Muito além do BDSM: maturidade, cuidado e amor
Eu não sou uma pessoa fácil de se surpreender, ainda mais com livros, é raro uma história realmente me cativar e me surpreender de alguma forma, e “Collins” acaba de entrar nessa pequena lista.
Quando eu li o primeiro livro da saga, “Callahan” eu achei a história chatinha, mal construída, faltou emoção, profundidade dos protagonistas e um enredo sólido, além dele ser bem sexual. Contudo, “Collins” foi completamente o oposto do primeiro livro, o que mostrou uma grande evolução de construção de enredo por parte da autora.
A história do Ethan e da Hannah é vendida como algo bem sexual desde o seu primeiro capítulo, visto que Ethan é um dom e Hannah é um sub, então era meio óbvio o caminho que a história ia seguir né. Contudo, a história não foi sobre sexo, mas sim sobre amadurecimento, sobre conhecimento pessoal, confiança, amor, e isso me surpreendeu em um nível desconhecido por mim. Vocês não imaginam a surpresa que eu tive onde ao invés de eu ler um sexo BDSM eu li a Hannah indo para a terapia para aprender a se conhecer. E gente, isso foi tão incrível e maduro da parte da autora.
Enquanto o primeiro livro não tinha uma linha de raciocínio direito, esse desenvolveu todos os traumas da Hannah, fazendo com que ela se conhecesse e se tornasse uma mulher adulta, ao esmo tempo que desenvolveu os sentimentos do Ethan, que pensou que nunca iria gostar e amar de alguém. A construção deles foi muito bonita, teve um começo, meio e fim, sem exageros.
O que eu mais gostei na verdade, não foi nem a evolução da protagonista que foi muito boa, mas sim o Ethan...que homem meus amigos, que homem. O protagonista é maravilhoso, ele fez de tudo pela Hannah, colocou ela no seu ciclo de amigos, ajudou na terapia, a se conhecer, a viver, a lutar, e sendo sincera, um homem desses é tudo na vida de uma mulher.
E não se enganem, pois não é porque o livro não seja focado no sexo que ele não tenha ocorrido. Ele ocorreu, e em uma boa quantidade e muito, mas muito bem escrito, deu para ver claramente que a autora estudou o universo do BDSM, pois ela desenvolveu tudo como uma profissional, o que tornou tudo melhor ainda.
Além de tudo isso, eu gostei muito do desenvolvimento que a autora deu aos amigos do Ethan, eles são bons personagens e merecem esse destaque, ainda mais porque faz com que o leitor tenha vontade de continuar a leitura, assim como eu gostei do desenvolvimento das meninas.
Eu só rasguei elogios ao livro, mas alguns pontos não me agradaram, sendo o principal deles o pai da Hannah. A relação deles é toxica e mega conturbada, e eu confesso que esperava um encerramento mais dramático e empoderado pela parte da protagonista. É um enredo que pesa no livro todo e por isso eu esperava que a conclusão fosse ser um pouco melhor. E o mesmo se aplica a mãe do Ethan, onde no final ele da um fora na mesma dizendo que ela nunca foi presente, nunca foi boa, mas acho que faltou explorar esse lado sabe, o protagonista é incrível, mas ele é feito para ser um homem perfeito para ajudar a Hannah, e eu senti falta de mostrar a fragilidade dele, então por isso que desenvolver essa questão com a mãe teria sido interessante.
Tirando esses pequenos detalhes, a história é ótima, e a cada livro que passa eu gosto mais e mais da escrita da Paula, que só evoluiu ao longo do tempo. E assim, to mega ansiosa para continuar a saga, e sinto que o livro do Liam vai vir com força total.
Ordem Favoritos:
1 – Collins (Ethan e Hannah)
2 – Callahan (James e Emma)