Emily Hauser, premiada classicista e historiadora da Antiguidade, leva os leitores numa jornada épica para descobrir a surpreendente história real das mulheres por detrás de uma das maiores lendas da Grécia antiga: a Ilíada.
Ao contrário das perceções construídas ao longo de três milénios, a história antiga não é só sobre homens - e não são apenas as histórias dos homens que merecem ser contadas.
Em Míticas - As Mulheres da Ilíada, Emily Hauser mergulha na história por detrás da Ilíada, um dos grandes poemas épicos de Homero. Cruzando dados dos textos originais, recentes descobertas arqueológicas surpreendentes e os mais recentes estudos de ADN, a autora revela quem eram essas mulheres - rainhas, mães, guerreiras, escravas -, como viveram e como a história as tem recordado (ou não…) até agora.
Uma nova história fascinante do Egeu da Idade do Bronze e uma viagem pelos épicos de Homero mapeados inteiramente por mulheres (de Helena de Troia a Briseida, Cassandra, Afrodite, Hera, Andrómaca ou Hécuba), Míticas - As Mulheres da Ilíada é uma reavaliação inovadora da realidade por trás das mulheres muitas vezes mitificadas dos maiores épicos da Grécia, e do próprio mundo antigo sobre o qual vamos adquirindo cada vez mais conhecimentos.
Emily Hauser is an award-winning ancient historian and the author of the acclaimed Golden Apple trilogy retelling the stories of the women of Greek myth. She has been featured on BBC Radio 4 Woman's Hour and The Guardian alongside Colm Tóibín and Natalie Haynes, and her novel For the Winner was listed among the "28 Best Books for Summer" in The Telegraph. Her latest book, Mythica: A New History of Homer’s World, through the Women Written Out Of It, was an instant Times bestseller.
O tema é brilhante e ainda pouco explorado o que por si só justifica a existência do livro, mas tem vários problemas.
Para começar, os mapas e esquemas utilizados podiam ser muito melhores e mais rigorosos. Existem muitos casos (muitos mesmo) em que o texto era muito facilmente enriquecido com imagens ou fotografias e que tal não acontece. Encontrei problemas com a prática deontológica ao longo do livro (por exemplo, o uso extremamente liberal do termo Pré-História). Por fim, é um livro com demasiada "publicidade" e menções aos romances da autora e paralelismos muito pouco convincentes com temas do presente.
Apesar disso, apresenta uma noção de reimaginação do épico homérico muito inovadora e algumas boas ideias. Do ponto de vista de referências é um livro muito sólido. Nota-se (no bom sentido) que a autora está habituada a escrever para além do mundo meramente académico, o que dá dimensão à sua escrita. O que me deixa mais frustrado com o livro, no entanto, é o potencial que este podia ter como rampa de lançamento para a Ilíada e um ponto de começo interessante para alguém que gostava de ler a obra. Pessoalmente, acho que é demasiado complexo para quem não leu o épico nem está muito dentro do imaginário grego para isso (se bem que o glossário no final ajuda).