Mas encontrei um texto mais raso e com um tom excessivamente antropológico.
O conteúdo também não traz grandes novidades: fala sobre como o rico brasileiro se comporta, como o brasileiro sempre acha que o outro é mais rico do que ele, as diferenças entre os “novos” e “velhos” ricos e a ideia de que, para ser “rico de verdade”, é preciso dominar os códigos e símbolos desse meio.
Até aí, alguma grande revelação? Nenhuma.
Então por que o livro faz tanto sucesso?
Aí está a sacada mais genial do Michel Alcoforado: como ele mesmo escreve, o brasileiro é fascinado por tudo que envolve o universo dos ricos. E um livro chamado Coisa de Rico desperta exatamente essa curiosidade. Genial.
Meu pai sempre dizia: diferente de outros países latino-americanos, o Brasil nunca vai ser comunista — apesar do vai e vem de governos de esquerda — porque o brasileiro gosta dos ricos. Admira. Quer ser como eles.
Diferente de outros países da América Latina, onde o rico é odiado pelos pobres e a batalha social é mais acirrada, aqui o fascínio é maior do que o ressentimento.
E talvez seja exatamente isso que explique o sucesso de Coisa de Rico: Michel Alcoforado captou esse traço do brasileiro — e soube transformá-lo em fenômeno editorial.
eu não consigo dizer que amei esse livro, não. acho o tema instigante, e a proposta de olhar pros ricos de um ponto de vista etnográfico é muito interessante. mas concordo com parte das críticas de quem, sem se encantar com a sucessão de anedotas, considera o livro superficial demais. os capítulos e conceitos são confusos, desorganizados, fica difícil entender o que motivou as escolhas da linha de raciocínio além do prazer de contar boas fofocas. se a ideia fosse só fazer crônicas e análises superficiais, era outra coisa - e válida, claro, tem livro pra todos os gostos. mas o livro é o resultado de um doutorado em antropologia, uma pesquisa de 15 anos... era pra ser mais redondo. mesmo com essas críticas, ainda acho que é uma leitura muito importante pros amantes de discussões políticas e sociais no Brasil. definir quem são os ricos e o que os define é uma questão muito legal, e importantíssima pra hora que a gente resolver trazer de volta a guilhotina.
A melhor descrição que li deste livro foi "um diário de compilado de fofocas ". Para algo que surgiu de uma tese de doutorado, achei raso como um pires. O Michel conta anedotas das coisas de rico já de olho na classe média, principalmente progressista, que adora debochar de quem tem muito dinheiro, com uma certa superioridade moral. Mas ter ou não muito dinheiro não é o que faz uma pessoa boa ou ruim, brega ou chique. Na minha humilde opinião, chique é tratar todos bem, independentemente das origens, saldo da conta bancária ou formação. E ao debochar das pessoas que o acolheram em suas casas e suas vidas, o Michel demonstra que ele pode até ter adquirido algumas "coisas de rico" - mas que ele também está longe de ser chique.
É um livro divertido. E, pra mim, conseguir fazer isso a partir de uma tese de doutorado é um primor!
Mas é também um livro ressentido, que se enverniza de científico com algumas citações e referências acadêmicas sobre algo que é uma percepção comum do imaginário brasileiro sobre os ricos. Tem de interessante sim seu argumento central de que a “coisa de rico” é na verdade a eterna batalha pelo pertencimento, que gera entretenimento e risada na leitura; mas diante da falta de conexão com o pensamento social brasileiro ou com leituras mais modernas sobre raça e colonialidade o livro fica raso.
E, frente às ciências sociais, Michel parece mais um charlatão enrustido, que beneficiaria o leitor e a si mesmo em trazer a psicanálise pra pensar porque um negro de classe média é obcecado pelas elites; do que querer nos fazer crer que há alguma separação entre o antropólogo de luxo e ele mesmo. O desejo está na falta”, resolveria o povo do divã.
O livro é conciso, escrito de forma bem humorada, mistura a parte técnica da área antropológica com a narração de diversas histórias sobre os absurdos vividos pela elite brasileira (formada por emergentes e tradicionais), totalmente dissociada da realidade de mais de 99% da população.
Mas senti falta exatamente na parte técnica. Explico:
Em várias partes cita-se o movimento compartilhado por boa parte de uma nação desesperada por levantar muros, estabelecer fronteiras e marcar posição a partir de objetos de consumo.
Tá, mas por quê? O que faz alguém querer ostentar esse estilo de vida, além da nossa necessidade gregária de pertencimento a um grupo? Por que esse grupo específico? Por que pessoas de classe média se acabam em dívidas para parecer emergente e consumir coisas que, numa primeira análise, são completamente supérfluas?
Vindo de um antropólogo, confesso que esperava explicações mais técnicas sobre a necessidade de se demarcar essa diferença, e mais ainda, porque essa demarcação acontece da forma como acontece no Brasil.
De qualquer forma, acho que vale a leitura, com o risco de se criar uma antipatia ainda maior por esse tipo de gente.
O livro começa de forma promissora, mas à medida que se desdobra, sobretudo considerando sua origem em uma tese, senti falta de maior rigor na apresentação metodológica. O autor parte da intenção de compreender os ultrarricos e herdeiros brasileiros, mas acaba incluindo diplomatas em sua análise, um grupo que, embora abastado, pertence à mesma categoria social? Afinal, se trata de funcionários públicos. Essa mudança de foco e a agregação automática entre perfis distintos enfraquecem a diferenciação que o autor parecia disposto a construir no início da obra. Nesse ponto, ele poderia ter explorado de forma mais consistente a relação entre a elite intelectual que pensa o Brasil e a elite econômica que o financia e influencia. Talvez esse desenvolvimento esteja presente na versão acadêmica original, mas, na adaptação para o livro, o leitor não encontra base suficiente para uma reflexão mais estruturada sobre o tema.
Há também exageros narrativos que comprometem a verossimilhança. Quando descreve Milagres, por exemplo, o autor menciona um “elevador de iates”, um detalhe curioso, porém improvável naquela região, marcada por recifes de corais e rios de baixa navegabilidade. Ressalto que posso estar equivocada, já que não transito nesse meio social, mas conheço o lugar e o relato me causou estranhamento. Em outro momento, o autor narra a chegada de um helicóptero com pessoas chegando de São Paulo ao litoral nordestino, algo que, do ponto de vista logístico, também soa fantasioso. É possível que tenha havido uma escala intermediária, mas, ao omitir esse tipo de detalhe, a narrativa gera ruído e perde credibilidade.
É possível que o autor tenha combinado histórias reais e elementos ficcionais para construir um retrato simbólico dessa elite, mas essa estratégia não é explicitada no livro. A ausência dessa mediação deixa o leitor em dúvida sobre onde termina a observação empírica e onde começa a imaginação literária.
Em suma, o deboche que o autor busca empregar como recurso estilístico carece de sustentação analítica. O resultado é um livro modesto: uma coletânea de anedotas sobre pessoas que abriram suas casas e, por extensão, suas vidas, apenas para se tornarem, em certa medida, alvo de ironia.
Eu amei a mistura de ciência com causo, com ar de The White Lotus barato, como tantos dizem. Acho a temática interessantíssima e repleta de uma aurea de misterio proposital, que o autor explica muito bem o motivo. A leitura eh fluida e facil e os conceitos bem explicados e equilibrados com as anetadotas. Deixa um gosto de quero mais: profundidade, historias e entender mais do nosso pais e cultura, por si só e frente aos outros.
Confesso que a escrita é um pouco mais casual do que eu esperava, com ares de revista. O livro apresenta vários conceitos interessantes, mas sinto que ainda faltou um toque um pouco mais “científico” do que expositivo. Ainda assim é uma leitura divertida.
Eu já imaginava que não ia gostar. Surpreendeu ao ser divertido - o que é um mérito enorme tendo saído de uma tese de doutorado. Mas, como eu esperava (como cientista social que já tinha visto algumas entrevistas e participações do autor em podcasts), é raso como um pires.
Provavelmente para o público amplo a diversão e as "fofocas" sejam suficientes para considerar o livro bom, mas justamente por ter vindo de uma tese de doutorado me surpreendeu a frouxidão no uso dos termos, a falta de definição de conceitos, as contradições entre um uso e outro de algumas palavras. O livro fica de maneira super rasa na distinção entre os novos ricos e os tradicionais - mas não aprofunda em possibilidades efetivas de marcação entre esses grupos, seja ela mais economicista, historiográfica ou sociológica. Apresenta alguns excessos anedóticos especialmente dos novos ricos como forma de provocar riso, algo típico na bolha universitária-esquerdista em que ele está inserido, mas que prejudica o próprio argumento do trabalho que ele propõe. Diferentemente de outros estudos sobre elites, o livro não consegue realmente destrinchar os marcadores e suas operações, fica mais preso novamente a anedotas (frequentemente autocentradas).
Elogio a capacidade de tornar uma tese algo divertido de ler e a esperteza do marketing em volta do título e do livro em si, capaz de provocar interesse geral das pessoas que foram ao livro esperando encontrar muito sobre as "coisas de rico" e a "vida dos endinheirados" - a curiosidade comum pela vida dos outros fez o trabalho de tornar o livro um fenômeno. Critico a falta de cuidado com termos e conceitos; o mau uso das referências (que acaba na maioria dos casos soando como um parente do fenômeno citado por ele: o tal do "name dropping" que usa nomes jogados na conversa como forma de validação do conteúdo e reforço de um pertencimento - aqui, acadêmico, intelectual); a forma da escrita que partiu de um caderno de campo e acabou, pra mim, soando autocentrada - que não consegue escrever sobre algo sem que seja sobre si mesmo em contato com o algo; e também, de alguma maneira se somando à falta de cuidado com termos, como acaba por citar possíveis marcadores de renda e patrimônio, mas sem fazer nenhum cruzamento com os dados do campo - pareceu só mais uma forma de caçar legitimidade pro texto.
Prolixo, escrita amadora e não dá pra entender muito bem pra onde o livro quer te levar. São realmente anotações de um caderno de estudos, escritos como tal.
Os causos são confusos de entender, mas até que dão um gostinho de white lotus no Brasil.
Não se propõe a ensaio complexo nem a livro teórico, mas a um relato despretensioso com pitadas de ciências sociais. E entrega exatamente isso. Não acho que faz juz ao hype, mas, neste caso, quem está errado é o hype.
Brincadeiras a parte, recomendo bastante. Pelo título, sem conhecer o autor, acreditei que seria mais um livro de autoajuda ensinando o “”mindset”” para se tornar uma pessoa com dinheiro. Felizmente, engano meu!
A tese de estudar a desigualdade do Brasil pela ótima da riqueza e não somente pela da pobreza para entender como vivem os ricos, como operam as diferenças e quais os seus símbolos e códigos, me pegou.
A mistura de tese, metodologia, pesquisa e romance na escrita do livro tornaram a leitura divertida. Além disso, esse livro me ajudou a traçar paralelos para meu trabalho sobre como entrar e operar em grupos dos quais sou “estrangeiro”.
que livro interessante, né, meninas? a escrita envolvente facilita muito a leitura de um tema que, na minha concepção, não é fácil quando se é brasileiro. pensar a elite fazendo parte de uma das sociedades mais desiguais do mundo chega a doer. mas o michel tem uma comicidade que torna as coisas palatáveis, pois ele aproveita bem o absurdo que é a vida de um rico. para além disso, ele também descortina o quanto vivemos em dinâmicas extremamente coloniais até hoje. o racismo é nossa pior e mais gritante herança desse tempo, e, após a leitura, percebi que outras heranças também estão presentes.
Chega a ser triste ler isso aqui depois de ler um Lira Neto. Achei mal escrito, mal editado e mal revisado, com erros grosseiros de gramática, inclusive.
Retire as inúmeras pretendas citações que ele fez no texto e não tem qualquer análise inédita ou nova perspectiva, sobra apenas fofoca e rage bait. Dá para entender porque vendeu, mas é só.
A collection of clichés about the nouveaux-riches, with the author's reasoning on the subject lacking any cohesion and at times devolving into stereotypes commonly used by the left to caricature Brazil's wealthy.
Uma combinação muito interessante de ensaio, reportagem e análise acadêmica sobre os hábitos da camada de cima do PIB nacional. Neste livro, o antropólogo Michel Alcoforado narra várias histórias em paralelo: a do insight que teve de pesquisar a vida dos ricos brasileiros, as tentativas frustradas para se aproximar dessa elite mais arisca do que uma raposa albina na neve, o que o levou a finalmente ser aceito entre os ricaços - para isso, foi essencial a repercussão na mídia de um de seus primeiros trabalhos sobre o tema, analisando hábitos de consumo do andar de cima, o que logo o transformou em uma espécie de "especialista pop" a ser cortejado pelos ricos que queriam "estar por dentro". Também, claro, apresenta os resultados desse convívio de anos com os ricos.
Dois conceitos resumem os principais insights do antropólogo no livro: 1) os ricos operam, se reconhecem e demarcam sua identidade por meio de sinais simbólicos para fixar uma diferença, tanto entre ricos e não ricos quanto entre eles mesmos. E 2, embora numa aparente contradição com esse processo complexo, ninguém é realmente rico, rico é sempre o outro, por mais que o personagem tenha dinheiro em quantidades astronômicas.
Segundo explica Alcoforado, os ricos brasileiros operam na manutenção e construção de uma diferença essencial, com a identidade "rico" não se limitando às distinções entre os que possuem e os que não possuem. Há diversas camadas e sutilezas que delineiam uma diferenciação entre aqueles que detêm riqueza há muito tempo e os recém-endinheirados (ou "emergentes", como se dizia nos anos 1990 em que a mídia começou a notar esse fenômeno dos "novos ricos"). O livro apresenta, de forma envolvente, as tensões e rivalidades entre o o dinheiro novo, muitas vezes fruto de trabalho duro no máximo uma geração para trás, e o tradicional, enraizado na concentração de renda que caracteriza a história do Brasil.
Só que, como nota Alcoforado, mesmo o dinheiro velho não é tão novo assim em um país de história recente e grande influxo migratório, o que leva tanto novos quanto velhos ricos a criarem suas próprias mitologias para justificar seu "pertencimento" ao topo da pirâmidade. Se os ricos recentes apostam em elementos de "transformação" (as marcas certas, as roupas adequadas, aulas de inglês, etiqueta etc), os tradicionais criam uma ficção de "perenidade", a ideia de que são ricos "desde sempre".
É um livro que aborda com um caráter de texto de divulgação os resultados da tese de doutorado apresentada por Michel, e, a o contrário de muitas teses apresentadas como livro para o grande público, o autor visivelmente se dedicou a preservar um tom acessível e dinâmico. O texto passeia entre o analítico e o narrativo, por vezes citando obras que enraizam conceitos e quase sempre adotando um tom de crônica (alguns poderiam dizer de fofoca). Não vejo como esse livro será bem recebido numa academia em que a legibilidade de um texto é um pecado às vezes pior do que a superficialidade, mas não é problema meu, felizmente.
Um ponto que me causou estranheza foi a falta de uma análise aprofundada sobre o próprio processo de inserção de Alcoforado no universo dos ricos, apesar de ele relatar seus esforços para ser aceito e acolhido por eles. A obra apenas tangencia a dinâmica de interação do antropólogo com o grupo estudado, bem como a forma como foi percebido após conquistar seu lugar e iniciar suas pesquisas. No contexto dos muito ricos, especialistas em tendências, considerados valiosos, são integrados ao seu círculo, mas nunca em igualdade de condições, e sim como detentores de um conhecimento especializado.
Como Alcoforado reconhece mais de uma vez no livro, foi Michel, sua persona "antropólogo do luxo" que tornou popular entre os ricos, frequentemente convidado a eventos sociais como objeto de curiosidade e interesse. Parece faltar, nesse caso, uma reflexão mais aprofundada sobre o papel do próprio autor nessas interações, talvez próximo ao de um "bichinho de estimação". Essa lacuna seria um aspecto que eu, como leitor, gostaria de ver abordado em maior profundidade.
Contudo, sou apenas um leitor que apreciou muito a obra e saiu dela com a impressão anmpliada de algo que eu já sentia: rico é uma gente escrota que tem mais é que se ralar...
Em audio pela audible, narrado pelo próprio autor foi um deleite de experiência! Parecia mesmo um formato de fofoca rs (Mas confesso que ao longo que eu ia ouvindo as histórias eu ia perdendo mais o interesse em saber mais sobre esse mundo)
Não sei o que eu esperava, mas me decepcionei, leitura meio fútil que, por vezes, mira na crítica e acerta na glamourização apesar de soltar umas boas aqui e aculá. O fato do autor não bater forte o suficiente no seu objeto de trabalho é muito frustrante.
Como forma de desabafo e aproveitando que o autor não escreveu o que eu esperava ter lido, deixo registrado o seguinte:
A elite econômica brasileira é um grupo patético, burro, vil, mesquinho, brega, colonizado, que odeia o seu próprio país e a si mesmo ao extremo. São dignos de desprezo, não de glamour. São os maiores responsáveis pelas nossas mazelas, e a sua ausência de protagonismo, perspectiva, iniciativa e criatividade que remonta aos tempos coloniais é uma maldição perversa que condena o nosso país a um futuro preocupante.
Os "novos-ricos", em sua maior parte, são tudo o que foi dito acima com uma ganância que não conhece limites e uma breguice 10x maior.
Caramba.... Que experiência. É muito bizarro ver que o absurdo é o comum nesse mundo distante das elites brasileiras. Ao mesmo tempo esse modo de vida escancara a fenda que é tão marcada no nosso país. A amarração das anedotas bizarras com a teoria antropológica é muito bem feita pelo autor e a leitura fluiu demais. Terminei com saudade e cheia de pensamentos...
Me rendi ao hype! Achei que fosse ficar minimamente entretida com as fofocas e fosse ser uma leitura rápida, mas a verdade é que eu não poderia me importar menos com essa gente detestável ahhahaha 😂 A leitura não fluiu pra mim, os pontos traçados pelo antropólogo não foram novidade e eu só queria que o livro terminasse logo.