Uma viagem pelo submundo de Tóquio e uma reflexão sobre o trabalho contemporâneo, o papel das mulheres na hierarquia empresarial e a ética das empresas imorais.
«Cada um tem o chefe que vem agarrado ao negócio. Não é carma, nem sorte, nem azar. É só a merda que é.»
Num beco de Tóquio, a sucursal de uma empresa de criminosos recebe uma directriz da sede para aumentar a diversidade nos quadros de direcção. Todos resistem, menos o Chefe dos Chefes. Ciente de que, se quer continuar vivo, deve fazer o que lhe sugerem, promove a sua assistente a estagiária de chefe. Boicotada pelos colegas e pela falta de confiança, a assistente decide fazer o impossível para ser bem-sucedida. E, de um dia para o outro, está a gerir bares de alterne, a fazer cobranças difíceis e a chinar clientes. Para sua surpresa, descobre que é óptima a praticar o mal, mas a sua nova ambição pode ter consequências fatais. Partindo da experiência de uma década a viver no Japão, Ricardo Adolfo faz uma reflexão corrosiva sobre o trabalho contemporâneo e a ética das empresas imorais.A Chefe dos Maus é uma viagem pelo submundo de Shinjuku, onde o autor de Tóquio vive longe da Terra revela outra face de uma cidade tão fascinante como ambígua.
Os elogios da crítica
«Uma maneira de falar completamente nova na literatura portuguesa.» António Lobo Antunes
«Sou leitor do Ricardo Adolfo. Espero sempre com ansiedade o próximo livro. Sei que me acontecerão muitas coisas, sei que será literatura de canos serrados.» Afonso Cruz
«Ricardo Adolfo, um dos mais originais escritores portugueses, produz um novo romance que lança um olhar implacável sobre os vícios da humanidade e os valores das sociedades contemporâneas. Literatura em carne viva onde a mordacidade e o sarcasmo andam de mãos dadas com a violência e o horror.» Luís Almeida D'Eça, Agenda Cultural de Lisboa
«Mais de 10 anos após a última incursão pelos subúrbios de Lisboa, o publicitário escritor emigrado em Tóquio volta à sátira, entre as empresas, a máfia e a ameaça de uma mulher […] sai de Portugal e dos subúrbios, mas não da classe trabalhadora, em que fez nascer mulheres coloquiais e inesquecíveis.» Joana Stichini Vilela, Observador (sobre A Chefe dos Maus)
«Uma análise fascinante e sobretudo um retrato brutal do que é ser emigrante.» Publishers News, (sobre Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas)
«Um olhar muito próximo e incisivo sobre o Japão.» Jornal i (sobre Tóquio vive longe da Terra)
A chefe dos maus é um título chamativo e…literal quando se trata de um romance de Ricardo Adolfo que, usa e abusa do sarcasmo e da ironia em personagens e enredos completamente fora do real mas que o criticam fortemente. Apesar de serem criminosos, eram também muito comuns numa empresa de fachada para negócios e ações violentas e o questionário e a resolução de um problema no elevador assim o atestam logo de início. E tudo isto no Japão. Burlesco é o que me ocorre. E uma verdadeira festa para quem quer se divertir e rir enquanto lê numa completa evasão de tudo e todos. E no meio de tanta galhofa lá nos estatelamos com uma boa crítica social que nos dá que pensar.
As mulheres são boas protagonistas. Astutas e manipuladoras. A assistente que, se torna estagiária de chefe leva o seu tempo até explorar o seu potencial. Uma mulher com alto QI e muita empatia. A falta de escrúpulos e a ambição desmedida dá um inesperado final.
"Ouvi tudo o que me queria dizer, respondi-lhe com o devido respeito, e sorri de volta. Ergui a mão direita à altura da sua testa num gesto treinado durante todo o tempo que estivera dentro, de frente para o buraco no estuque igual à sua silhueta. Aconcheguei o gatilho como ele me ensinara alguns anos antes, e inspirei, certa do que tinha para lhe dizer. O meu estrondo foi seguido por outro e mais outro, vindos dos restantes gabinetes privados. Os chefes tombaram todos às saias da nova direcção. Quem depunha chefe, chefe se tornava. Assim dizia a mais antiga lei do nosso negócio. "
Numa sucursal de uma poderosa organização criminosa em Tóquio, o Chefe dos chefes recebe um ultimato da sede: a empresa tem que se tornar mais inclusiva e como tal contratar mais senhoras. A nossa protagonista, assistente do Chefe dos chefes vive na sombra, é-lhe pedido que assista o Chefe e pouco mais mas quando o Chefe dos chefes a promove a estagiária de chefe ela não tem como recusar. Em contacto com o submundo de Tóquio ela vai perceber de que é feita para chefiar e até se esquece do pobre noivo que a espera todas as noites com o jantar na mesa. A Chefe dos Maus é um excelente livro cheio de acção, crítica social e humor negro onde Ricardo Adolfo nos apresenta personagens caricatas e inesquecíveis. Se ainda não conhecem os livros deste senhor não sei o que andam a fazer da vossa vida 😏
"Levantava-me todos os dias, e às vezes à noite também, para ir trabalhar numa empresa dedicada à extorsão, proxenetismo, tráfico de estupefacientes, cobranças difíceis, burla, e todas as outras ilegalidades que dessem pelo menos 20% de lucro...Bastava não asnear e em breve teria um escritório em vidro, com uma plaquinha na porta com o meu nome por cima das palavras Chefe de Uma Merda Qualquer. "
Uma empresa de criminosos em Tóquio decide que precisa de “diversidade” na chefia. E a assistente — invisível, diligente, sempre no fundo da sala — é empurrada para o topo.
Ninguém acredita que aguente. Mas ela aprende depressa: para sobreviver, é preciso saber ser má. E a verdade é que ela é muito boa nisso.
Entre bares, cobranças e negociações feitas na sombra, descobre que o poder não é dado: toma-se. E que a linha entre obedecer e mandar é mais curta do que parece.
Ricardo Adolfo escreve com ironia afiada, humor negro e um olhar que pousa exatamente onde costumamos fingir que não vemos.
Uma organização criminosa obrigada a adaptar-se aos novos tempos: diversidade, cultura empresarial, reuniões estratégicas… e crimes, claro.
A Chefe dos Maus é uma sátira mordaz e surpreendentemente atual que transforma o submundo num espelho do universo corporativo. Com humor ácido e uma ironia constante, Ricardo Adolfo brinca com a ideia de quotas de género, meritocracia e liderança feminina num contexto onde a palavra “burocracia” ganha um significado deliciosamente absurdo.
Divertido, provocador e inquietantemente familiar — um livro que nos faz rir enquanto nos obriga a reconhecer o mundo à nossa volta.
Uma viagem pelo submundo de Tóquio e uma reflexão sobre o trabalho contemporâneo, o papel das mulheres na hierarquia empresarial e a ética das empresas imorais. Um escritor com uma marca excêntrica e mordaz. Ou se gosta ou se odeia. Um livro sem escrúpulos. Mulheres ao poder!
Uma divertida sátira ao mundo do trabalho, servida pela escrita ritmada e uma vincada oralidade do texto, características que são a assinatura de Ricardo Adolfo.
este foi o meu primeiro encontro com ricardo adolfo, depois de grandes expectativas criadas por outros. gostei da escrita. a história foi ok, mas estava à espera de melhor.
Cansativo. A ironia e o humor negro têm sido características do estilo do autor ao longo do seu percurso. E amplamente apreciados. No entanto, o autor decidiu amplificar a estratégia de escrita ironica para frase sim - frase sim no desenrolar deste enredo. É como quando chegas ao bar e encontras aquele amigo que já vai bem acelerado. Por mais que te esforces em ouvi-lo, sabes que vai demorar tempo até atingires o patamar das 20 imperiais para nivelar o diálogo e, ainda por cima, hoje não estás virado para aí.